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sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Angola é dos países da região com maior mobilização de professores

O titular da pasta da Educação, Burity da Silva, considera necessário que no próximo ano lectivo sejam asseguradas as condições materiais, humanas e financeiras para que o sector continue a registar progressos a nível da cobertura escolar. Esta é uma das mensagens que transmitiu durante a tradicional cerimónia de cumprimentos de fim--de-ano, aos membros do seu pelouro. Segundo o governante, os progressos a nível da cobertura escolar permitiram situar Angola como o Estado da África subsariana que mais investimentos realiza na mobilização de agentes educativos e de alunos, atendendo, deste modo, às preocupações do Governo e do Presidente da República, José Eduardo dos Santos. No domínio dos recursos humanos e formação de quadros, uma das maiores realizações foi a aprovação, pelo Conselho de Ministros, do novo estatuto da carreira dos docentes do ensino primário e secundário, técnicos pedagógicos e especialistas de administração da educação e do sistema de avaliação do desempenho."Trata-se de um estatuto que configura um novo perfíl dos quadros da educação, na óptica da sua formação e valorização de competências profissionais, enquadramento, gestão e motivação dos mesmos”, referiu o ministro, acrescentando que a sua aplicação resolve o problema de actualização das categorias dos professores e estabelece um novo quadro de qualificação dos recursos humanos. Para Burity da Silva, o sistema de avaliação de desempenho é um instrumento que corresponde à especificidade do exercício docente e às exigências decorrentes da inovação curricular, traduzidas na reforma educativa e visa avaliar com maior visibilidade e objectividade os indicadores de competência.
Fonte: Jornal de Angola

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)