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quinta-feira, 26 de junho de 2008

Bullying: Comportamentos indirectos como a maldade ou a exclusão mais frequentes entre raparigas - especialista

Os comportamentos indirectos de "bullying", como a maldade ou a exclusão, são mais praticados pelas raparigas, contrariando o estereótipo de que o fenómeno está mais associado ao sexo masculino, defendeu hoje em Coimbra uma especialista.

A especialista em "bullying" Sónia Seixas, que falava hoje em Coimbra, disse também que o combate ao problema passa pelo envolvimento de toda a comunidade escolar, preconizando uma mudança de atitude em relação a este tipo de violência no contexto escolar.
"O ideal é que toda a comunidade se envolva para conhecer o fenómeno. O primeiro passo para fazer alguma coisa é mudar as atitudes da comunidade escolar, nomeadamente de profissionais e de alguns pais, quando desvalorizam ou negam o problema", considerou a docente da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Santarém.
Sónia Seixas, autora de uma tese de doutoramento sobre "bullying", intervinha num seminário acerca deste tema, que decorreu hoje na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, por iniciativa de um grupo de alunos finalistas.
Reportando-se à estratégia de intervenção no fenómeno, a doutorada em Psicologia defendeu a necessidade de "desmistificar crenças e falsas atitudes" relativamente ao "bullying", estabelecer regras de conduta e incentivar a supervisão por parte dos adultos, nomeadamente no recreio, onde se verificam muitos dos casos.
De acordo com Sónia Seixas, deve ser efectuada também uma intervenção directa, diferenciada, com os agressores e as vítimas.
Na sua comunicação, a professora do ensino superior disse ainda existir "um estereótipo de que os comportamentos de "bullying" são mais frequentes no sexo masculino".
"Contudo, os comportamentos indirectos de "bullying", como a maldade ou a exclusão, são mais praticados pelo sexo feminino", ressalvou.
Na investigação que realizou em escolas do III ciclo do distrito de Lisboa, usando um instrumento de nomeação pelos alunos dos colegas agressores e vítimas, Sónia Seixas apurou que 17,9 por cento dos jovens são classificados no primeiro grupo e 17,2 por cento são identificados pelos pares como vítimas.
Outro orador no seminário, o pedopsiquiatra Mário Jorge Loureiro, considerou que as crescentes exigências do trabalho impedem os pais de estar com os filhos o tempo necessário.
"Cada vez se exige mais aos pais em termos de trabalho, o que faz com que exerçam cada vez menos as suas competências parentais", adiantou, em declarações à agência Lusa à margem do evento.
Segundo o médico do Hospital Pediátrico de Coimbra, grande parte das crianças vítimas de "bullying" não se queixam, porque "não têm protecção parental, não sentem confiança".
O seminário, intitulado "Bullying - Da mediatização à discussão", inseriu-se no âmbito do projecto de investigação de um grupo de alunos finalistas da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra denominado "A auto-estima e os comportamentos agressivos nos alunos do I ciclo".
Fonte: Rtp.pt

OCDE publica relatório sobre Portugal

A Organização para a Cooperação e para o Desenvolvimento Económico (OCDE) divulgou o "Economic Survey" de 2008, neste ano centrado no tema da globalização, onde avalia a situação económica de Portugal em várias áreas e faz as respectivas recomendações.
Relativamente à área da educação, o relatório enumera os vários programas levados a cabo pelo Governo, no sentido de reforçar as qualificações dos jovens e dos adultos, colmatando as necessidades do mercado de trabalho.

O relatório salienta como especialmente positivas as apostas na educação profissionalmente qualificante e na valorização e qualificação da carreira docente.

O documento refere a importância da iniciativa Novas Oportunidades, nomeadamente no que respeita ao desenvolvimento da rede de centros, à diversificação da oferta de cursos (especialmente de cursos de dupla certificação) para jovens estudantes, e ao reconhecimento, à validação e à certificação de competências de adultos.

Os resultados obtidos através desta iniciativa são valorizados, designadamente o aumento da procura de cursos profissionalizantes por parte dos alunos do ensino secundário, assim como a expansão da rede de Centros Novas Oportunidades e o aumento do número de adultos abrangidos por esta iniciativa.

O melhoramento e a modernização dos curricula e a diversificação da oferta dos cursos vocacionais e técnicos no secundário revela-se uma aposta frutífera a curto prazo, uma vez que facilita a efectiva entrada dos jovens no mercado de trabalho.

Em outras áreas da educação, o relatório refere as boas práticas levadas a cabo para a valorização e a qualificação da carreira docente, como a prova de acesso à carreira docente e a aposta na formação dos professores.

A OCDE recomenda que Portugal prossiga a concretização de políticas que visem o aumento dos níveis de qualificação dos portugueses, apostando na monitorização dos programas e na avaliação rigorosa dos resultados obtidos.

De forma geral, o relatório aponta para um progresso significativo na consolidação fiscal de Portugal e refere a importância das reformas estruturais efectuadas no âmbito da modernização da economia com vista ao melhoramento do crescimento.

A OCDE é um fórum único onde os governantes de 30 democracias convergem esforços para responder aos actuais desafios económicos, sociais e ambientais da globalização. Esta organização proporciona aos vários governos a possibilidade de comparar políticas e experiências e encontrar respostas para problemas semelhantes, identificando as melhores práticas.

O "Economic Survey", publicado de dois em dois anos e sempre com um tema diferente, pretende identificar os maiores desafios económicos que cada país-membro enfrenta e analisar as respostas políticas encontradas.
Fonte: Portal da Educação

Calendário escolar para o ano lectivo 2008/2009

O calendário escolar para o próximo ano lectivo determina que as aulas para os estabelecimentos de ensino pré-escolar, básico e secundário tenham início entre os dias 10 e 15 de Setembro de 2008.
Para os alunos dos 9.º, 11.º e 12.º anos, as aulas terminam a partir de 9 de Junho de 2009, enquanto para os restantes anos de escolaridade o ano lectivo acaba a partir de 19 de Junho de 2009.
No período em que decorrem os exames nacionais, as escolas devem adoptar as medidas necessárias para que os alunos dos anos de escolaridade não sujeitos a exame tenham o máximo de dias efectivos de actividades escolares, de modo a garantir o cumprimento integral dos programas das diferentes disciplinas e áreas curriculares.
Para as interrupções lectivas estão previstas as seguintes datas: de 19 de Dezembro de 2008 a 4 de Janeiro de 2009, de 23 a 25 de Fevereiro de 2009, e de 28 de Março a 13 de Abril de 2009.
As actividades educativas nos estabelecimentos do ensino pré-escolar têm início entre os dias 10 e 15 de Setembro de 2008 e terminam entre 6 e 10 de Julho de 2009.
As interrupções estão previstas por um período de cinco dias úteis, seguidos ou interpolados, entre os dias 22 de Dezembro de 2008 e 2 de Janeiro de 2009, e entre 6 e 13 de Abril de 2009.
Haverá, também, um período de interrupção das actividades educativas entre os dias 23 e 25 de Fevereiro de 2009.
Nos estabelecimentos particulares do ensino especial dependentes de cooperativas e associações de pais que tenham acordo com o Ministério da Educação, as actividades lectivas principiam no dia 3 de Setembro de 2008 e terminam no dia 19 de Junho de 2009.
Nestes estabelecimentos, as interrupções das actividades ocorrem entre os dias 22 e 26 de Dezembro de 2008, 23 e 25 de Fevereiro de 2009, e 10 e 13 de Abril de 2009.
Dia do diploma
No dia 12 de Setembro, as escolas e os agrupamentos que leccionem o ensino secundário deverão promover, envolvendo a respectiva comunidade educativa, uma acção formal de entrega dos certificados e dos diplomas aos alunos que, no ano lectivo anterior, tenham terminado o ensino secundário.
Para mais informações, consultar o despacho que aguarda publicação no Diário da República.

Ensinos Básico e Secundário
Períodos
Início
Termo
1.º
Entre 10 e 15 de Setembro
18 de Dezembro
2.º
5 de Janeiro
27 de Março
3.º
14 de Abril
9 de Junho para os 9.º, 11.º e 12.º anos e 19 de Junho para os restantes anos de escolaridade

Quadro n.º 2
Interrupções
Datas
1.º
De 19 de Dezembro a 4 de Janeiro, inclusive
2.º
De 23 a 25 de Fevereiro, inclusive
3.º
De 28 de Março a 13 de Abril, inclusive

Fonte: Portal da Educação

Regime da prova pública e do concurso de acesso à categoria de professor titular

A aprovação em prova pública, destinada a avaliar a actividade profissional desenvolvida pelo docente, é condição de admissão ao concurso de acesso à categoria de professor titular, de acordo com as regras definidas no decreto-lei publicado no Diário da República.
De acordo com este diploma, a admissão a concurso para acesso a professor titular depende de prévia aprovação do candidato em prova pública que incide sobre a actividade profissional desenvolvida pelo docente, com o objectivo de demonstrar a aptidão do candidato para o exercício específico das funções inerentes à categoria.
Podem requerer a realização da prova pública os docentes dos quadros do Ministério da Educação que preencham os demais requisitos e tenham completado 15 anos de serviço docente com avaliação de desempenho igual ou superior a Bom, através de requerimento escrito dirigido ao director regional de educação competente.
A prova pública realiza-se com uma apresentação do trabalho pelo candidato e respectiva discussão, versando sobre a experiência do quotidiano escolar vivenciada no exercício efectivo de funções docentes, designadamente na área disciplinar do candidato.
A apresentação deste trabalho tem de incidir sobre dois dos seguintes domínios:
Preparação e organização das actividades lectivas, relação pedagógica com os alunos e avaliação das respectivas aprendizagens;
Projectos inovadores desenvolvidos ou a desenvolver que contribuam para a melhoria dos resultados escolares dos alunos;
Área de gestão e organização escolar.
Com a duração máxima de 120 minutos, a prova é apreciada com a menção de Aprovado ─ com os graus de Excelente, Muito Bom ou Bom − ou de Não Aprovado. A menção de Aprovado é acompanhada por uma classificação expressa numa escala quantitativa entre 14 e 20 valores.
Os docentes que tenham obtido aprovação na prova pública podem candidatar-se ao concurso de acesso à categoria de professor titular, aberto para o quadro de agrupamento ou de escola não agrupada, na modalidade de concurso interno.
O número de lugares a prover é fixado anualmente por despacho do membro do Governo responsável pela área da educação, tendo em conta o número de professores em exercício efectivo de funções nas escolas, bem como a ponderação dos resultados obtidos pelos estabelecimentos de ensino na avaliação externa.
O método de selecção utilizado no concurso de acesso à categoria de professor titular é a análise curricular, que incide sobre toda a actividade desenvolvida pelo docente, individualmente ou em grupo, sendo obrigatoriamente considerados os seguintes factores:
O resultado da prova pública;
Os graus académicos e a formação especializada obtida;
A experiência profissional;
A avaliação de desempenho.
O concurso é aberto em cada agrupamento ou escola, através de aviso afixado no estabelecimento de ensino, divulgado na página electrónica da escola e da direcção regional da educação, e publicado no Diário da República.
Fonte: Portal da Educação

PSP apreendeu num mês mais de 21 mil doses de droga nas imediações das escolas

A PSP apreendeu 21.136 doses de droga, mais 19.776 que no ano passado, nas imediações de estabelecimentos de ensino de todo o país entre 26 de Maio e 20 de Junho, no âmbito da operação "Final do Ano Lectivo", da Escola Segura.A diferença na quantidade de estupefacientes apreendidos é um "facto circunstancial", de acordo com fonte da PSP, explicando que eventualmente se trata apenas de mais droga apreendida num local. Além da droga apreendida, a PSP fez 504 detenções e detectou 6481 infracções. No mesmo período do ano passado, tinham sido detidas 497 pessoas, menos sete que este ano. Em comunicado, a PSP explicou que a operação "Escola Segura - Final do Ano Lectivo 2007/2008" decorreu em toda a área da sua responsabilidade e teve como principal objectivo o "reforço do sentimento de segurança" na comunidade escolar. "Mais de 90 por cento das ocorrências registadas nesta operação não envolvem elementos da actividade escolar", de acordo com fonte da PSP, que explicou que algumas das escolas vigiadas se inserem em áreas problemáticas. Durante a operação foram detidas 1134 pessoas por mandado de detenção, 134 por falta de carta de condução, 120 por condução com álcool e 15 por tráfico de estupefacientes, entre outros casos, num total de 504. Foram apreendidas 14.450 doses de haxixe, 5976 de heroína e 710 de cocaína, num total de 21.136 doses. No âmbito da fiscalização rodoviária nas imediações dos estabelecimentos escolares, foram detectadas 6481 infracções, 609 das quais por utilização de telemóvel durante a condução, 363 por falta de sinto de segurança e 313 por falta de inspecção do veiculo, entre outros. Na fiscalização a estabelecimentos comerciais, foram detectados dois menores em salas de jogo, um caso de venda de tabaco a um menor e outro caso de venda de bebidas alcoólicas também a um menor. Durante o período em decorreu a operação, a PSP realizou diversas acções de sensibilização, formação e demonstrações nas escolas, nas quais participaram 61.326 alunos, 3054 pais/encarregados de educação, 3855 professores e 991 polícias.
Fonte: Público

Governo celebra acordos para obras em ou construção de 33 centros escolares no Centro

Os ministros da Educação e do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional celebram hoje em Ansião acordos para a construção ou remodelação de 33 centros escolares na região centro.A cerimónia, agendada para as 17h00, representa um investimento global de 65 milhões de euros, que tem uma comparticipação de 33 milhões do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (Feder).De acordo com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), estes apoios visam requalificar ou construir de raiz “edifícios escolares dotados de elevada qualidade arquitectónica e funcional que possibilitem um eficaz reordenamento da rede educativa e contribuam para a melhoria da qualidade das aprendizagens dos alunos”.Além disso, estes apoios procuram acabar com “todos os regimes de funcionamento duplos” que ainda permaneçam, e inserem-se no esforço de suspender progressivamente os estabelecimentos do primeiro ciclo de “reduzidas dimensões, designadamente as escolas com menos de 20 alunos”.Segundo a CCDRC, este pacote de apoios é apenas um dos vários conjuntos de verbas para a remodelação da rede de equipamentos escolares, estando já em curso um quarto concurso para a região centro.
Fonte: Público

França: Professor multado em 800 euros por ter batido em aluno, que o insultou

A justiça francesa condenou a uma multa de 800 euros um profesor que deu uma bofetada a um aluno de 11 anos durante uma aula, após este o ter insultado.
José Laboureur, de 49 anos, é profesor de Tecnologia na escola Cilles-de-Chin na localidade de Berlaimont, no Norte de França.
Compareceu em tribunal acusado de violência agravada e enfrentava uma pena de máxima de cinco anos de prisão e 75 mil euros de multa.
O profesor esbofeteou, à frente de toda a turma, o aluno após uma discusão, durante a qual este chamou ao professor "parvalhão".
Para o tribunal, "não se trata apenas de uma bofetada mas de uma cena de violência, onde está implícita a vontade de humilhar por parte do profesor".
O aluno foi suspenso das aulas por três dias, logo após o incidente com o professor, tendo, entretanto, sido transferido para uma outra escola.
Fonte: Lusa

Governo promete mais técnicos para escolas problemáticas

O Ministério da Educação vai reforçar as equipas multidisciplinares a actuarem nas escolas sinalizadas como problemáticas, nomeadamente com índices elevados de indisciplina e violência", anunciou ontem Maria de Lurdes Rodrigues, numa audiência sobre o tema da violência na Comissão de Educação, na Assembleia da República.Referindo-se aos Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP), que contam com apoios especiais do Governo, a ministra disse que estes já abrangem "cerca de 36 escolas e 50 mil alunos", tendo este ano lectivo beneficiado de um reforço de 257técnicos para as suas equipas multidisciplinares, incluindo psicólogos e assistentes sociais. E prometeu reforçar a aposta: "O nosso objectivo é alargar os TEIP a outras zonas do território, que podem não ter condições suburbanas mas ser zonas subrurais ou de imigração sazonal" referiu.O reforço da videovigilância, que terá ainda de passar por uma análise da COmissão Nacional de Protecção de Dados, é outra aposta do Governo.Na audição, a ministra foi acusada pelos partidos da direita de tratar a questão da indisciplina como tema "tabu", não reconhecendo a sua dimensão. Já à esquerda, ouviu críticas associando o fenómeno à instabilidadade da colocação do pessoal auxiliar e à falta de disponibilidade dos docentes, devido a uma sobrecarga de tarefas administrativas.
Fonte: DN

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Brasil: Haddad defende integração entre ensino médio e profissionalização

O ministro da Educação, Fernando Haddad, comentou sobre uma pesquisa realizada pela organização Ação Educativa, que apontou que os estudantes gostariam que o ensino médio preparasse para o mercado de trabalho.
Haddad disse ser um "defensor de uma integração cada vez maior do ensino médio com a educação profissional" e que o ministério tem apoiado a reestruturação dessa etapa do ensino.
- O MEC está apoiando a reestruturação do ensino médio estadual com vistas à profissionalização da juventude, que anseia por uma colocação no mercado de trabalho mais adequada - disse o ministro, que participou hoje (24) de um evento sobre responsabilidade social das empresas e direitos humanos, em São Paulo.
De acordo com o ministro, atualmente o ensino médio é muito voltado para as universidades.
- Trinta ou quarenta por cento dos jovens vão ascender para o nível superior e, aqueles que não chegarem a uma universidade, não podem ficar preteridos.
Fonte: JB online

Violência escolar: Portugal e Espanha no niveis de bullying semelhante - estudo

Portugal e Espanha têm níveis de bullying similares segundo um estudo hoje apresentado que destaca, contudo, que nas escolas estudadas em Sevilha os alunos praticam mais insultos sobre a raça ou a cor do que em Lisboa.

O estudo comparativo entre Portugal e Espanha, hoje divulgado na 4ª Conferência Mundial sobre Violência Escolar e Políticas Públicas, a decorrer na Fundação Gulbenkian, foi realizado a partir de um questionário a 1.233 crianças entre os 7 e os 13 anos de oito escolas de Lisboa e de Sevilha.
Do total de crianças inquiridas, 17,7 por cento diziam que eram agredidas com frequência e 42,1 por cento foram vítimas de pelos menos um ou dois comportamentos agressivos.
Segundo os seus autores, Juan Angulo (Universidade de Sevilha), Carlos Neto e A. Marques (Universidade Técnica de Lisboa) e Ortega (Universidade de Córdoba), o objectivo do trabalho era determinar a situação actual de episódios de bullying em escolas dos dois países da Península Ibérica.
O bullying, termo inglês que não tem uma tradução directa para o português, pode ser definido como forma de intimidação ou humilhação quer física quer psicológica praticada por um indivíduo ou grupo de indivíduos com o objectivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz/es de se defender.
Segundo os investigadores, não existem diferenças significativas entre as escolas portuguesas e as espanholas analisadas.
Existe, portanto, violência escolar nos dois países mas os comportamentos dos alunos manifestam ligeiras diferenças.
Em Sevilha, são mais frequentes os insultos sobre a raça ou a cor do que em Lisboa e por outro lado, no que respeita às raparigas, as alunas espanholas revelam maiores níveis de agressão física do que as portuguesas.
O estudo revelou ainda que as crianças são vítimas de bullying nos recreios, nos corredores e nas salas de aula e confirmou a necessidade de um trabalho de prevenção nestes espaços assim como novas estratégias educativas.
Fonte: RTP.pt

Bullying envolve 65% dos alunos

Quase dois terços dos alunos (64,7%) do 3º ciclo da Grande Lisboa estão envolvidos em fenómenos de bullying, de acordo com um estudo divulgado ontem na 4ª Conferência Internacional sobre Violência Escolar e Políticas Públicas, a decorrer até amanhã em Lisboa.
A investigação conduzida pela psicóloga Sónia Seixas, da Escola Superior de Educação João de Deus, envolveu 680 alunos dos 7º, 8º e 9º anos de 11 escolas de Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e Sintra. Dos inquiridos, apenas 35,3 por cento disseram não estar envolvidos em bullying, enquanto 30,1% dizem ser vítimas, 11,6% se assumem como agressores e 23% apresentam um padrão misto. O estudo conclui que as vítimas têm níveis mais baixos de auto-estima, sentem-se rejeitados e têm pouca confiança em si, enquanto entre os agressores se passa exactamente o oposto.
'É preciso sensibilizar a escola para este fenómeno, que causa grande sofrimento. Em última análise, as vítimas pensam no suicídio', alertou Sónia Seixas.
Na sessão de abertura da conferência, que trouxe a Lisboa especialistas de 51 países, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, considerou que a violência escolar é um fenómeno residual, frisando que '90 por cento dos casos ocorre em cinco por cento das escolas'. A governante sublinhou ainda que não se pode confundir 'violência com indisciplina'.OpsiquiatraDaniel Sampaio refutou a ideia da ministra: 'Quando se diz que indisciplina nada tem a ver com violência não estamos no bom caminho. A indisciplina cria condições favoráveis ao aparecimento de violência.'
Já o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, que nos últimos meses denunciou a violência escolar, reafirmou que o fenómeno não pode ser ignorado, mas considerou que 'a situação é hoje melhor do que há um ano', destacando o aumento do número de denúncias.
QUAIS OS SINAIS DE ALARME
A investigadora Sónia Seixas aponta diversos sinais a que os pais, professores e funcionários das escolas devem estar atentos para detectar casos de bullying. No caso das vítimas, os livros, o material escolar e outros bens aparecem muitas vezes estragados ou desaparecem. Ferimentos, cortes, arranhões ou danos na roupa podem também ser sinais de bullying. Muitas vezes são alunos isolados nos intervalos, que podem procurar mais a proximidade com o professor ou com outros adultos. Receosos de ir à escola, têm queixas frequentes de dores de barriga ou de cabeça e manifestam pouco interesse pela escola.
Os agressores revelam muitas vezes raiva descontrolada, são impulsivos e zangam-se facilmente; Retiram satisfação do medo que provocam às vítimas, gostam de provocar os pais e os professores e envolvem-se precocemente em comportamentos anti-sociais.
NOTAS
O QUE É O BULLYING
Conceito que descreve actos de violência física ou psicológica de carácter sistemático que causam sofrimento físico ou emocional.
REALIDADE ESCONDIDA
Bullying não-físico passa despercebido e as queixas são poucas
Fonte: CM

25% faltam a exames nacionais

Cerca de 25 por cento dos exames nacionais do ensino secundário, que terminaram esta segunda-feira, não chegaram a realizar-se devido às ausências dos alunos inscritos.
De acordo com dados do Ministério da Educação (ME), no total de 31 provas realizadas na primeira fase, registaram-se 244.074 presenças, o que corresponde a menos 77.467 (24 por cento) do que as previstas.
As provas onde a ausência dos alunos inscritos foi mais notória foram nos exames de Física e Química A, a recordista de ausências, Biologia e Sociologia.
Comparativamente a 2007, nenhum exame foi realizado com o total de presenças, tal como foi verificado no ano passado a Francês.
Estavam inscritos para os exames do secundário 157.718 alunos (menos 11.849 do que em 2007), dos quais 96.953 são candidatos ao Ensino Superior.
Para a realização dos exames nacionais este ano houve uma única chamada em duas fases, sendo que a primeira decorreu de 17 a 23 de Junho, enquanto que a segunda está prevista entre 14 e 18 de Julho. As classificações serão anunciadas a 07 e a 30 de Julho.
Fonte: CM

Revolução digital na educação australiana

O Governo Australiano atribuiu 1,2 mil milhões de dólares australianos ao programa Digital Education Revolution, que se destina a atribuir a todos os estudantes entre os nove e os doze anos um computador na escola. Após cumprir este compromisso, a Ministra da Educação Julia Gillard anunciou recentemente a atribuição de fundos para a formação dos professores, de modo a poderem utilizar os novos computadores. Para justificar o investimento o Ministério da Educação apresentou um inquérito realizado no início do ano a 5.209 professores do ensino primário e 5.394 professores do ensino secundário. Os resultados do inquérito indicam que 66 por cento dos professores do primário e 70 por cento dos professores do secundário acham que os alunos necessitam de fazer um uso mais efectivo dos computadores durante o processo de aprendizagem. Estas medidas foram bem recebidas por Phil Callil, porta-voz da Associação dos Professores de Tecnologias da Informação do Estado Australiano de Victoria. Na sua opinião, é entendimento geral entre os professores que o processo pedagógico, por trás da aprendizagem com computadores nas escolas, não mudou nada ao longo dos últimos dez anos. «Os professores necessitam de tempo para aprenderem a tirar vantagens das oportunidades que as Tecnologias da Informação e Comunicação criam, a desenvolver recursos de forma dinâmica e actual que envolvam os estudantes no processo de aprendizagem».
Fonte: IGOV

terça-feira, 24 de junho de 2008

Exames nacionais: APM considera provas de matemática abrangentes e justas

A Associação Portuguesa de Matemática (APM) considerou as provas de matemática do 12º ano realizadas hoje, (matemática A, B e aplicada às ciências sociais) abrangentes em relação aos programas da disciplina.Contrariando a opinião já veiculada por alunos e pela Sociedade Portuguesa de Matemática, que consideraram as provas demasiado fáceis e pouco justas para os alunos que se esforçaram mais, a APM considera os exames “suficientemente abrangentes em relação aos temas dos respectivos programas”, disse em comunicado.Sobre o tempo para a realização da prova, de três horas, considerado excessivo pela SPM, a APM discorda mais uma vez: “O tempo disponível para a resolução das provas foi adequado, permitindo aos alunos uma leitura atenta e, se fosse caso disso, permitindo ainda uma reformulação de estratégia ou de alteração de resolução de alguma questão.”Para a APM as provas eram facilmente realizáveis sem serem facilitistas: “É nossa convicção que qualquer uma das provas poderá ser resolvida pela generalidade dos alunos”. E volta a discordar das críticas da SPM sobre o facto de não favorecerem a excelência: “Em condições normais, os alunos com desempenhos médios terão resultados consentâneos com esses desempenhos, o que é desejável no contexto de uma avaliação sumativa externa. Os alunos que tenham realizado um bom trabalho ao longo do ciclo de aprendizagem das disciplinas, não terão dificuldades em obter um bom resultado na respectiva prova".
Fonte: Público

Exames nacionais - CDS-PP acusa ministra da Educação de só estar preocupada com estatísticas

O líder do CDS-PP acusou hoje a ministra da Educação de estar mais preocupada com as estatísticas do que com o conhecimento dos alunos, criticando o "facilitismo" que diz estar patente nos exames nacionais."Quando nas provas de aferição há respostas erradas que são classificadas como certas e se diminui ao mínimo o nível de exigência nos exames nacionais, o Ministério da Educação está à procura de criar estatísticas felizes, que nada têm a ver com a preparação dos jovens. O facilitismo não é o caminho da cultura e do conhecimento", acusou Paulo Portas. Em conferência de imprensa, o presidente do partido considerou que a política do Governo relativamente a estas provas "não prepara para a vida, nomeadamente para um mercado de trabalho difícil e exigente", além de não incentivar o estudo por parte dos alunos, nem recompensar o esforço dos professores. "Apelamos à sociedade portuguesa para que reflicta sobre as consequências desta política que promove um ensino sem exigência", afirmou. O líder do CDS-PP, o único partido que advoga a existência de exames nacionais nos 4º, 6º e 9º anos, voltou hoje a defender a elaboração das provas por parte de uma "entidade independente" e a criação de um "banco com milhares de perguntas validadas por sociedades científicas", o que diz ser a única forma de evitar as polémicas que surgem anualmente em torno dos exames. Os exames nacionais realizados este ano foram considerados excessivamente fáceis por parte da Sociedade Portuguesa de Matemática e da Sociedade Portuguesa de Química.
Fonte: Público

Balanço do ano lectivo: Férias na Educação sem tréguas à vista

Reformas polémicas. Contestação sem precedentes. O ano lectivo 2007/2008 termina marcado pelo conflito entre professores e Ministério da Educação.
A "Marcha da Indignação" marcou o calendário lectivo. No dia 8 de Março de 2008 cerca de 100 mil professores e educadores de todo o país rumaram a Lisboa numa manifestação contra a actuação do Ministério da Educação, personificada em Maria de Lurdes Rodrigues. Numa classe profissional constituída por 143 mil docentes, as organizações sindicais congratularam-se pela presença em peso de quase 70% dos seus representantes. Uma demonstração de força sindical perante a intransigência ministerial.Porque se indignam os professores? Foram vários os pontos que neste ano lectivo originaram um agravar do mal-estar que se tem vindo a sentir na classe: o modelo de avaliação do desempenho docente, o regime de autonomia e gestão escolar, as reformas no ensino Especial e no Artístico e a indisciplina e violência nas escolas, trazida à discussão pública pelo mediatizado caso "Carolina Micha¿lis". Apesar de a contestação dos professores ter marcado este ano lectivo, Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), faz um balanço positivo da actuação da classe nesta matéria. "A luta não pôs em causa as aulas, nem prejudicou os interesses dos alunos e isso foi um sinal de maturidade democrática da sociedade portuguesa", refere. Avaliação: o consenso possívelNo balanço sobre a forma como decorreu o ano lectivo, Álvaro Almeida dos Santos, presidente do Conselho das Escolas, um órgão consultivo do Ministério da Educação, faz uma síntese em torno da questão da avaliação do desempenho docente. A mais polémica de todas."Houve uma solução consensual, mas a discussão esgotou-se na espuma dos problemas e foi pouco objectivada", lamenta Álvaro Almeida dos Santos, deixando claro que "o grande desafio" no próximo ano lectivo será o de saber "como transformar a avaliação num instrumento de melhoria da qualidade do ensino nas escolas e de como a integrar numa organização escolar colectiva enquanto estratégia para melhorar o desempenho de todos".A ideia já foi várias vezes repetida. Mas vale a pena insistir. "Os professores não estão contra a avaliação, estão contra este modelo que o Ministério da Educação impôs", sublinha Manuela Mendonça, dirigente sindical da Federação Nacional dos Professores (FENPROF). A posição crítica daquela plataforma sindical resume-se assim: "o modelo é orientado para o controlo administrativo da profissão e para criar restrições à progressão na carreira". Igualmente grave é a realização da avaliação estar prevista "em momentos do ano escolar (início e fim do ano lectivo) em que vai obrigar os professores a enredarem-se em múltiplas exigências burocráticas no âmbito do processo, deixando de poder concentrar-se no essencial, que é o trabalho com e para os alunos", acusa Manuela Mendonça. Por tudo isto, a Fenprof vai construir um "modelo alternativo" ao proposto pelo Ministério da Educação, que espera vir a ser discutido no decorrer do próximo ano lectivo.Regime de Autonomia e Gestão EscolarApresentado como uma forma de garantir a participação da comunidade na definição das políticas da escola, o novo regime de Autonomia e Gestão Escolar mereceu de imediato a contestação dos professores. Quer ao facto de o diploma prever a figura do "director da escola" em detrimento dos actuais conselhos executivos. Mas sobretudo porque, numa primeira versão, depois alterada, o diploma não permitia aos professores presidirem ao Conselho Geral, um órgão de direcção das escolas responsável pela eleição ou destituição do "director da escola" e onde vão estar representados: professores, pessoal não docente, alunos, encarregados de educação, autarquias e comunidades locais. Álvaro Almeida dos Santos viu esta alteração como "um aspecto muito positivo", revelador da "confiança" na capacidade dos professores para a direcção e gestão das escolas. Isto numa altura em que já se admitia a possibilidade de uma gestão de tipo empresarial dos estabelecimentos de ensino. "Os professores vão continuar a poder presidir à escola", insiste o presidente do Conselho das Escolas. Ele que é também presidente do conselho executivo de uma escola. Por isso fala com conhecimento de causa: "Há colegas que fizeram mestrados e formação em organização administrativa de escolas e que têm de ser aproveitados [neste novo regime de gestão escolar]."Reformas polémicas: ensino artístico...A 15 de Fevereiro, uma "manifestação concerto" reúne cerca de 400 pessoas, entre professores e alunos de Música dos conservatórios de Lisboa, Aveiro e Coimbra e outras figuras da cena musical. Tocam juntos em frente à Assembleia da República. A ideia é não permitir que a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, faça ouvidos surdos aos protestos contra a reforma do ensino artístico especializado. Se entrar em vigor este ano lectivo, tal como estava previsto, a reforma vai alterar o funcionamento das escolas de música especializadas transformando-as em estabelecimentos de ensino integrado onde se vão leccionar não só as disciplinas musicais mas também as de carácter geral. Com esta alteração acaba o regime supletivo, que até agora tem permitido aos alunos frequentarem duas escolas diferentes consoante as disciplinas: as musicais no Conservatório e as de carácter geral numa escola do ensino regular. Os manifestantes acusam a ministra de querer acabar com a profissionalização de músicos em Portugal. Em resposta, o Ministério da Educação garante que serão assegurados os mecanismos de transição bem como os percursos educativos dos alunos implicados na mudança. A medida é descrita como visando a democratização do ensino da música através de uma reorganização da sua oferta nas escolas dos ensinos Básico e Secundário. ... e no ensino especialA mesma indignação contra o Ministério da Educação reúne pais e professores de alunos com necessidades educativas especiais, bem como representantes de algumas associações de pessoas com deficiências. O alvo do protesto: a reforma do ensino especial que entrava em vigor em Janeiro de 2008. De acordo com o Ministério da Educação, a reforma pretende fomentar a integração das crianças com certas deficiências no ensino regular, sendo que aí deveriam receber o apoio educativo especial. Logo após a entrada em vigor do diploma, a tutela foi acusada de estar a rejeitar o encaminhamento de alunos com vários tipos de incapacidades para escolas do ensino especial, acabando com o financiamento integral à sua permanência em colégios especializados.O decreto-lei contempla uma redefinição do perfil do aluno a ser objecto de encaminhamento para o apoio especializado que vários investigadores na área da Educação Especial consideram "ambígua". Face ao escrito no documento ,seriam encaminhados para o ensino especial apenas os "alunos com limitações significativas ao nível da actividade e da participação num ou vários domínios da vida decorrentes de alterações funcionais e estruturais, de carácter permanente".Perante as acusações vindas a público de que mais uma vez o Ministério da Educação estaria a colocar a vertente economicista acima dos interesses dos alunos, Maria de Lurdes Rodrigues menciona apenas que a implementação do novo "modelo de integração" está a ser acompanhada por "peritos". Indisciplina e violência nas escolasO caso resume-se num parágrafo, mas já fez correr muita tinta e há quem o veja como uma "mancha" neste ano lectivo que agora termina. Uma aluna da Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, agredia uma professora por esta lhe ter retirado o telemóvel durante uma aula, enquanto um colega filmava a agressão e a restante turma assistia. O vídeo correu a Internet e as televisões. A professora apresentou queixa, apenas uma semana após o incidente. A escola abriu um processo de averiguação. A aluna que protagonizou a agressão e o colega que a filmou foram transferidos de escola. Um outro que terá dificultado a ajuda dos colegas à professora foi suspenso. Sem entrar em discussões sobre as causas e as consequências do caso, Albino Almeida, presidente da CONFAP, salienta a "oportunidade de discussão" originada em torno da questão da violência nas escolas. Um problema que considera ser "antigo" mas que finalmente deixou de ser apenas uma "preocupação" e passou a ser objecto de "intervenção". Prova disso, refere, a vontade do Governo em alargar o programa dos Territórios Educativos de Intervenção Prioritária. De resto, aguardam-se mais desenvolvimentos sobre esta matéria.Manuela Mendonça, da FENPROF, também espera que o Ministério da Educação tome "medidas necessárias e urgentes que garantam aos docentes a imprescindível segurança e estabilidade no exercício da sua profissão". A dirigente sindical recorda que ao agravamento das situações de indisciplina e violência nas escolas "não é alheia a forma como o próprio Ministério da Educação tem desautorizado publicamente os professores". Álvaro Almeida dos Santos faz uma leitura diferente do caso, dizendo que este foi objecto de uma "amplificação" sem precedentes. Para o presidente do Conselho das Escolas, os estabelecimentos de ensino "continuam a ser maioritariamente espaços seguros" e os professores da escola pública são "profissionais que merecem o reconhecimento da sociedade pelo trabalho que desenvolvem". Aguardam-se novos desenvolvimentos de todas estas questões. Até porque as escolas estão a encerrar para férias e não são de esperar "soluções milagrosas" antes de Setembro. Tudo vai continuar em aberto e a marcar a agenda reivindicativa do próximo ano lectivo.
Fonte: educare.pt

“Violência escolar tende a aumentar no Mundo”

Carlos Neto, co-organizador da Conferência de Violência Escolar
Correio da Manhã – O Governo diz que a violência escolar está a diminuir. Há dados científicos que o confirmam?
Carlos Neto – Não temos ainda dados para poder responder. Sabemos sim que este é um problema disseminado por todo o Mundo e que tende a aumentar. A curto prazo haverá estatísticas nacionais.
– Um estudo de Margarida Matos aponta uma redução...
–É um estudo importante, mas relativo aos adolescentes e a violência nas escolas tem de ser vista antes disso, no Pré-escolar e principalmente no 1.º Ciclo, porque é aí que os exemplos de bullying e agressividade física acontecem com mais frequência.
– Muita gente desconhece o que é o bullying...
– Não é um fenómeno novo mas agora estamos mais atentos a ele. É um comportamento sistemático de violência física e psicológica entre pares. Há crianças que são vítimas persistentes, que sofrem esta forma de violência ao longo de dias, meses, anos de forma silenciosa. Há que ter muita atenção a essas crianças.
– Trouxe para Portugal a 4.ª Conferência Mundial sobre Violência na Escola, que decorre até amanhã em Lisboa. Qual o objectivo do evento?
– Este congresso é uma oportunidade única, estão cá os maiores especialistas. Este fenómeno é preocupante e devemos, com base em critérios científicos, procurar soluções, estratégias, modelos de intervenção no meio escolar e na comunidade para resolver o problema de forma progressiva.
– O poder político está sensibilizado para o fenómeno?
– A ministra [da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues] fez aqui na conferência uma intervenção muito acertada, porque definiu o problema e também definiu um rumo. Mas precisamos de uma classe política mais consciente de que este fenómeno tem de ser atacado com urgência.
Fonte: CM

SPM - Exame de matemática A mais fácil do que o do ano passado

Para a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), o Exame Nacional de matemática A, aquele a que mais alunos concorrem, foi mais fácil do que o do ano passado, mas elogia o esforço feito para contemplar na prova os conteúdos programáticos essenciais.“É de salientar o esforço desenvolvido pelo G.A.V.E. em contemplar neste exame, num maior número de questões, temas importantes do programa do décimo segundo ano, tais como a continuidade, o cálculo diferencial e o estudo de limites. São tópicos em que professores e alunos investem bastante ao longo do ano lectivo e que não têm sido suficientemente avaliados, facto para o qual já tínhamos chamado a atenção”, refere a SPM.Os especialistas frisam ainda o esforço feito no sentido de melhorar a clareza de linguagem nas questões colocadas em relação a anos anteriores: “A linguagem é adequada e clara, o que denota um progresso relativamente às questões demasiado palavrosas e de interpretação dúbia, habituais em anos transactos”, frisam. Mas criticam a “excessiva” duração da prova, de três horas.No entanto a maior crítica da SPM vai para a falta de ambição do GAVE, o Gabinete de Avaliação Educacional do Ministério da Educação, de onde saem os enunciados das provas, que, segundo a sociedade, não desenvolve a excelência entre os alunos: “O padrão utilizado pelo G.A.V.E. para avaliar o desempenho dos alunos não permite distinguir aqueles que efectivamente trabalham dos que pouco trabalham, e não ajuda os professores a incentivarem os alunos a aprofundar os seus conhecimentos.”
Fonte: Público

Especialistas discutem desafios do ensino da Língua do pré-escolar ao básico

Cerca de 150 docentes e investigadores discutem na próxima semana em Coimbra os desafios que se colocam ao ensino da língua portuguesa desde o pré-escolar ao básico, nomeadamente com a introdução do Acordo Ortográfico.
O encontro visa reflectir as práticas de ensino e de leitura, e em particular o modo como a escola ensina a ler, a escrever e a contactar com o texto literário.O 1º Encontro Internacional do Ensino da Língua Portuguesa decorre nos dias 30 de Junho e 1 de Julho e reúne professores do ensino básico e superior, entre os quais dois docentes da Universidade.«Estamos a viver um momento de refrescamento em todo o ensino da língua materna, em que há uma atenção particularizada à aprendizagem precoce», disse Pedro Balaus Custódio, da comissão científica do encontro, cujo programa foi hoje divulgado.Na opinião daquele docente da Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC), a remodelação, em curso, dos programas curriculares do ensino básico irá trazer uma «abordagem nova do ensino da língua portuguesa, que passa a ser contínuo».De que forma o Acordo Ortográfico irá mudar as práticas lectivas e os hábitos de leitura é uma das questões em discussão no encontro, organizado pelo ESEC.Entre os oradores estão Carlos Reis, da Universidade de Coimbra e Universidade Aberta, defensor do novo Acordo Ortográfico.«Como somos minoritários em termos de falantes, se não mudarmos ficaremos reduzidos a uma variante do português, o europeu», considerou Pedro Balaus Custódio.Para o também coordenador do Programa Nacional do Ensino do Português para o distrito de Coimbra, o Acordo Ortográfico «é uma questão política da língua» que «estará a ser empolada, até porque as alterações previstas são pontuais».Durante o encontro, serão discutidos temas em torno do ensino do português enquanto língua materna e segunda língua, a promoção da leitura e da escrita, o ensino precoce da literatura, a oralidade em contexto lectivo e o ensino da gramática.«Ler para crescer, crescer para ler», «A avaliação do impacto do Plano Nacional de Leitura e da rede de bibliotecas escolares», «O ensino da compreensão para a eficácia da leitura», «A inclusão e o sucesso educativo nas ‘mãos’ dos professores da língua materna» e «A língua em evolução, os acordos ortográficos» são algumas das intervenções previstas.No primeiro dia do encontro, será apresentado um estudo sobre «Português Língua Não Materna», realizado com crianças da Europa de Leste.
Fonte: Sol

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Sociedade de Química critica "questões extremamente elementares" na prova de sexta-feira

A Sociedade Portuguesa de Química (SPQ) criticou hoje a existência de "questões extremamente elementares" no exame nacional de Física e Química A, realizado sexta-feira, considerando que algumas perguntas "exigem apenas que o aluno saiba ler".Realizada por cerca de 54 mil estudantes do ensino secundário, a prova desta disciplina, nuclear para quem quer seguir Medicina, é uma das que conta com mais alunos inscritos. Num breve parecer disponibilizado na Internet, exclusivamente sobre a parte de Química, a Sociedade salienta que "todas as perguntas [do exame] se ficam por questões extremamente elementares", criticando ainda a persistência na prova "de algumas questões já 'batidas' em anos anteriores". Ressalvando não ter conhecimento dos critérios de correcção estipulados pelo Ministério da Educação, a SPQ lamenta igualmente a existência de "questões que pouco ou nada exigem de conhecimentos prévios em Química". "Exigem apenas que o aluno saiba ler um texto ou os eixos de um gráfico", não precisando "sequer de ter grandes competências a nível da interpretação", critica a Sociedade, apontando como exemplo duas das perguntas da prova. No ano passado, o exame de Física e Química A do 11º ano figurava entre as três provas com a média mais baixa, com 7,2 valores. Na altura, o Ministério da Educação decidiu anular uma questão daquele exame, alegando que a incorrecção na formulação de uma pergunta "inviabilizava a concretização de uma resposta correcta". Para não prejudicar os alunos na classificação final da prova, a tutela decidiu que a nota de cada um dos estudantes que realizou o exame seria multiplicada por 1,0417, o que levantou polémica.
Fonte: Público

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)