“Demasiado fácil”, “não é compensador do esforço”, “não havia nenhuma questão que permitisse distinguir um aluno de 18 de um de 11”, estes foram alguns dos comentários recolhidos pelo PÚBLICO entre os 45 estudantes do 12º ano do colégio Valsassina, em Lisboa, que hoje fizeram o exame nacional de Matemática A.Para além desta prova, para os cursos de ciências e tecnologias e ciência socioeconómicas, em que estavam inscritos a nível nacional quase 50 mil estudantes, realizaram-se outras duas avaliações de Matemática destinadas aos alunos de Artes Visuais e de Ciências Sociais e Humanas (cerca de 20 mil inscritos).No Valsassina, há dois anos em primeiro lugar no ranking em Matemática, respira-se confiança. Pelas primeiras correcções, feitas com o auxílio dos professores da disciplina, que se juntaram aos estudantes mal estes abandonaram as salas de exame, a tradição do colégio está para durar: são vários os que apontam para um 19 ou mesmo 20 e quase todos dão como certo que a prova se saldará numa subida da sua média. É invulgar tamanha descontracção quando é a Matemática o prato forte. Para os professores não constitui surpresa. A sua confiança nos alunos é praticamente total. O inverso também parece ser verdadeiro. É uma coisa que se sente no local e que também marca a diferença.Satisfeito, o coordenador do grupo de Matemática frisa que serão poucas as escolas que oferecerão as condições do Valsassina. A Matemática é uma linguagem universal, mas os juízos sobre os exames podem por isso não ter aplicação global. Por uma questão justiça para com outros, José Larião não dirá assim, como os seus alunos, que o tempo (três horas) foi excessivo para aquela prova ou que esta se revelou demasiado fácil.
Fonte: Público
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Exames nacionais: Estudantes do Valsassina consideram prova de Matemática demasiado fácil
Etiquetas: Exames nacionais secundário 2008
Brasil: Curitiba é a capital do país com melhor ensino público do país nas séries iniciais
Das 27 capitais avaliadas pelo Ministério da Educação (MEC) em 2007, 15 apresentaram resultados abaixo da média nacional (4,2) no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), considerando os anos iniciais (1ª a 4ª série) do ensino fundamental. Curitiba obteve o melhor resultado: 5,1. Na avaliação dos anos finais do ensino fundamental, ou seja, 5ª a 8ª série, o melhor desempenho foi do Rio de Janeiro, com 4,2. A capital paranaense já atingiu em 2007 a meta de qualidade para 2009 nos anos iniciais e finais do ensino fundamental. A secretária municipal de educação, Eleonora Bonato Fruet, conta que em 2005 foi realizado um amplo diagnóstico sobre a realidade das escolas, levando em conta fatores socioeconômicos das regiões, a escolaridade dos pais, a formação dos professores e a infra-estrutura das unidades. “Você tem que entender essa realidade, que às vezes é tão dura, para desenvolver práticas metodológicas que dêem conta dessa situação”, acredita. Eleonora aponta como outro fator de sucesso o fato de a cidade ser a capital com a menor taxa de analfabetismo. “A participação da família é determinante, a escolaridade da mãe é um dos fatores fundamentais para o bom rendimento dos alunos”, defende. Para estimular a interação com a família, 66 das 172 escolas municipais abrem para atividades no fim de semana. Os professores também recebem cursos de especialização e parte deles é dispensada para fazer mestrado e doutorado. Nas séries iniciais do ensino fundamental, Belém (PA) foi a capital com menor índice: 3,2. O indicador manteve-se estável de 2005 para 2007, resultado já previsto no plano de metas do MEC. Nos anos finais do ensino fundamental, ou seja, 8ª série, o resultado foi pior: caiu de 3,1 para 2,9. A meta para 2007 era que o índice se mantivesse em 3,1. Nenhuma capital registrou queda nas notas iniciais no Ideb em comparação a 2005. Campo Grande (MS) registrou o maior crescimento, passando de 4,0 em 2005 para 4,9 em 2007, ultrapassando a meta prevista para 2011. Salvador aumentou 0,7 pontos na nota, passando de 2,8 para 3,5. O Ideb de Florianópolis subiu de 4,0 para 4,6. Manaus e Cuiabá também registram melhora, com crescimento de 0,5 pontos.
Fonte: Agencia Brasil
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Violência escolar junta especialistas em Lisboa
A violência escolar e as políticas públicas preocupam autoridades e especialistas da matéria de todo o mundo que entre hoje e quarta-feira discutem o assunto em Lisboa na 4.ª Conferência Internacional sobre Violência nas Escolas e Políticas Públicas.
Três em cada dez alunos já foi vítima de violência escolar em Portugal e seis por cento foram vítimas de "bullying", ou seja, de violência continuada e repetida. Estes são dados que preocupam autoridades e especialistas de todo o mundo que se juntam até quarta-feira em Lisboa na Conferência Internacional sobre Violência nas Escolas e Políticas Públicas. Para discussão da violência escolar e das políticas públicas a conferência decorre até à próxima quarta-feira na Fundação Calouste Gulbenkian e, esta manhã, a sessão de abertura contou com a presença da ministra da Educação. Para Maria de Lurdes Rodrigues a violência escolar tem vindo a diminuir e defende estar, por isso, a apostar nas medidas certas, mas também reconhece que os objectivo ainda não foram totalmente alcançados e assim irá corrigir mais aspectos. “Continuar a aprofundar e a melhorar o trabalho que tem vindo a ser feito” é um dos objectivos da ministra que referiu ainda ser “necessária muita persistência porque é importante levar até ao fim, até que os objectivos sejam alcançados, o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido”. Maria de Lurdes Rodrigues considera ainda que “uma das medidas mais importantes é o alargamento da política de descriminação positiva a mais escolas”. Presente na sessão de abertura desta conferência esteve igualmente o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, que à saída referiu que o problema da violência escolar melhorou no último ano, apesar de, por outro lado, ter aumento o número de denúncias. "Acho que se está a fazer um esforço para a combater. Se me perguntar se a situação hoje é melhor do que há um ano eu digo que é melhor", esclareceu Pinto Monteiro. O Procurador-Geral da República disse ainda que nunca foi referido que a violência escolar era um problema generalizado e reconheceu melhorias na situação portuguesa, embora registe um aumento de queixas, de pais, alunos e professores, na Procuradoria-Geral da República. No entanto, Pinto Monteiro não deixou de alertar que embora não existam receitas mágicas para resolver este problema que afecta outros países, a violência escolar não pode ser escondida ou ignorada dizendo mesmo que “a violência escolar não pode ser um cadáver metido no armário”.
Fonte: Rtp.pt
Etiquetas: Violência escolar
Método contra 'bullying' com sucesso em Espanha
Uma equipa de investigadores da Universidade Complutense de Madrid (UCM) desenvolveu um método para combater o bullying , que diz ter tido sucesso nas escolas espanholas. Os resultados do método - que passa pela aplicação de um programa informático em que os alunos identificam de forma anónima os colegas que gostam ou não - foram apresentados ontem no El Mundo, na véspera do arranque, em Lisboa, da 4ª Conferência Mundial sobre "Violência na Escola e Políticas Públicas", onde o fenómeno vai estar em destaque. Um projecto que já recebeu o acolhimento de países como a Suécia e a Finlândia mas que é ainda desconhecido pelas associações de pais e professores portuguesas e pelo Observatório da Segurança Escolar.A pensar no medo da vítima em denunciar um colega (uma das principais dificuldades em detectar o bullying), a equipa da UCM lançou, em 2004, um programa informático que identifica as vítimas e os agressores de forma anónima. É ainda um modo de detectar o fenómeno precocemente e evitar que as agressões (físicas e psicológicas) se prolonguem e deixem feridas incuráveis.O programa espanhol baseia-se numa ferramenta informática que disponibiliza as fotografias de todos os alunos de uma turma, questionando-os individualmente: "Com quem gostas de brincar?" e "Quem é que te incomoda mais?", são exemplos de perguntas a que os estudantes respondem, clicando em cima da fotografia do colega correspondente. "É muito mais simples e eficaz do que escrever ou falar sobre o assunto. Os jovens respondem com mais liberdade e sem se sentirem coagidos", afirmou o "pai" do método, Martín Babarro.A ideia é levar os colegas a apoiar as potenciais vítimas e trabalhar com os agressores. A experiência começou no colégio madrileno Salvador Allende, que frisa o sucesso da iniciativa. Além do alargamento a toda a Espanha, também a Finlândia e a Suécia foram a este país ver de perto o programa.Pode ser aplicado em PortugalPor cá, ainda ninguém ouviu falar deste projecto, apesar de já ter cinco anos e da interligação entre as associações portuguesas e espanholas. O presidente da Associação Nacional de Professores (ANP), João Grancho, admite que "tudo o que se faz pode servir de inspiração e pode vir a ser aplicado em Portugal". Também Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap), fala ao DN da possibilidade do programa "servir como modelo de inspiração para aplicar nas escolas portuguesas". Até porque, "as boas ideias como esta não deixarão de ser adaptadas à realidade nacional". No entanto, disse, "todas as medidas aplicadas actualmente em Portugal são adequadas, como a tutoria entre os pares, em que os alunos menos problemáticos acompanham os mais problemáticos e os mais velhos apoiam os mais novos". Estas "brigadas de intervenção têm-se revelado muito eficazes", concorda Albino Almeida.O psiquiatra e membro do Observatório da Segurança Escolar Daniel Sampaio contesta a solução espanhola. O "problema do bullying não se resolve com um programa informático, que só pode funcionar se for integrado num método geral de combate ao fenómeno". "É necessário trabalhar com as famílias, os alunos, os auxiliares da educação e os professores", defende.Outro ponto fundamental para o especialista é o conhecimento da vítima. "Não se pode pensar no 'bullying' sem tratar a vítima". Já que "o próprio comportamento das vítimas (vergonha, inibição, minoria étnica ou sexual) pode incentivar esta prática", denuncia. Até porque, "não se pode pensar só no menino mau que é o agressor e no menino bom que é a vítima. O agressor pode mesmo ser promovido no grupo de amigos e os seus actos entendidos como positivos". Por isso, o médico considera que "o bullying é muito mais complexo" do que a abordagem do programa espanhol.
Fonte: DN
Etiquetas: Violência escolar
«A qualidade dos espaços pode evitar a violência nas escolas»
Especialistas de todo o mundo reúnem, a partir de hoje, na Fundação Gulbenkian para discutir a violência escolar. Um fenómeno que está longe de se limitar a Portugal, como explica ao Destak Carlos Neto.
Professor catedrático, além de ter investigado o bullying nos recreios e de pertencer a um projecto internacional de combate à violência na escola, é um dos coordenadores deste congresso.
ISABEL STILWELL editorial@destak.pt
A violência na escola é transversal ao mundo. Qual diria ser o seu denominador comum?
O problema da violência escolar é complexo, multidimensional e afecta os sistemas educativos em todos os países e culturas. Não é um problema novo, mas temos hoje melhores condições para o estudar. Por outro lado, as mudanças ocorridas na família e na comunidade trouxeram novos problemas para dentro da escola, implicando boas práticas e dimensões diferentes de encarar a gestão das instituições e do acto educativo.
Acaba por ser apenas uma continuação da violência na sociedade, nomeadamente nas famílias?
Essa relação é evidente, mas não exclusiva. Muitos outros factores podem explicar o fenómeno, como a degradação do projecto educativo nas escolas, ausência de referências de autoridade, aparecimento de novas tecnologias, proces-sos de socialização, etc. A violência na escola apresenta contornos específicos em função de características sociais e culturais de cada região, de cada escola e dos alunos, docentes e funcionários.
Há escolas que, pela sua organização interna, favorecem a violência escolar? Quais diriam ser os três principais sinais de perigo?
Estou convencido que sim. Apontaria em primeiro lugar as características físicas e arquitetónicas das escolas em relação à qualidade e conforto de espaços formais e informais, em segundo lugar a qualidade do projecto pedagógico de cada escola em paralelo com uma boa supervisão dos alunos e finalmente a existência de projectos de intervenção centrados na diminuição da violência (vítimas e agressores). Existem já por todo o mundo bons projectos anti-violência e anti-bullying no meio escolar.
A relação com a comunidade parece influenciar o grau de violência na escolas. Em Portugal, a comunidade vê a escola como amiga ou inimiga?
Na maior parte dos casos a comunidade não vê a escola nem como amiga, nem como inimiga. Tem uma atitude indiferente. Essa atitude mental tem criado um distanciamento progressivo, que não facilita a resolução dos problemas. A indiferença e ausência de participação da comunidade nos problemas da escola não tem contribuído para o reforço da estrutura identitária da escola.
Que papel pode ter o desporto na prevenção?
Por princípio, a actividade física e o desporto tem um papel fundamental para a criação de dinâmicas muito positivas de prevenção da violência (solidariedade, fair-play, convivência, auto-estima, etc.). A investigação tem demonstrado que a prática da actividade física e desporto, principalmente em crianças e jovens, é uma das formas mais robustas de prevenção da violência escolar.
Concorda que é basicamente um problema de falta de autoridade?
Não tenho a convicção de que seja apenas um problema de falta de autoridade. A confluência de novas realidades sociais e culturais na vida quotidiana da família e da comunidade leva-nos a pensar que este fenómeno deve ser abordado numa perspectiva ecológica e transversal. Múltiplos factores estão a contribuir para este fenómeno e as soluções não podem ser milagrosas. São necessárias políticas públicas.
Há 'directores' que conseguem fazer a diferença?
Com certeza que sim. Depende da competência, de bons projectos de gestão financeira e pedagógica. Da capacidade de desenvolver um clima saudável, que leve os alunos a gostarem de ir e estar na escola para aprenderem com os professores e conviverem com os amigos.
Os pais não são suficientemente responsabilizados pelo mau comportamento dos filhos?
Em muitos casos é verdade. O comportamento parental sobre a actividade escolar dos filhos é muito variável. Penso que deveriam ser repensadas as formas de participação dos pais e principalmente o valor excessivo que se pretende dar ao rendimento escolar (excelência a qualquer preço), em detrimento do prazer de aprender e de aprender a pensar em situações formais e informais.
Fonte: Destak
Etiquetas: Violência escolar
Matemática 9.º ano: nunca um exame foi «tão fácil»
A Associação de Professores de Matemática (APM) considerou que o exame nacional de 9º ano da disciplina foi o «mais fácil» desde que a prova se realiza, sublinhando que algumas questões poderiam ser respondidas por alunos do 2º ciclo.
«Na generalidade, a prova é mais acessível e mais fácil do que nos anos anteriores. Algumas questões poderiam ser resolvidas por alunos do 2º ciclo», afirmou Sónia Figueirinhas, vice-presidente da APM, em declarações à Agência Lusa.
Perto de 100 mil alunos realizaram o exame nacional de Matemática, que se realiza desde 2005. O ano passado, 72,8 por cento dos estudantes tiveram nota negativa, quando em 2006 a percentagem de chumbos no teste situava-se nos 63 por cento.
«Em algumas questões ficou aquém das competências e conhecimentos que os alunos no final do 9º ano deveriam ter. Se em exames anteriores as questões eram mais elaboradas e difíceis, não há razão para que este ano também não fossem», acrescentou.
Sublinhando que o exame «não tem erros» e que os 90 minutos, mais 30 de tolerância, estão adequados para a realização da prova, a responsável salientou que em relação à geometria, por exemplo, o exame aponta «mais para nomes do que para competências».
«Há questões que outros ciclos de ensino saberiam resolver de certeza, mas a prova é sobre os conteúdos leccionados no 7º, 8º e 9º anos», lamentou.
Assim, a Associação de Professores de Matemática espera que haja «uma grande melhoria» nos resultados em relação a 2007, mas sublinha que as provas «não são comparáveis».
Já na quarta-feira, a Associação de Professores de Português lamentou que o exame nacional de 9º ano da disciplina, realizado nesse dia, incluísse matéria do 2º ciclo (5º e 6º anos), considerando que esta opção pode ser «excessivamente fácil para os alunos».
Fonte: Portugal Diário
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domingo, 22 de junho de 2008
Sócrates anuncia alargamento do programa de entrega de computadores ao 7º ano de escolaridade
O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou hoje que no próximo ano lectivo o programa de entrega de computadores portáteis e acesso à banda larga será alargado a todos os alunos entre o 7º e 9º ano de escolaridade.José Sócrates falava na cerimónia de entrega do computador 200 mil no âmbito do programa e-escola, na Escola Profissional Gustave Eiffel, na qual também estiveram presentes os ministros da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e das Obras Públicas Transportes e Comunicações, Mário Lino. De acordo com o Ministério da Educação, ao estender-se aos 7º e 9º ano de escolaridade, o programa e-escola vai abranger no próximo ano lectivo mais 380 mil alunos dos ensinos público e privado. "O sucesso deste programa junto de professores, formados do Programa Novas Oportunidades e alunos impõe o seu alargamento ao 7º ano de escolaridade, depois de termos começado pelo 10º ano e posteriormente termos estendido aos 11º e 12º anos", justificou o primeiro-ministro. Para José Sócrates, face à experiência da aplicação do programa que une "Estado, operadores de telecomunicações e escolas é agora altura de lhe dar uma nova ambição". "A logística deste programa resultou em pleno, mas também resultou porque teve uma procura elevada. Ora, qualquer política pública só resulta se tiver a adesão das pessoas", sustentou. Segundo dados do primeiro-ministro, estão neste momento inscritas para receber computadores portáteis cerca de 300 mil pessoas entre alunos do ensino secundário, professores e formandos do Programa Novas Oportunidades.
Fonte: Público
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“Os professores não são treinados para agir em caso de violência”
A violência não está a aumentar, diz Eric Debarbieux, professor de Ciências da Educação da Universidade de Bordéus, em França. Mas é preciso agir, não com medidas repressivas, mas pensadas a longo prazo. É presidente do Observatório Internacional da Violência Escolar, uma organização não governamental “científica”, uma “federação de investigadores” de 52 países, que faz estudos e recomendações aos Governos. A quarta conferência internacional decorre entre amanhã e quarta-feira na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.Qual é o grau de influência do Observatório Internacional da Violência Escolar nas políticas dos países?O nosso objectivo é ter influência, dizer o que está certo e errados nas políticas públicas. Por exemplo, sabemos que o melhor caminho não é ter políticas de repressão nas escolas e dizemos isso. O que não significa que sejamos ouvidos pelos políticos. A violência na escola é um tópico inconveniente que é recorrentemente recuperado pelos média e pelos políticos, que exageram sobre as suas causas e os seus efeitos. Contudo, a investigação mostra que a violência na escola não está a aumentar. Não está a aumentar?Vou dar um exemplo: Recentemente um país africano pediu-nos para fazermos um estudo. O observatório concluiu que o problema era as crianças não irem à escola, sobretudo as raparigas e recomendamos que o investimento devia ser feito na sua educação. É claro que não ficaram satisfeitos. A razão científica nem sempre é palavra de acção, mas é essa a nossa função.A violência escolar vai da agressão verbal aos massacres nas escolas? Os tiroteios não são um problema real. Nos EUA, os estudos dizem que o risco de um aluno ser vítima de um tiroteio é de um para um milhão, no entanto, 80 por cento dos estudantes tem medo de ser vítima. O verdadeiro problema é a violência continuada e repetida, a que chamamos bullying, sobre alunos, mas também sobre professores. Por vezes, pensa-se que não é importante, que é uma coisa pequena, mas sabemos que as consequências são muito graves para as suas vítimas. Há pesquisa que mostra que uma vítima de bullying pode tentar o suicídio mais quatro vezes do que alguém que nunca sofreu bullying na escola. É contra esta pequena violência que temos de lutar.É diferente de país para país?Há países onde há problemas graves de violência escolar. Em África, no Burkina Faso, 37 por cento das raparigas já foram vítimas de abusos sexuais por parte dos professores. Outro problema são os castigos corporais, nos EUA há 18 estados onde ainda são permitidos. Sabemos que as consequências podem ser nefastas. Por exemplo, grande parte dos tiroteios dentro de escolas é nesses estados onde os professores podem bater nos alunos. Disse que a violência escolar não está a aumentar, mas são tornados públicos cada vez mais casos. Porquê?Em França, a média do número de alunos vítimas de bullying não está a aumentar, mas se observarmos as escolas dos subúrbios, de zonas mais frágeis em termos sócio-económicos, a violência escolar está a crescer. Na Europa, a violência na escola está ligada à exclusão social e é um assunto que a democracia deve combater. Mas não é assim em todos os países.Quer dizer que a violência pode não estar ligada à exclusão?Em muitos países pobres africanos e da América Latina a violência escolar não é um problema porque a comunidade protege a escola. Para ela, a escola é um capital social, é uma oportunidade para sair da pobreza, enquanto noutros países, na Europa e EUA, a escola é vista como um inimigo. No Brasil, nas favelas onde não há saneamento, a escola é o único bem e os professores têm até 80 alunos na sala de aula e não há problemas de violência.Significa que depende do contexto onde a escola se encontra?É o que vamos discutir neste congresso: A violência em contexto. Como é que o contexto pode fazer parte da solução? Sabemos que há dezenas de milhares de alunos, em todo o mundo, que odeiam o clima escolar.Porque a escola continua a ser igual desde a revolução industrial e recebe públicos para os quais diz não estar preparada?Os professores não são preparados para intervir. Por exemplo, uma hospedeira é treinada para reconhecer o stress de um passageiro, um quadro bancário para a gestão e dinâmica de grupo, e os professores não. Em termos políticos, é uma prioridade repensar a formação. A maneira como se gerem os conflitos é muito importante, há necessidade de formar os professores também para trabalhar em equipa. Se não houver esse trabalho de equipa, a porta da escola está aberta para entrar a cultura de violência. Não podemos mudar a família ou a sociedade, mas podemos mudar a maneira como se trabalha na escola. A pedagogia pode contribuir para a solução.Os alunos precisam de gostar da escola?O sentimento de pertença à escola é uma das chaves. Se um professor ou um aluno está isolado, corre maior risco de ser vítima de violência. Por isso, é preciso apostar na boa convivência escolar. É uma necessidade criminológica para nos proteger da violência escolar, porque os agressores não são corajosos, são jovens que atacam e roubam os da mesma classe social. Se há uma equipa a funcionar na escola, as agressões podem reduzir-se.E as câmaras de vídeo ou a polícia à porta da escola?Há escolas com os portões fechados e videovigilância. São meios que podem tornar-se perigosos porque os alunos interpretam que a escola os quer vigiar e controlar, bem como aos amigos e à família. O desafio é evitar a violência de exclusão, ou seja, aquela que é feita fora da escola contra a polícia, os transportes públicos, os bombeiros, porque essa é mais difícil de controlar. As escolas devem criar regras claras contra o bullying. Quais devem ser as responsabilidades dos governos?Formar professores para saberem gerir conflitos. Tomar medidas de apoio às vítimas, mas também de apoio aos agressores. Não basta agitar o cassetete, os Governos devem dar uma resposta que não seja dura e imediata, mas de longo prazo. Os governantes sentem um enorme fascínio pela repressão da violência extrema e isso deve-se à pressão mediática. Não há imagens da pequena violência, diária e repetida; mas há das consequências de um tiroteio num liceu norte-americano, que passam repetidamente na televisão. As políticas públicas devem dirigir-se à pequena violência.
Origens e causas da violência escolar O que está na origem da violência escolar?
Não há uma causa, mas muitas que estão ligadas. A escola, a família, a comunidade... Sabemos que se os pais forem muito disciplinadores, que inflijam castigos corporais, pode haver mais violência; mas o contrário também pode dar origem a violência, ou seja, se os pais não exercerem qualquer controlo. O modo como se educa pode ser uma das explicações, mas não é a única. Não se pode falar de determinismo.
Há novas formas de violência escolar?
O cyberbullying é um problema novo, ainda não há dados quantitativos, mas muitos inquéritos revelam que há um aumento. É o mesmo problema que o bullying, o meio usado é que é diferente.
Quem são as vítimas?
São os alunos, sobretudo rapazes, vítimas de violência física; há menos vítimas do sexo feminino e a forma de violência exercida é condená-las ao ostracismo. Não posso dizer que seja pior, porque a violência física é acompanhada de violência verbal. As consequências são muito importantes: o absentismo, maus resultados escolares, falta de auto-estima, por vezes, sentimentos de culpa.
No futuro, as vítimas podem tornar-se agressoras?
A maior parte das vítimas não se tornam agressoras. Mas acontece. O risco é que reproduzam esses comportamentos com os seus próprios filhos. Sabemos que 80 por cento dos casos dos autores de massacres nos EUA foram vítimas de bullying.
Fonte: Público
Etiquetas: Violência escolar
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Lançamento do Projecto aLeR+
Criar uma cultura de escola em que o prazer de ler e a leitura são elementos centrais e transversais a todas as actividades é o principal objectivo deste projecto. A iniciativa aLeR+ é lançada no âmbito do Plano Nacional de Leitura e pretende criar uma cultura de escola, em que o prazer de ler e a leitura são elementos centrais e transversais a todas as actividades curriculares e extracurriculares.
aLeR+ pretende também envolver todos os elementos da comunidade educativa: alunos, docentes, não docentes, bibliotecários, famílias, voluntários, autarcas e todos os cidadãos e organizações da sociedade civil, salienta a tutela.
O projecto resulta de uma iniciativa do Plano Nacional de Leitura, da Rede de Bibliotecas Escolares e da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas; é concebida com base no projecto Reading Connnects, do National Reading Trust, do Reino Unido.
O projecto Reading Connects integra uma rede de escolas em todo o Reino Unido e o seu impacto significativo na elevação dos níveis de literacia e na consolidação dos hábitos de leitura da população escolar é também realçado pelo Ministério da Educação. Refira-se ainda que 2008 é celebrado no Reino Unido como Ano Nacional da Leitura, uma comemoração que é aproveitada pela Reading Connects para a apresentação de actividades diversas, a realizar até Dezembro de 2008. Neste mês sugere-se a celebração de todas as formas de escrita e tecnologia focando, entre outros temas, a realidade virtual, o futuro da comunicação e o universo dos blogs. O projecto aLeR+ é lançado no dia 20 de Junho, com o apoio da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular e da Fundação Calouste Gulbenkian. O evento, que tem lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, prevê a apresentação de várias comunicações de convidados estrangeiros e nacionais, bem como um espaço para a colocação de perguntas.
Fonte: Texto Editores
Plano Nacional de Leitura
Etiquetas: Língua Portuguesa, Professores
Exames: 100 mil alunos avaliados hoje a Matemática do 9º ano
O exame nacional de Matemática do 9º ano começou esta sexta-feira, pelas 9:00 horas, sendo que perto de 100 mil alunos estavam inscritos nesta prova, a segunda de duas obrigatórias para a conclusão do ensino básico.
As classificações da disciplina, a mais temida, assim como as referentes ao exame de Português, serão afixadas no próximo dia 11 de Julho. A nota vale 30% da classificação final, sendo o teste cotado de zero a 100, convertido depois de um a cinco.
No ensino secundário, realiza-se hoje, entre outros, o exame nacional de Física e Química A, 10º/11º e 11º/12º, estando inscritos 54.910 alunos. Esta é uma das principais disciplinas para os que querem seguir Medicina e uma das que tem mais estudantes inscritos.
Em 2007, o exame de Física e Química A do 11º ano figurava entre as três provas com a média mais baixa, 7,2 valores. Nesse ano, o Ministério da Educação decidiu anular uma questão daquela prova, alegando que uma incorrecção na formulação da pergunta «inviabilizava a concretização de uma resposta correcta».
Fonte: Diario Digital
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quinta-feira, 19 de junho de 2008
Melhoria de resultados nas provas de aferição 2008
Os resultados das provas de aferição em Língua Portuguesa e Matemática, realizadas pelos alunos dos 4.º e 6.º anos, que foram hoje divulgados às escolas, revelam uma melhoria face a 2007, reflectindo a realização de mais trabalho, orientado para objectivos claros, mais recursos e mais tempo dedicado ao estudo.
Um dos principais pontos a destacar é o aumento do número de alunos com resultados positivos, assinalável sobretudo em Matemática, disciplina onde os resultados eram tradicionalmente mais problemáticos.
As melhorias registadas na disciplina de Matemática, iniciadas no secundário em 2007 e no básico este ano lectivo, provam que o insucesso escolar não é uma fatalidade - é um problema, para o qual devem ser encontradas soluções adequadas.
Na base desta melhoria está mais trabalho reflectido e orientado para objectivos claros, mais recursos e mais tempo dedicado ao estudo.
Saliente-se, a propósito, no caso do básico, a importância da realização de provas de aferição universais, com resultados devolvidos às escolas e às famílias.
Esta devolução proporciona um conhecimento concreto do nível atingido pelos alunos e respectivas turmas, permitindo aos professores a identificação dos aspectos a melhorar.
Recorde-se que, em Outubro de 2007, foram, pela primeira vez, entregues às escolas os resultados individualizados dos alunos e das turmas, o que permitiu aos professores identificar as dificuldades e desenhar estratégias para a recuperação dos resultados.
Este imprescindível trabalho continuado e persistente, desenvolvido em várias frentes, envolvendo o Ministério da Educação, as escolas, os professores, os alunos e as famílias, tem sido feito desde 2005 e deverá prosseguir para os resultados continuarem a melhorar.
De várias medidas que contribuíram para os presentes resultados, mencionem-se, a título de exemplo:
A formação contínua, em Português e em Matemática, de milhares de professores do primeiro ciclo;
O Plano de Acção para a Matemática, concretizado em todos os agrupamentos de escolas;
O Plano Nacional de Leitura, que apetrechou e dinamizou as bibliotecas escolares de todos os agrupamentos;
A definição de orientações sobre os tempos de trabalho com os alunos do 1.º ciclo em leitura e em Matemática;
O reforço do Estudo Acompanhado, para os alunos dos 1.º e 2.º ciclos;
A disponibilização de um banco de mais de 3000 itens de Matemática;
A elaboração de brochuras de apoio científico e pedagógico, para os níveis do pré-escolar, dos 1.º e 2.º ciclos, em Matemática e em Língua Portuguesa.
1.º ciclo
Os resultados das provas de aferição do 1.º ciclo revelam que cerca de 90 por cento dos alunos do 4.º ano realizaram provas com sucesso, atingindo níveis de desempenho positivos, tanto em Matemática como em Língua Portuguesa.
Salienta-se uma recuperação significativa a Matemática, onde a percentagem de alunos com desempenho positivo passa de 81 por cento para 91 por cento.
O nível de Muito Bom é alcançado em Matemática por cerca de 15 por cento dos alunos, e, em Língua Portuguesa, por 6 por cento. Comparativamente, a percentagem de alunos com níveis de desempenho claramente insuficientes é muito residual (inferior a 1 por cento).
Adiante-se que as provas de Matemática e Língua Portuguesa, em 2008, são equivalentes em complexidade e dimensão às de 2007.
Enquanto a melhoria dos resultados se regista, sobretudo, nas componentes relativas ao conhecimento explícito da língua, as maiores dificuldades surgem na compreensão de textos informativos e poéticos, mais do que de textos narrativos.
Para mais informações, consultar os resultados das provas de aferição do 4.º ano [PDF]
2.º ciclo
Já no 2.º ciclo, os resultados indicam que os níveis de desempenho positivo nas provas de aferição foram atingidos por 90 por cento dos alunos em Língua Portuguesa e por 82 por cento em Matemática.
Isto aponta para uma recuperação significativa a Matemática, onde a percentagem total de alunos com desempenhos positivos passa de 59 por cento para 82 por cento.
Tal como no 1.º ciclo, também neste é muito residual a percentagem de alunos com níveis de desempenho claramente insuficientes, tanto em Língua Portuguesa como em Matemática.
Por fim, as provas de Matemática e Língua Portuguesa, em 2008, são equivalentes em complexidade e dimensão, às de 2007
Para mais informações, consultar os resultados das provas de aferição do 6.º ano [PDF]
Fonte: Portal da Educação
Etiquetas: Provas de aferição 2008
Madeira: instaurado inquérito a caso de professor agredido por encarregado de educação
A Secretaria Regional de Educação madeirense vai instaurar um inquérito para apurar o caso do professor de uma escola do primeiro ciclo do Funchal que foi agredido ontem por um encarregado de educação.O professor da escola básica do primeiro ciclo com pré-escolar do Faial, na Estrada Visconde Cacongo, na freguesia de Santa Maria Maior, foi alegadamente agredido física e verbalmente no interior do estabelecimento, na zona da cantina.Na origem do problema estará o desagrado do encarregado de educação pela avaliação feita ao seu educando. O secretário regional da Educação madeirense, Francisco Fernandes, confirmou hoje a ocorrência, salientando que "não é uma situação normal" na região. Adiantou que será instaurado um "inquérito interno" e que a situação será participada às autoridades, pois o encarregado de educação "invadiu a escola", violando as regras de acesso ao estabelecimento escolar.
Fonte: Público
Etiquetas: Violência escolar
Alunos sofrem com exames
Os estudantes portugueses são dos que mais sofrem de stress, em todo o Mundo. É a conclusão de um estudo sobre «Desigualdades na saúde dos jovens», realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 41 países.
Os adolescentes portugueses sofrem com os exames, com as aulas e até com os trabalhos de casa. A investigação revela que mais de 70% das raparigas e mais de 60% dos rapazes sentem pressões relacionadas com a escola.
Os resultados obtidos colocam Portugal no topo da tabela, seguido de perto pela Escócia e pela Inglaterra. O lugar dos menos stressados é ocupado pela Áustria.
Fonte: TVI
Exames Nacionais: CDS-PP quer acabar com "erros nas provas" e propõe estrutura independente para conceber exames
O líder parlamentar do CDS-PP, Diogo Feio, propôs hoje ao Governo a criação de uma estrutura autónoma e independente responsável pela concepção dos exames nacionais, para evitar "erros nas provas" e nas "directrizes do ministério da Educação".
Em conferência de imprensa, o deputado Diogo Feio considerou "inaceitável que todos os anos" se repitam críticas aos exames nacionais do ensino básico e secundário, nomeadamente por parte das sociedades científicas.
Diogo Feio defendeu que os responsáveis políticos devem "aceitar e ouvir" aquelas críticas e adiantou que irá questionar a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, sobre o assunto, na próxima ida da governante à comissão parlamentar de Educação, prevista para terça-feira.
No projecto de resolução hoje apresentado, o CDS-PP sustenta que "têm surgido repetidamente problemas na área relativa a exames, destacando-se erros nas provas e nas directrizes do ministério da Educação".
Diogo Feio propôs ao Governo que crie, através de concurso nacional ao qual podem concorrer universidades portuguesas, uma "estrutura autónoma e independente responsável pela concepção de exames nacionais para todos os ciclos".
O Governo seria a entidade fiscalizadora "relativamente a toda a estratégia de avaliação independente", de acordo com o diploma.
Diogo Feio propôs ainda a criação de um "banco de perguntas", no seguimento do que se faz nos EUA, "com milhares de questões previamente testadas" a incluir nos exames nacionais.
O diploma salienta que, no modelo norte-americano, um grupo de especialistas avalia as questões propostas, que terão que ser em dobro das necessárias, e fazem testes piloto a pequenos grupos de alunos.
Depois de aprovadas pela comissão de especialistas, são colocadas na base de dados e são avaliadas na sua eficácia através dos exames.
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, considerou quarta-feira "um erro" as críticas da Associação de Professores de Português (APP) ao exame nacional da disciplina do 12º ano, realizado segunda-feira por 60 mil alunos.
Segundo a APP, o primeiro grupo da prova suscitou "algumas dúvidas", já que foi usada a terminologia linguística em revisão, e o texto final poderá ter levado os estudantes a falar de Padre António Vieira no tema de desenvolvimento, quando o autor não integra o programa do 12º ano.
Fonte: visaonline
Provas de Aferição 2008 - Sociedade Portuguesa de Matemática diz ser impossível comparar resultados com anos anteriores
A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) considera que é impossível saber se os alunos melhoraram a matemática a partir das provas de aferição, porque estes testes têm critérios e níveis de dificuldades diferentes todos os anos.
Dados divulgados hoje pelo Ministério da Educação (ME) revelam que quase dois em cada dez alunos obtiveram negativa na prova de aferição de Matemática do 6º ano, um resultado bastante melhor que o registado o ano passado, quando 41 por cento dos estudantes chumbaram no exame.Como é habitual, os alunos do 4º ano registaram melhores resultados que os colegas do 6º, com apenas 8,8 por cento dos alunos a obterem nota negativa, dos quais 0,4 por cento com nível E.Em 2007, quatro em cada dez alunos do 6º ano tiveram nota negativa na prova de aferição de Matemática, enquanto no 4º ano quase 20 por cento dos alunos teve «Não Satisfaz».«Ninguém sabe comparar os resultados das provas, porque estas têm sido feitas com critérios e com graus de dificuldades diferentes pelo que não é possível chegar à conclusão de que os alunos estão melhores assim como não é possível concluir que estão piores a matemática», disse à Lusa o presidente da SPM, Nuno Crato.«O ME não tem conseguido fazer provas de aferição e, em geral, exames que sejam fiáveis e que permitam obter dados que sejam medíveis de ano para ano», considerou.
Nuno Crato recordou que, já na altura das provas de aferição, a SPM considerou que estas foram demasiado fáceis para o nível de escolaridade dos estudantes e que, por isso, os resultados dos alunos poderiam ser bastante piores se os enunciados fossem «mais exigentes».Mais de 230 mil alunos dos 4º e 6º anos de escolaridade realizaram em meados de Maio as provas de aferição, cujas classificações não contam para a nota final dos alunos, servindo para uma reflexão colectiva e individual sobre a adequação das práticas lectivas, segundo o ME.
Fonte: Sol
Etiquetas: Matemática, Provas de aferição 2008
Provas de Aferição 2008 - resultados: Professores cépticos com resultados das provas
A crer nos resultados, o sistema de ensino melhorou exponencialmente num ano. Há menos de metade das negativas do ano passado nas provas de aferição de Matemática e Português. A ministra congratula-se, os professores dizem que é impossível.
A primeira crítica é a do facilitismo e Nuno Crato, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, agarra num simples exemplo: na prova de Matemática do 6.º ano, a dada alínea, pergunta-se ao aluno, munido de calculadora, qual é o quadrado de 100. "Ainda se fosse um número mais complicado, mas não. É demasiado fácil". E "há muitas" perguntas nesta linha.
Resultado: apenas 18,3% dos alunos do 6.º ano obteve um resultado negativo a Matemática, contra 41% em 2007. "Desceu para menos de metade. É ridículo! Isto só é possível com provas mais fáceis", diz Nuno Crato. Uma crítica que a ministra Maria de Lurdes Rodrigues considera "desajustada". "Só 5% dos alunos consegue resolver a totalidade da prova, isso diz-nos alguma coisa, não?", questiona, preferindo realçar o "trabalho" desenvolvido pelo Ministério da Educação (ME), pelas escolas e pelos professores.
As provas de aferição (realizadas em Maio por mais de 230 mil alunos dos 4.º e 6.º anos de 6883 escolas) revelam, efectivamente, um país mais sabedor. No caso da Matemática - "disciplina onde se pensa que há uma fatalidade, mas não há fatalidade nenhuma", diz a ministra - apenas 1,8% dos estudantes do 6.º obteve a nota mais baixa. No ano passado, tinham sido 6,6%. Na outra ponta da tabela, 8,9% conseguiu uma classificação de "Muito Bom" (contra 2,7% em 2007).
No 4.º ano, as negativas são menos 10,9% do que ano passado. Quanto aos alunos com "Muito bom", foram agora 15,4%, único nível em que se registou uma descida face aos 18,5% de 2007. Diz o ME que as melhorias do 1.º ciclo são nos "números e cálculos", enquanto o 2.º ciclo melhorou em "geometria e medida".
No Português, as notas positivas no 6.º ano são mais 8% do que em 2007 e os "Muito bom" passaram de 1,1% para 4,6%. Aumentou também a percentagem de provas classificadas com "Bom" (34,2%), enquanto diminui a de provas com "Satisfaz" (54,6%).
No 4.º ano, a quantidade de positivas manteve-se, enquanto o número de melhores notas desceu 4,4%. É prova, insiste a ministra, de que não há facilitismo. As dificuldades, diz, são visíveis na compreensão de textos informativos e poéticos. Sem ter recebido os resultados, a Associação de Professores de Português preferiu não os comentar.
Para Maria de Lurdes Rodrigues, as melhorias devem-se à implementação do Plano de Acção para a Matemática e do Plano Nacional de Leitura. Mas não só. Realça todo o trabalho feito, que implicou não só formação de professores, como novas orientações para os tempos de trabalho com alunos em leituras e Matemática e o reforço do estudo acompanhado. "Estes resultados provam que é possível melhorar a prestação dos alunos com trabalho continuado e persistente, quando se disponibilizam às escolas meios e recursos".
"A última vez que a ministra alegou as vantagens do Plano de Acção para a Matemática, antes dos exames de 2007, a percentagem de aprovações desceu de 37% para 27%", recorda Nuno Crato. E lembra uma crítica feita logo após a realização das provas de aferição: "O ME não está a fazer provas fiáveis, com critérios que permitam comparar com resultados de anos anteriores. Teriam que ser feitas provas minimamente semelhantes e há técnicas para isso". A única medida fiável de que Portugal dispõe, diz, é o estudo internacional PISA, segundo o qual em 2003 a pontuação dos portugueses era de 466, resultado que subiu para 467 três anos depois.
Fonte: JN
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Provas de Aferição 2008 - resultados: Chumbos a Matemática no 6º ano caem para metade
Quase dois em cada dez alunos teve negativa na prova de aferição de Matemática do 6º ano, um resultado, no entanto, melhor que o registado o ano passado, quando 41 por cento dos estudantes chumbaram no exame.
De acordo com dados divulgados hoje pelo Ministério da Educação (ME), 18,3 por cento dos alunos obteve "Não Satisfaz", dos quais 1,8 por cento obtiveram a nota mais baixa, alcançando o nível E, numa escala até ao nível A.
Em 2007, quatro em cada dez alunos (41 por cento) chumbaram na prova, dos quais 6,6 por cento obtiveram o nível mais baixo.
Este ano, registam-se ainda melhorias nas classificações de "Muito Bom" (A), com 8,9 por cento dos alunos a alcançarem este resultado, enquanto em 2007 apenas 2,7 por cento dos estudantes tiveram esta nota.
Como é habitual, os alunos do 4º ano registaram melhores resultados que os colegas do 6º, com apenas 8,8 por cento dos alunos a obterem nota negativa, dos quais 0,4 por cento com nível E. Em 2007, a percentagem de negativas no 4º ano à disciplina foi de 19,7 por cento.
Mais de 230 mil alunos dos 4º e 6º anos de escolaridade realizaram em meados de Maio as provas de aferição, em 6.883 estabelecimentos de ensino.
Fonte: TSF
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Ministra da Educação muito satisfeita com provas de aferição
Para a ministra da Educação, tanto os professores, como os alunos, os pais e a restante comunidade escolar estão de parabéns pelos resultados obtidos nas provas de aferição deste ano, quer a Matemática, quer a Língua portuguesa.
Maria de Lurdes Rodrigues realça o facto de no 4º ano o número de alunos com desempenho negativo ser «residual». O número de alunos com negativa é «inferior a um por cento», e com «insuficiente há 8,4 por cento de alunos [a matemática] e 9,8 por cento [a português]», salienta a ministra.
A ministra destaca ainda a recuperação feita pelos alunos de seis anos onde a percentagem de negativas caiu para menos de metade a matemática e há melhorias significativas na prova de língua portuguesa.
«São 90 por cento dos alunos com desempenho positivo a português e 82 por cento com desempenho positivo a matemática, o que é uma enorme recuperação», salienta.
Para Maria de Lurdes Rodrigues estes resultados revelam já alguns efeitos da política desenvolvida pelo Governo nos últimos três anos desde a reforma introduzida em 2005.
Sobre o fenómeno de regressão, visível nalguns resultados entre o 4º e 6º ano, a ministra garante que o problema está a ser estudado pelo gabinete de avaliação educacional do ministério e só deverá haver resultados no início do próximo ano.
Fonte: TSF
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quarta-feira, 18 de junho de 2008
Ensino Pré-Escolar: actualização de conhecimentos
A tutela publicou materiais para as áreas de Matemática e de Linguagem Oral e Abordagem à Escrita que visam a concretização das orientações curriculares, bem como a actualização dos conhecimentos dos educadores.Apresentadas como recursos para a acção do educador de infância com o objectivo de proporcionar uma melhor compreensão e operacionalização das Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar, foram apresentadas pela tutela quatro brochuras nos domínios da Matemática e da Linguagem Oral e da Abordagem à Escrita.
Com a publicação há quase uma década das orientações acima referidas, a Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação considera agora ser oportuna a elaboração de documentos que explicitem e orientem a sua concretização, proporcionando uma melhor compreensão das suas concepções, de forma a torná-las mais operacionais, perspectivando uma maior articulação com o 1.º Ciclo do Ensino Básico.
Visando a actualização dos conhecimentos científicos e didácticos dos educadores nos domínios do desenvolvimento da linguagem oral e escrita das crianças em idade pré-escolar são publicadas as brochuras “Linguagem e Comunicação no Jardim de Infância” e “A Descoberta da Escrita”.
Especificamente, estas brochuras “procuram enquadrar e promover práticas intencionais e sistemáticas de estimulação do desenvolvimento da linguagem e enfatizar a necessidade da continuidade de aprendizagens no domínio da língua entre a educação de infância e a sala de aula no 1.º Ciclo da Educação Básica.”
No preâmbulo destas publicações, Inês Sim-Sim salienta: “sem actualização de conhecimentos, a profissão docente corre o risco de práticas rotineiras, ineficazes e desinteressantes, quer para as crianças, quer para os profissionais de educação.”
"A Descoberta da Escrita" pretende “facilitar a compreensão do desenvolvimento das concepções das crianças e o papel do jardim-de-infância no apoio às crianças e às famílias, para que todas tenham as oportunidades que necessitam.” Salienta-se nesta brochura a importância de as crianças que explicitarem um “projecto pessoal de leitor, (PPL), atribuindo diferentes razões funcionais a saber ler,” uma vez que “poderão ter facilitado o processo de aprendizagem, pois na sua grande maioria não apresentam problemas no processo de aprendizagem.”
“Linguagem e Comunicação no Jardim de Infância” apresenta exemplos de tarefas, com ênfase na estimulação da linguagem oral, que poderão lançar pontes para outras áreas, nomeadamente, o raciocínio matemático, o conhecimento do meio (físico e social) e as expressões artísticas.
As outras duas brochuras na área da Matemática foram elaboradas tendo subjacente “a ideia que o desenvolvimento matemático nos primeiros anos é fundamental, dependendo o sucesso das aprendizagens futuras da qualidade das experiências proporcionadas às crianças.” Lurdes Serrazina sublinha “que o papel dos adultos e, em particular, do educador de infância, é crucial no modo como as crianças vão construindo a sua relação com a Matemática”, em várias situações, “quando prestam atenção à matemática presente nas brincadeiras das crianças e as questionam”, “lhes proporcionam acesso a livros e histórias com números e padrões”, ou, entre outros exemplos, “lhes propõem tarefas de natureza investigativa” e “organizam jogos com regras”.
“Adivinha em quem estou a pensar!”, “Brincar com o Noddy”, “Desenhar vistas”, “Construção de alimentos a partir de uma ementa”, “Construir um porta CD” e “Um aquário para o Nemo” são algumas das muitas actividades propostas na brochura “Geometria”, um material que articula teoria e prática.
“Sentido de número e organização de dados” é o título que dá o mote para outra brochura. Nesta publicação explica-se que o sentido de número é “mais abrangente que o conhecimento do número apresentado nas Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar", uma vez que "vai além das actividades aí subentendidas e implica uma outra abordagem que pressupõe a construção de relações entre números.”
Esta brochura apresenta também várias tarefas, que poderão servir de exemplo para o trabalho a realizar com as crianças e de graus de complexidade bastante distintos.
Fonte: Texto Editores
Etiquetas: Manuais escolares, Pré-escolar, Professores
Candidaturas aos programas de formação em Matemática, Língua Portuguesa e Ciências Experimentais
As candidaturas para os programas de formação em Matemática, Língua Portuguesa e Ciências Experimentais, destinados aos professores do 1.º ciclo e aos docentes de Matemática do 2.º ciclo, estão abertas até ao dia 23 de Junho.
Os agrupamentos de escolas interessados em participar podem candidatar-se aos três programas de formação, mas os docentes indicados não podem inscrever-se em mais do que dois programas em simultâneo.
Destinados aos professores de 1.º ciclo e, também, de 2.º ciclo, no caso da Matemática, estes programas nacionais de formação para o ensino do Português, da Matemática e das Ciências Experimentais são desenvolvidos em articulação com os estabelecimentos de ensino superior com responsabilidades na formação inicial de professores.
Esta iniciativa pretende proporcionar aos professores momentos de formação que permitam o aprofundamento do conhecimento científico, didáctico e curricular nestas áreas, a realização de experiências de desenvolvimento curricular nas diferentes áreas, a reflexão sobre as metodologias e estratégias utilizadas, e a criação de dinâmicas de trabalho entre professores, com vista a um investimento continuado no ensino destas áreas.
Através do desenvolvimento destes programas de formação, o Ministério da Educação tem como objectivo a melhoria do ensino e da aprendizagem nestas três áreas fundamentais, com o intuito de contribuir para o aumento dos níveis de sucesso dos alunos.
Fonte: Portal da Educação
Etiquetas: Professores
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Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
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