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quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Portugal é o país da UE que menos tempo dedica à língua e à Matemática

Portugal é o país da União Europeia que, ao nível do 2.º ciclo do básico, dedica menos tempo ao ensino da língua e da Matemática. No 3.º ciclo (7.º, 8.º e 9.º anos) apenas a Holanda apresenta uma percentagem da carga horária inferior.Os dados constam do relatório da OCDE Education at a Glance, a mais vasta compilação de dados sobre os sistemas educativas neste espaço económico, publicada todos os anos e ontem divulgada. Apesar de os alunos portugueses terem, em média, um número de horas de aulas obrigatórias no 5.º e 6.º anos superior à OCDE e aos Estados-membros da UE 19 (dados de 2006), a verdade é que a distribuição das disciplinas é bastante diferente (ver infografia). Assim, se por cá a escrita, a leitura e a literatura ocupam 15 por cento do currículo, na UE 19 e na OCDE as médias sobem para os 25 e os 23 por cento, respectivamente. No caso da Matemática, a diferença é menor, mas persiste: 12 por cento contra 16 por cento na OCDE. As escolas irlandesas dedicam tanto tempo à disciplina como as portuguesas. Já em Inglaterra, a percentagem ascende aos 22 por cento. Chegados ao 3.º ciclo, os portugueses continuam a ter um currículo mais diversificado, com prejuízo da Matemática e língua materna.Já no que respeita ao ensino das línguas estrangeiras e, sobretudo, das artes, Portugal destaca-se por atribuir uma maior fatia do horário escolar a estas áreas. As chamadas áreas curriculares não-disciplinares (formação cívica, estudo acompanhado e área de projecto) ocupam também uma parte significativa do horário.Quanto à organização do tempo de trabalho dos professores, o relatório da OCDE mostra que os docentes portugueses de todos os níveis de ensino são os que dão mais horas de aulas e os que mais tempo têm de permanecer nas escolas. Isto apesar de o seu horário de trabalho global ser ligeiramente inferior ao da média da OCDE e da União Europeia. Salários ao nível dos ricosEm relação aos salários, e apesar de Portugal ter um PIB per capita baixo, as remunerações estão ao nível de países mais ricos, constata a OCDE. Sobretudo entre os professores no topo da carreira, que ganham cerca de 2,5 vezes mais do que os que estão no início da sua actividade profissional.Outra característica evidenciada pelo Education at a Glance prende-se com o reduzido número de alunos por turma em Portugal que, no 1.º ciclo, fica por uma média de 19 meninos por classe. Os autores lembram que este indicador, por si só, não permite concluir grande coisa, já que os estudos científicos existentes não conseguiram mostrar uma relação inequívoca entre turmas pequenas e maior sucesso. O que a OCDE concluiu foi que, por causa da menor dimensão das turmas, dos elevados salários relativos dos professores e de um horário de trabalho global inferior, o custo salarial por estudante do secundário em Portugal é superior à média da OCDE em dez pontos percentuais.Outro indicador em que o país continua a sobressair pela negativa traduz-se nas baixas habilitações da população. Portugal detém mesmo o mais baixo número da OCDE de adultos (25-64 anos) com o ensino secundário completo: 28 por cento contra uma média de 68 por cento. Valor idêntico só mesmo na Turquia.Ainda assim, os peritos da OCDE destacam a enorme evolução registada em Portugal, ao nível das gerações mais novas. Basta ver que, entre os 25 e os 34 anos, a percentagem de jovens adultos que completaram o secundário já é de 44 por cento. O que não retira o país do fim da tabela, ao lado de Brasil, Turquia e México. No ensino superior, a disparidade é inferior, com Portugal a bater recordes ao nível da frequência de doutoramentos: 7,2 por cento, contra uma média da OCDE de 2,8 por cento.
Fonte: Público

Escola de brincar vs escola de aprender

Dois professores distraídos do que tem sido a escola nos últimos trinta anos resolveram pensá-la, cada à sua maneira, convergentemente.
José Manuel Gonçalves abalançou-se a olhar para dentro da escola e escreveu o livro intitulado: "Escola e cidadania - Contributo para repensar o ensino em Portugal". Repensando bem, insurge-se contra as aulas de substituição criadas para ocupar os alunos quando têm "furo", isto é, quando o professor falta. "Os jovens deixam de ter tempo para conviver", afirma. Estas aulas não deixam "espaço para a socialização" segundo este professor do ensino secundário.
É verdade. Não deixam espaço para a socialização dos vários agentes. Desde logo dos professores que faltavam muito, um número restrito, frequentemente os mesmos. Já não podem faltar tanto. E portanto socializam-se muito menos no café, no shopping, ou a tratar da vidinha. Não falo dos que estão mesmo doentes, porque neste estado cataléptico a sua socialização aparece diminuída por motivo de força maior.
Mas os alunos são as maiores vítimas da não socialização provocada pelo suposto desaparecimento dos "furos". Conheço vários alunos que, para obviar ao inconveniente, criam os seus próprios "furos". Alguns destes "furos" são tão grandes que se estendem pelo ano lectivo todo. Andam na escola em actividades de socialização intensiva: organizam por encomenda extorsão de telemóveis de última geração, agridem os colegas menos socializados, animam os recreios com cenas de bordoada, dirigem essa forma superior de socialização, o bullying, sobre cobaias a jeito e, quando aparecem nas aulas, resolvem animá-las da melhor maneira - na barafunda. No final do ano são agraciados com a (en)comenda da passagem de ano lectivo. O seu sucesso escolar está intimamente relacionado com a diminuição do insucesso que o ME proclama com justificado orgulho.
Outra professora, investigadora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto, Maria José Araújo, afirma que é "urgente respeitar o brincar das crianças e reabilitar o sentido da actividade lúdica". Entre outras medidas mais ou menos pacíficas como a reabilitação dos jardins, desenvolvimento de actividades ligadas ao cinema, teatro e música, em horário pós-escolar, defende a introdução da playstation nas escolas. Acho bem. Playstation, sim, mas com videojogos a preceito, nomeadamente dos bons, ultraviolentos, os únicos que empolgam deveras a rapaziada: o Grand Theft Auto, God of War, NARC, Killer 7, Condemned: Criminal Origins, True Crime:New York City, The Warriors, entre muitos outros que satisfazem a sanha (intelectual, julgo) dos jovens. Mas também permitir nas aulas outros jogos mais soft, nomeadamente os que estão acessíveis nos telemóveis, nos gameboy, etc. Ou actividades de paint ball, corridas de carjacking virtuais ou reais, wrestling entre professores e alunos. A panóplia de jogos disponíveis é infinita. Jogos eróticos é que não me parecem aconselháveis por falta de condições nas escolas.
Para a investigadora e para os professores também se recomendam jogos. Não falo das populares "paciências", "crapaud", ou do agora na moda "sudoku", em que alguns detestam a pronúncia. Sugiro apenas um, muito popular no Algarve durante o século XX, o tradicional "Não Te Irrites", que se jogava entre bocas jocosas ou azedas nos jardins e adros das igrejas.
Já basta de provocar, por professores insensíveis, traumatismos cranianos na pequenada por ausência de actividades lúdicas nas escolas. Brinquemos, pois. É que mesmo que não se aprenda nada, pelo menos aprende-se a brincar. A excelência da Educação não se mede por podermos vir a ser todos meninos, pequeninos, a caminho do útero materno?
Fonte: Expresso

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Educação - pressão financeira sobre as famílias aumenta

Setembro é um mês difícil para as famílias portuguesas com filhos na escola. Os gastos com os manuais escolares vêm complicar orçamentos muitas vezes já limitados. Só em livros obrigatórios, os portugueses vão gastar "80 milhões de euros", estima Paulo Gonçalves, assessor da Comissão do Livro Escolar da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL). E depois ainda há que contar com cadernos de apoio e conteúdos em formato digital.
Este ano as coisas são ainda mais complicadas porque o preço dos manuais subiu seis por cento, quase o dobro da inflação (3,1% em Julho), apesar de estarem sujeitos a uma convenção assinada entre governo e editores. "Há um aumento acima da inflação, com maior incidência no 1º Ciclo, onde são mais baratos. Mas os preços dos manuais escolares estiveram congelados nos últimos quatro anos e já não era comportável", diz Paulo Gonçalves.
Rui Nunes, assessor do Ministério da Educação, sublinha o reforço que este ano se verifica ao nível da acção social escolar. "É uma autêntica revolução. Cerca de 400 mil alunos terão manuais de borla e 300 mil desconto de 50 por cento. Grosso modo, metade da população escolar será apoiada", afirma.
Os gastos em livros escolares são sempre a subir à medida que se vai passando de ano. Se no 1º Ciclo os livros custam menos de 40 euros, já a partir do 5º ano sobem para mais de 100 € e no 3º Ciclo e no Secundário ultrapassam os 200 €.
Para regular o sector, o Governo introduziu a certificação prévia dos manuais. A medida continua a gerar polémica. "Não há nenhum país democrático, com liberdade de expressão, que tenha um processo de certificação prévio e centralizado", advoga Paulo Gonçalves, frisando que os editores criaram "um sistema de auto-regulação através de protocolos com entidades científicas". E lembra que na Finlândia, muitas vezes apontada como modelo, a escolha do livro é feita "directamente pelo professor".
UM LIVRO GRÁTIS POR CADA ALUNO
No âmbito do Plano Nacional de Leitura, o Ministério da Educação vai oferecer um livro a cada uma das 115 mil crianças que entram para o 1º ano de escolaridade. Os livros serão distribuídos pelas cerca de 6500 escolas de 1º Ciclo da rede pública, bem como pelas cerca de 600 da rede privada.
ALBINO ALMEIDA, PRESIDENTE CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE ASSOCIAÇÕES DE PAIS: "APOIO DO ESTADO NÃO É SUFICIENTE"
Correio da Manhã – As famílias estão em condições de suportar o aumento do preço dos manuais escolares?
Albino Almeida – É um aumento que tem impacto e que é parcialmente atenuado pelo reforço da acção social escolar. Há 500 mil alunos que não tinham qualquer apoio na compra dos manuais e passaram a ter. Mesmo assim não é suficiente.
– Que outras medidas defende?
– A nossa Constituição prevê que o ensino seja universal e gratuito. Por isso, o Estado devia, pelo menos, permitir a dedução em IRS do que os pais pagam, sem impor qualquer limite. A educação é um investimento não uma despesa.
– Concorda com certificação prévia dos livros introduzida pelo Governo?
– Não somos entusiastas das comissões científicas que ficaram na lei. É um caminho sem paralelo na Europa, vamos ver como funciona. Do que a Confap não abdica é da necessidade das escolas fazerem no final do ano uma avaliação dos manuais adoptados.
EXEMPLOS
1.º ano
Escola Eb 1 Alexandre Herculano (Lisboa)
-Estudo do Meio Clube dos Cinco - 7.09€
-Língua Portuguesa Clube dos Cinco (manual+ cad. fichas) - 13.69€
-Matemática Clube dos Cinco (manual+cad. fichas) - 13.68€
Total: 34.46€
5.º ano
Escola EB 2/3 Santo António (Faro)
-História e Geografia de Portugal Bloco de História e Geografia de Portugal (manual+caderno actividades) - 23.03€
-Matemática Bloco Onda Matemática (manual+cad. actividades) - 23.30€
-Ciências da Natureza Bloco Magia da Terra (manual+cad. actividades) - 24.20€
-Língua PortuguesaNa Ponta da Língua - 15.65€
-Educação MusicalBloco Oficina da Música (manual+cad. actividades) - 21.38€
-InglêsMagic! (manual+Workbook) - 24.13€
Total: 131.69€
7.º ano
Escola EB 2/3 Inês de Castro (Coimbra)
-GeografiaFaces da Terra - 15.97€
-Ciências NaturaisUm Ponto no Universo (Manual +cad.actividades+CDRom) - 32.74€
-Ciências Físico-QuímicasFQ7 (manual+cad. activid.+CDRom) - 29.94€
-Língua PortuguesaOficina da Língua (manual+cad.activ.+CDRom) - 32.19€
-MatemáticaBloco Matemática em Acção (manual+cad.activ.) - 26€
-FrancêsMots Croisés - 17.90€
-HistóriaBloco Viver a História (manual+cad.activid.) - 25.48€
- InglêsBloco In English (manual+cad.activid.) - 24.66€
Total: 204.88€
10.º ano
Escola ES/3 Filipa de Vilhena Curso Científico-humanístico de Ciências e Tecnologias (Porto)
-Biologia e GeologiaBloco Biologia e Geologia 10/11 (manual+cad.activid.) - 32.80€
-Matemática A: Mais Infinito - 24.90€
-Filosofia A Arte de Pensar - 21.53€
-InglêsGlobal (manual+CD) - 30.50€
-PortuguêsDas Palavras aos Actos (manual+cad.activ.+CD) - 38€
-Física ABloco Ontem e Hoje (manual+cad.activ.) - 29.65€
Química A
Química A 10/11 - 23.75€
Total: 200.53€
FAMÍLIA TAVARES - RODRIGO VAI PARA O 4º ANO: 38 EUROS SÓ PARA OS LIVROS OBRIGATÓRIOS
No grau mais baixo do ensino obrigatório a factura a pagar pelos pais é também menor em relação aos outros anos até ao Secundário, mas nas contas de Tânia Caetano, de 26 anos, e Ricardo Tavares, de 30 anos, proprietários de uma padaria, as despesas devem chegar aos 300 euros.
O casal das Caldas da Rainha tem o filho Rodrigo, de nove anos, que vai frequentar o último ano do primeiro ciclo. "Os livros básicos, sem as fichas técnicas, vão custar 38 euros", indica a mãe, que se apressa a acrescentar: "Os professores no início do ano lectivo dão uma lista daquilo que é preciso e a escola pede sempre um fundo de maneio para outros gastos".
"Pensamos gastar perto de 300 euros, com mala, estojos, cadernos, marcadores, lápis e tudo o resto", assegura. "Hoje é uma caneta, no outro dia é mais um lápis, uma borracha, um caderno e material para fazer trabalhos na escola, as despesas não param", reclama Ricardo, para quem "não há ensino gratuito nas escolas públicas". "E agora é só um filho. Quando forem dois [o outro filho do casal tem dez meses] vai ser pior ainda", antecipa Tânia Caetano.
O casal confessa que os gastos com o ensino leva-os a "fazer bem as contas para não faltar nos outros lados". "Somos sócios-gerentes da empresa mas não ganhamos o que queremos. Temos um ordenado mensal cada um de 850 euros, o que já é acima da média, mas depois de pagarmos a casa, o carro, a escola e as despesas com os empregados, chegamos ao final do mês mesmo à justa. Às vezes nem conseguimos o ordenado todo, por termos de pagar em primeiro lugar aos funcionários e à Segurança Social", descreve Ricardo Tavares.
DICAS
Mais barato via net
Para poupar alguns euros, compre os manuais escolares em sites como o Webboom ou o Mediabooks, que oferecem descontos de entre dez e vinte por cento.
De geração em geração
Se tem filhos com idades próximas, aconselhe os mais velhos a não estragar os livros porque podem servir depois para os mais novos.
Pacotes saem caro
Muitas vezes os editores vendem blocos que incluem os manuais, os cadernos de actividades e ainda um CD-Rom. Porém, pode sempre comprar em separado e prescindir dos elementos de apoio.
Fonte: CM

Preço de manuais escolares sobe entre 3,7 e 5,4 por cento

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) anunciou hoje o aumento dos preços dos manuais escolares entre os 3,7 e os 5,4 pontos percentuais, sublinhando que a alteração não reflecte o aumento dos custos de produção.
Em comunicado, a APEL afirma que esta actualização surge após quatro anos consecutivos em que os preços dos manuais escolares «estiveram congelados» e não reflecte o aumento dos custos de produção, nomeadamente a «enorme subida verificada nos combustíveis».Segundo a associação, apesar do aumento, os manuais continuam a «ser mais baratos que na esmagadora maioria dos países europeus» e são «considerados internacionalmente como dos melhores ao nível científico-pedagógico».A actualização de preços dos manuais situa-se entre os 5,4 por cento no 1º ano de escolaridade e os 3,7 por cento no 9º ano de escolaridade.
Fonte: Sol

Chumbos atingiram valor mais baixo da última década

A taxa de chumbos no ensino básico e secundário atingiu no ano lectivo que já terminou o valor mais baixo da última década. A maior diminuição registou-se no terceiro ciclo.

Os dados do Ministério da Educação indicam uma melhoria de resultados em todos os níveis de ensino. Uma situação realçada à TSF pela ministra desta pasta, Maria de Lurdes Rodrigues.
«O que se verifica é que melhoram os resultados escolares em todos os anos de escolaridade e em todos os ciclos de ensino, mantendo a tendência dos últimos três anos de recuperação dos indicadores de insucesso e de abandono», considerou a ministra da Educação.
No secundário reprovaram 22,4 por cento dos alunos, menos 3,5 pontos percentuais do que no ano anterior, enquanto no básico o número ficou nos 8,3 por cento (menos 2,5).
A maior descida registou-se no 9º ano, onde os chumbos caíram 7,5 por cento, ficando-se pelos 14,3.
Os números podem ser explicados pela diminuição das negativas no exame nacional de Matemática do 3º ciclo, que baixaram quase 30 pontos percentuais.
Na prova que a Associação de Professores de Matemática considerou ter sido demasiado fácil, cerca de 45 por cento dos alunos tiveram nota negativa, um resultado muito melhor do que o alcançado em 2006/07, em que 72,2 por cento dos estudante chumbaram neste exame.
A ministra da Educação tem, no entanto, uma outra explicação para os bons indicadores: «Mais trabalho nas escolas, mais trabalho com os alunos, medidas como o estudo acompanhado, as aulas de substituição, os planos de recuperação, tudo isto se traduz em mais tempo de trabalho com os alunos nas escolas».
Ainda de acordo com os dados do Ministério da Educação, a transição entre ciclos de ensino constitui um momento delicado para os estudantes, com os chumbos a aumentarem invariavelmente.
Do primeiro para o segundo ciclo, por exemplo, os chumbos quase duplicam (dos 4,6 por cento no 4º ano para os 8,4 no 5º), o mesmo acontecendo na transição para o terceiro ciclo, quando os chumbos atingem os 17,8 por cento no 7º ano de escolaridade.
Os números mais negros da retenção verificam-se, no entanto, no ensino secundário, onde mais de um quinto dos estudantes não passa de ano.
Só no 12º ano mais de um em cada três alunos não consegue passar, um valor, ainda assim, bastante melhor do que o registado em 2000/01 quando mais de metade chumbava no último ano do antigo liceu.
Fonte: TSF

Revolução tecnológica chega às escolas

O novo ano lectivo marca o arranque de uma autêntica revolução nas escolas portuguesas. No âmbito do Plano Tecnológico da Educação, o Governo vai investir um total de 400 milhões de euros com o objectivo de colocar Portugal entre oscinco países europeus mais avançados em matéria de modernização tecnológica. Até 2010 as escolas do 2º e 3º ciclos do Ensino Básico e as do Ensino Secundário terão ligação à internet em banda larga e estarão apetrechadas com 310 mil computadores, nove mil quadros interactivos e 25 mil videoprojectores.
“É a maior mudança de sempre na formade ensinar”, diz Albino Almeida, presidenteda Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), sublinhando que “o computador ensina mas não educa”, pelo que o papel do professor “é ainda mais valioso”.
Actualmente há em Portugal um computador para cada 13 alunos, contra um para seis de média europeia. O objectivoa atingir em 2010 é de um computador para dois alunos, mas no final deste ano lectivo haverá já um para cada cinco. João Grancho, da Associação Nacional de Professores, considerao plano “umamedida positiva, que ajuda à infoinclusão, à inovação e ao desenvolvimento científico”.
Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), defende que o papel dos professores tem vindo a ser desvalorizado: “O discurso do Governo tem apostado no desenvolvimento tecnológico, mas esquece-se do factor humano e os computadores sozinhos não funcionam. Com novas tecnologias e quadros interactivos mas com profissionais insatisfeitos e com carreiras desfeitas uma escola não pode funcionar ”.
Refira-se ainda que o PTE tem uma vertente virada para a segurança que prevê a instalação de câmaras de vigilâncias nas escolas. O cartão electrónico do aluno também evitará que estes levem dinheiro para a escola, contribuindo assim para que haja menos assaltos.
NOVO CARTÃO PARA 800 MIL
O Governo pretende que o cartão electrónico do aluno chegue já este ano lectivo a 800 mil estudantes. O novo cartão permite controlar entradas e saídas na escola, bem como consultar o processo administrativo do aluno e o seu percurso académico. Outras das vantagem do cartão é que permite fazer pagamentos na escola, pelo que os alunos deixam de precisar de levar dinheiro – um aspecto relevante em termos de segurança.
GÉMEOS NA ESCOLA SÃO DESPESA A DOBRAR
Se o início das aulas é um problema de matemática para muitas famílias, para quem tem gémeos a factura é sempre a duplicar. Livros, material e actividades extracurriculares que não são oferecidas pela escola representam o dobro das despesas.
É o que acontece em casa de Gabriela Lusio: os gémeos André e Gonçalo, de nove anos, vão ingressar no 4º ano na Escola Básica da Glória, em Aveiro. Os dois irmãos já têm as mochilas prontas, com todos os livros escolares e material necessário para o regresso à escola.
De acordo com a mãe, que é professora de Educação Visual, “só se gasta dinheiro nestaaltura com os livros e cadernos, porque de resto eles continuam a usar a mesma mochila do 1º ano, uma vez que está em muito bom estado”. O mesmo não acontece com outros materiais. “Os lápis de cor desaparecem rapidamente e têm de ser repostos várias vezes ao longo do ano”, explica Gabriela Lusio.
Quando vai às compras, por exemplo para comprar vestuário, Gabriela já vê as etiquetas dos preços a dobrar e sabe que deve optar apenas pelo essencial, porque qualquer extravagância “tem de ser igual para os dois”. O mesmo acaba por acontecer quando chega a época de regressar à escola.
O agregado só não faz poupanças no que diz respeito às actividades extracurriculares dos gémeos: “Têm os dois aulas de guitarra, fazem natação e vão este ano para um instituto aperfeiçoar o Inglês. Tudo isto representa cerca de 280 euros mensais, mas entendemos que são áreas em que vale a pena o sacrifício”, refere Gabriela.
METAS
310 mil computadores com ligação à internet, o que dá dois computadores por aluno (2.º e 3.º ciclos e Secundário).9 mil quadros interactivos (um por cada três salas de aula).25 mil videoprojectores.800 mil cartões electrónicos do aluno.500 mil computadores portáteis Magalhães (1.º Ciclo).400 milhões de euros de investimento total.
VIDEOVIGILÂNCIA E ALARMES
Com o investimento em novas tecnologias as escolas passam a ser lugares apetecíveis para os assaltantes, pelo que o Governo vai investir em alarmes electrónicos e sistemas de videovigilância, com dez câmaras por cada escola, de modo a garantir a segurança das instalações.
QUADROS INTERACTIVOS SUBSTITUEM VELHINHOS QUADROS DE ARDÓSIA
Os velhos quadros de ardósia onde se escreve com giz vão gradualmente ser substituídos pelos modernos quadros interactivos.
Inicialmente estava previsto que só em 2010 os nove mil quadros interactivos estivessem disponíveis nas escolas.
Contudo, o Governo terá conseguido antecipar alguns dos objectivos traçados e no final deste ano lectivo estarão já instalados nas salas de aula dos 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e nas do Secundário nove mil quadros interactivos e 25 mil videoprojectores, numa relação de um quadro por cada três salas.
“VENHA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES”: João Grancho Presidente Assoc. Nacional Professores
Correio da Manhã – Como avalia o Plano Tecnológico da Educação?
João Grancho – Parece bem concebido mas é preciso não esquecer a componente humana. Será feito por pessoas e essas pessoas devem ter estabilidade emocional, a sua missão deve ser reconhecida.
– Os professores estão preparados?
– Nem todos. Que venha a formação para se poder explorar todas as potencialidades.
– Qual o principal benefício do Plano Tecnológico?
– Vai no sentido da infoinclusão. Mas é preciso referir que isso tem de caminhar a par da melhoria das condições materiais das escolas, o que até tem vindo a ser feito. Não faz sentido investir em novas tecnologias em escolas degradadas.
DICAS
CONSUMO MODERADO
Os computadores e a internet ajudam ao estudo, mas o seu consumo deve ser moderado e controlado, nomeadamente no acesso a certos sites.
CARREGAR OS CARTÕES
Com a generalização dos cartões electrónicos, o dinheiro vivo deixa de circular na escola. No entanto, carregue o cartão do seu filho com baixos valores de cada vez, para que ele aprenda a gerir o orçamento.
NOTAS
TELEMÓVEIS - PIONEIROS
Foi através dos telemóveis que as novas tecnologias de informação e comunicação primeiro chegaram às escolas, mas cada vez os equipamentos são mais sofisticados
1º CICLO - 500 MIL MAGALHÃES
Os alunos do 1.º Ciclo terão ao dispor 500 mil computadores Magalhães, um portátil feito para crianças que custa 50 euros mas será gratuito para o 1.º escalão da acção social escolar
30 MILHÕES - CENTRO DE APOIO
Para ajudar as escolas a gerir os novos equipamentos informáticos, o Ministério da Educação vai investir 30 milhões de euros em quatro anos para criar o Centro de Apoio Tecnológico.
Fonte: CM

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Eles acham a escola uma grande seca

Quando a mochila da escola pesa ainda mais na alma do que nas costas, o passado escolar não figuraria num quadro de honra. Jovens que chumbaram porque os professores eram uma seca e os pais também. Porque trocaram os livros pelo msn.
A mochila começou a pesar-lhe no sétimo ano. Fechada a porta do Colégio dos Salesianos, no Estoril, onde frequentou o 5.º e o 6.º ano – e encetada a mudança para o ensino público da Secundária da Cidadela – a escola tornou-se bagagem difícil de suportar para João Casanova, 22 anos vestido de ‘beto’, o sotaque da Linha a embalar expressões comuns à geração a que pertence, os dias a passearem-se num luxuoso condomínio da zona de Cascais. João reprovou quatro vezes. Duas vezes no sétimo, uma no 9.º e outra no 11.º. No currículo escolar escreveu fim antes do tempo – desistiu.
'Os meus problemas na escola começaram quando saí dos Salesianos, tive que sair porque não podiam ter alguém como eu a perturbar as aulas.' Alguém como ele é alguém com Síndrome de Tourette – que provoca tiques motores e vocais involuntários. João afasta o cabelo dos olhos e aponta o dedo a quem com ele não soube lidar. 'Os professores não estão preparados para a doença que tenho, não me deram atenção, sempre me trataram mal, foram uns perfeitos anormais até ao 9.º ano, daí eu não conseguir estudar.' A mão tem cinco dedos e o seguinte aponta a culpa na direcção do pai, 'sempre ausente e que nunca deu nada'. Foi 'outro dos motivos' – e, sendo o nada, a ausência consegue aqui estar tão cheia de significado nos olhos de João. Mas como não há duas culpas sem três, o sistema educativo também merece reparos do jovem que delira com saídas à noite e é 'melgado' pela mãe como qualquer adolescente que se preze.
'Estava farto desta educação que devia ser diferente, os alunos precisam de coisas novas e de uma boa interacção com os professores, que deviam ser nossos amigos em vez de nos lixarem a vida', considera João, para quem a escola ideal 'devia ser como uma segunda casa'. Para ele nunca foi, se bem que o último dos passos escolares – a escola António Arroio, desde o 10.º ano – foi, mesmo assim, mais fácil. 'Gostava da área [artes] mas chumbei no 11.º ano, que só acabei no ano a seguir, e já não me apeteceu ir para o 12.º, não aguentava mais, já são muitos anos disto, deixei de querer andar de mochila às costas e acho um abuso que se tenha de entrar às 8h30'. Enumeradas as razões principais, fica a faltar uma: 'apanhei pessoas diferentes de mim e sempre mais novas, o que também me chateava', diz, confessando ser 'muito elitista e olhar de lado para muita gente'.
Estima-se que o insucesso escolar afecte entre 20% a 40% dos alunos do 1.º ao 3.º ciclo. E se antes se associava o insucesso à falta de capacidades intelectuais e a uma fraca inteligência, há actualmente uma maior compreensão do fenómeno nas suas mais (e muitas) diversas valências. Segundo estudos do Instituto da Inteligência, a maioria dos alunos com insucesso académico revela o mesmo potencial de aprendizagem que os demais. Mas certo é que 36% dos jovens portugueses abandonam a escola antes do secundário – a média europeia, mais simpática, é de 14,8% .
Para Albino Almeida, da Confederação das Associações de Pais, as medidas para combater o insucesso passam 'por turmas menores, destacamento de professores com mais experiência para as que requerem mais atenção, acompanhamento e orientação vocacional de acordo com as competências de cada estudante e uma maior capacidade das escolas para adaptar os currículos'.
Sofia tem quase 17 anos e, se não tivesse reprovado três vezes já podia estar numa turma do 12.º ano. A jovem assume que andou 'na balda' durante algum tempo e até aponta algumas das causas. 'As más companhias na escola e muitos problemas em casa'. A família tem poucos recursos financeiros e muito pouca formação para a poder ajudar nos estudos. Os pais trabalham demasiadas horas por dia e foram perdendo o controlo sobre os passos e o comportamento da filha na escola. Sofia diz que, talvez por isso, os pais lhe deram demasiada liberdade ainda muito nova e que lhe davam pouca atenção, até porque pensavam que ela levava a escola a sério. Não era bem assim e quando as notas começaram a ser más é que perceberam. Sofia reprovou no 4.º, no 7.º e no 8.º anos. 'Os meus pais deixavam-me fazer o que eu queria e eu aproveitei-me disso.'
A última vez que chumbou, o conselho executivo da escola decidiu separar quase todos os alunos dessa mesma turma, quase todos com problemas de aprendizagem, muita indisciplina e muitas faltas às aulas. Na altura, ficaram todos revoltados mas, hoje, Sofia reconhece que foi uma 'boa decisão'. Separados nas aulas e nas brincadeiras 'estúpidas' dentro da sala, os alunos mais rebeldes conseguiram ter mais sucesso escolar. Sofia acabou por ser colocada numa das turmas da área profissional ligada ao tratamento de águas e teve bom aproveitamento. 'O tempo da balda às aulas já acabou', garante.
Se a conhecesse, António Castela, da Federação de Pais de Lisboa, ficaria contente com a determinação. '[Barack] Obama disse uma coisa muito importante: ‘Só estou aqui porque me foi dada a oportunidade de estudar’, e esta frase diz tudo', diz Castela O dirigente da Ferlap – defensor da escola como pilar da igualdade – não esquece o papel 'preponderante' dos pais, que 'mesmo que não tenham formação para ajudar, têm o dever de incentivar e acompanhar os filhos'.
É o que têm feito os pais de Maria Afonso. A jovem tem 17 anos e é a segunda vez que reprova. Sempre foi uma aluna 'regular', mas o primeiro tropeção a sério sentiu-o no 10.º ano, quando optou pela área de Ciências, 'porque tem mais saída', mas que é também 'mais difícil'. A matemática e a físico-química são os cadeirões que não conseguiu ultrapassar, juntando-se a estes o português, 'mas neste caso por pura falta de estudo'. Com a ajuda de explicações, e controlo dos pais, conseguiu passar e 'o 11.º ano até correu bem', mas as dificuldades voltaram no 12.º.
'Sentia-me um pouco pressionada, porque as coisas são, também, cada vez mais exigentes, mas também me distrai um bocadinho, não só pelas saídas com os amigos, como também pelos novos conhecimentos no msn'. Os pais tentaram, no último ano, que Maria Afonso entrasse numa escola profissional, mas os professores da escola que frequenta conseguiram convencê-los do contrário. Porém... 'Desta vez vai mesmo mudar de escola e entrar no ensino profissional, porque achamos que é a melhor forma de concluir com melhores resultados o secundário, ficando ainda com a possibilidade de prosseguir os estudos superiores, se assim entender', explica a mãe, Cesaltina Afonso.
'Temos estado a agir sobre o insucesso numa fase muito adiantada.' A frase é de João Grancho, da Associação Nacional de Professores, que explica a necessidade das equipas multidisciplinares na detecção das dificuldades dos alunos. Para o dirigente, importante é que 'pais e alunos percebam que a aquisição do conhecimento implica abdicar de percursos mais lúdicos' e que os progenitores tenham, 'por lei, direito a dispensas para acompanharem o percurso escolar dos filhos'.
O irmão de André acompanhava-o. Tanto que fartava-se de lhe 'dar na cabeça' para ele estudar, mas o rebelde adolescente, hoje com 18 anos, nem por nada o fazia. 'Só gostava da escola por causa das namoradas e dos amigos. Ah! E também de Educação Física', diz, recordando as vezes (a maioria) em que era mandado para a ‘rua’ durante as aulas. 'Fazia muita asneira, batia às pessoas lá dentro, achava aquilo mesmo seca', diz o rapaz que chumbou quatro vezes no 5.º ano. 'Quando resolvi tentar portar-me bem já tinham uma ideia má da minha pessoa por causa dos processos anteriores'. André, que cresceu num bairro problemático, acabou por encontrar um sítio 'onde era melhor (aprender)' - ‘Escola da Floresta’, um sítio de apoio a famílias necessitadas e a jovens de rua. Lá, André conseguiu concluir o 9.º ano, uma porta aberta para trabalhar no supermercado que agora lhe enche os dias.
Tiago encontrou igual sentido na mesma escola. 'Não ia às aulas, só andava à porrada, nem ia fazer os testes, era um grande esforço para mim ir às aulas'. Porquê? 'Não nasci para estudar, sempre gostei de trabalhar e nem sou esquisito, faço tudo'. A ‘Floresta’ apanhou-o a tempo de voos mais perigosos e ajudou-o a fazer o 9.º ano. A mochila já não é um peso. Já não a usa.
Fonte: CM

Quatro mil escolas fechadas em 8 anos

Desde 2000, foram encerradas cerca de um terço das escolas públicas portuguesas então existentes. Estabelecimentos do primeiro ciclo do norte do País são os mais visados pela medidaNo mesmo período, foram abertas mais 589 EB23 O governo fechou mais de quatro mil escolas - 4255, mais precisamente -, nos últimos oito anos. Na prática, a rede escolar foi reduzida em cerca de um terço, de 12 862 para 8697 estabelecimentos, depois do anúncio da sua reorganização, no ano lectivo 2000/ /2001. Ao analisar os dados do Instituto Nacional de Estatística, o fecho de milhares de escolas do primeiro ciclo merece especial destaque, com as zonas do norte do País a serem especialmente afectadas.No norte de Portugal, passou-se de cerca de três e quinhentas escolas básicas do primeiro ciclo em 2000 para menos de metade em 2006/2007 - 1555. E nesta zona é de notar a diminuição, por exemplo, registada em Trás-os-Montes - de 651 para 161 escolas -, uma das regiões mais afectadas pelos critérios apertados que levam ao encerramento de escolas, nomeadamente quando têm menos de dez alunos. Critérios esses muito criticados por alguns dos mais conceituados especialistas portugueses na área da educação. "Estas medidas aceleram a desertificação das aldeias", garante Rui d'Espiney, Coordenador Nacional do Projecto Escolas Rurais e Director Executivo do Instituto das Comunidades Educativas. "As crianças têm um papel decisivo na construção de cenários alternativos de futuro para as aldeias. Retirá-las das suas terras dificulta esse trabalho", constata o investigador.A tese de Rui d'Espiney é reforçada pela de José Alberto Correia. Para este professor da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, a escola deve revitalizar as terras mais pequenas. "As escolas têm de ser pensados como pólos de interacção social, contra a desertificação rural e nos centros das cidades". Na realidade, os números do INE dão razão a José Alberto Correia, ao indicarem uma diminuição acentuada de jardins de infância, escolas básicas de primeiro ciclo e secundárias na cidade de Lisboa - neste último caso, fecharam 102 das 120 escolas existentes em 2000/2001. O próprio presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, reconheceu na semana passada que a ausência de escolas de qualidade no centro da capital contribui fortemente para a fuga da população para as periferias, tendo referido o seu próprio caso como exemplo (escolheu o concelho de Sintra para viver). Em sentido inverso, as escolas básicas que conjugam o segundo e terceiros ciclos aumentaram de forma muito significativa de oito para 129, o que demonstra a política do governo de concentração de alunos em menos escolas. Ao todo, foram criadas 589 EB23 em oito anos, passando de 30 para 619 escolas.Rui Canário, também investigador do Instituto de Comunidades Educativas, mostra-se particularmente crítico em relação à aposta na criação de grandes agrupamentos de escolas. "Ainda que os alunos possam beneficiar de recursos e estruturas maiores, perdem a cultura da antiga escola primária, com um único professor generalista". Já para José Alberto Correia, "nem sequer se pode justificar os encerramentos com a falta de resultados escolares, que nunca foram demonstrados, ou com a falta de condições, porque afinal é o Estado o responsável por essas escolas". Apesar das críticas, a política do governo de encerramento de escolas com poucos alunos vai continuar.Há dois anos, o Ministério anunciou, em relação ao primeiro ciclo, que "no reordenamento da rede escolar, a lista de escolas a encerrar inclui 1418 estabelecimentos, sendo assegurada a transferência dos alunos para 800 novas escolas mais bem apetrechadas ". Mas, para Rui d'Espiney, as escolas pequenas também podem ter esses recursos. "É tudo uma questão de haver um projecto", conclui.
Fonte: DN

ENCHER O CABAZ ESCOLAR COM 25 EUROS

Antecipando o início do ano lectivo, o DN fez a lista do material escolar e foi às compras em três hipermercados de Lisboa para ver onde fica mais em conta fazer as compras para o próximo ano escolarContinente revela-se o hiper mais baratoCom o início do ano lectivo marcado para quarta-feira, à já conhecida lista dos livros junta-se a de material escolar. Antecipando a chegada a casa da lista que até ao final da semana deverá ser enviada pelos professores dos mais de 1,4 milhões de alunos que se preparam para o primeiro dia de aulas, o DN foi encher o cabaz de compras em três hipermercados lisboetas para comparar preços. No total dos 21 artigos comprados, a conclusão é de que o Continente apresenta o cabaz mais em conta: 24,74 euros. Segue-se o Jumbo (28,69 euros) e o Feira Nova (36,55 euros). Destaque-se que para este resultado muito contribuíram as marcas brancas dos dois primeiros hipers e que o Feira Nova sai claramente a perder por não ter estes produtos. E, apesar da ressaca das férias, em que o orçamento familiar é esticado ao máximo, e do aumento do custo de vida, os pais não conseguem resistir ao entusiasmo dos miúdos. Quem os vê, nos corredores dos hipermercados, percebe a dificuldade dos pais em refrear tanta excitação. Tudo em nome do sucesso escolar. "Uma aposta no futuro", não hesitam em dizer. E há quem não hesite em recorrer a créditos bancários nesta altura ou em pedir a antecipação do subsídio de Natal. Não admira por isso que o regresso às aulas seja já a segunda época do ano mais importante para as empresas da grande distribuição, depois da época natalícia. Quem o diz é a APED (associação do sector), que estima em 160 milhões de euros o volume de vendas nesta época do ano.
Fonte: DN

Hip-hop e cante alentejano "enriquecem" oferta extracurricular das escolas do Alentejo

Enquanto em Évora se ensinam os alunos a dançar o hip-hop, nas escolas de Almodôvar tenta-se "manter viva" a música tradicional da região, com as crianças a aprender modas do cante alentejano.
Nos dois casos, são actividades de enriquecimento curricular que fogem à habitual oferta das escolas alentejanas do primeiro ciclo do ensino básico (EB1).Sob a forma de dança, uma das vertentes desta cultura oriunda dos Estados Unidos, o hip-hop chegou a duas escolas EB1 de Évora no último ano lectivo, a da Horta das Figueiras e a da Cruz da Picada.
O professor, Nelson Esteves, licenciado na Escola Superior de Desporto de Rio Maior, deu aulas a mais de 150 alunos dessas escolas, dos seis aos 10 anos, não duvidando em garantir o sucesso da iniciativa. "É por isso que, este ano, mais escolas da cidade querem o hip-hop", afirma à agência Lusa, preparando-se para leccionar em dois outros estabelecimentos de ensino, mas mantendo-se na Cruz da Picada, bairro problemático de Évora.
Detentor de formação específica em hip-hop, que define como um "modo de vida", da qual a dança é apenas uma das vertentes, a par do rap, do DJ`ing e do graffiti", o professor realça o impacto desta dança entre os alunos "Há comunidades diferentes na Cruz da Picada e, por vezes, chocam-se e surgem atritos. Mas, quando os miúdos souberam que iam ter hip-hop, ficaram todos contentes e corriam para mim, a perguntar quando era a aula", conta.
"É uma dança com uma grande parte criativa, que vai ao encontro do que eles gostam e precisam. Permite-lhes gastar energias, explorar a coordenação e ritmo e fomentar a socialização", assegura. O hip-hop "urbano" e vindo "da rua", cativou os alunos e as aulas foram "sempre música, do princípio ao fim", umas vezes com as crianças a dançarem sozinhas, outras sob coreografia do professor, que se surpreendeu com alguns alunos. "Havia um que já fazia trajectórias aéreas que eu próprio não consigo, já não tenho disponibilidade física para tanto", reconhece.
Os preconceitos tradicionalmente associados ao hip-hop, nomeadamente o ser um "desafio à autoridade" ou envolver "só rufias", também não impediram o projecto nas escolas, até porque são ideias "já mais diluídas".
Numa comunidade marcada por "alguns problemas sociais", os efeitos do hip-hop nos alunos da Cruz da Picada notaram-se nas aulas, segundo a coordenadora da escola, a professora Ascensão Almeida: "Até competiam nos intervalos para ver quem conseguia fazer os movimentos e, nos dias em que tinham dança, estavam mais calmos".
Já o cante alentejano, começou e, Janeiro de 2007, iniciativa da Câmara Municipal de Almodôvar, com o apoio do Ministério da Educação e em parceria com o Agrupamento de Escolas local. Nesse primeiro ano, o cante alentejano chegou a 115 alunos de sete freguesias rurais, tendo o projecto sido alargado, no passado ano lectivo, a todas as escolas básicas da sede de concelho, num total de 300 crianças.
No início, lembra o mentor do projecto e animador das aulas, Pedro Mestre, os miúdos "só conheciam as músicas da Floribella e dos Morangos com Açúcar" e encaravam o cante alentejano como "a música dos velhos". Mas, também aqui, "rapidamente foram conquistados" e, agora, estes "cantores de palmo e meio" cantam modas alentejanas "que nem passarinhos" e "sabem as letras na ponta da língua", frisa Pedro, de 24 anos.
"Tem sido uma experiência muito gratificante", regozija-se, assegurando que o projecto já atingiu "o principal objectivo", o de "estimular o interesse das crianças pelo cante alentejano, que não fazia parte dos seus gostos musicais". Através das aulas, assegura, as crianças "não só aprenderam a cantar, mas também a gostar, a ouvir com outra atenção e, mais importante, a respeitar e a valorizar" as modas tradicionais da região.
Para atestar o "sucesso" do projecto, além do "entusiasmo" das crianças, Pedro Mestre alude ao lançamento, em Fevereiro deste ano, de um CD com 10 modas alentejanas, com "hits" como "Ó Rama, Ó que Linda Rama" e "Ribeira Vai Cheia", aprendidas e cantadas pelos primeiros 115 alunos que frequentaram as aulas.
Neste ano lectivo, o animador vai ensinar 138 alunos, das sete freguesias rurais e de uma escola da sede de concelho, e está a "alinhavar" um manual sobre cante alentejano, embora o mais importante, garanta, não sejam "conteúdos teóricos", mas sim "pôr os miúdos a cantar".
Fonte: Rtp.pt

Dúvidas no regresso às aulas - DIGITAL É OU NÃO MELHOR QUE MANUAIS DE PAPEL

A Câmara Municipal da Maia está a incentivar o uso de cadernos digitais, pretendendo que os alunos da localidade passem a usar pen drives em vez das mochilas tradicionais com o inegável peso de livros, cadernos e outros bens escolares.As pen drives são pequenos dispositivos electrónicos, com capacidade para armazenamento de vários gigabytes, que se ligam aos computadores através das ligações USB. A iniciativa camarária visa os alunos do primeiro ciclo e adopta tecnologia desenvolvida pela empresa local Lusoinfo. O objectivo é a distribuição das pens a alunos e docentes para disciplinas como Estudo do Meio, Inglês, Matemática, Português ou Tecnologias de Informação e Comunicação. É "o primeiro material pedagógico, em formato digital, para apoio ao 1º ciclo", assegura a empresa.O objectivo é interessante para as famílias portuguesas quando se sabe que devem gastar este ano 80 milhões de euros em manuais definidos como "obrigatórios" pelas escolas, como revelou a agência Lusa na sexta-feira. São 10 milhões de livros para 1,4 milhões de alunos quando, "segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), os portugueses gastam mais em educação que a média europeia".Uma pen assegura a totalidade dos conteúdos educativos necessários no estabelecimento escolar e evita o peso da mochila. Mas é necessária a existência de computadores tanto na escola como em casa do aluno. Esta disponibilidade assegura normalmente o acesso à Internet e isso provoca alguns problemas para os trabalhos escolares.O interesse pela educação pode revelar-se no número de acessos a este tipo de sites em Portugal. Segundo a Marktest, estes sites tiveram 1,84 milhões de visitas em ambiente doméstico no primeiro semestre do ano. O prof2000.pt lidera em número de utilizadores, o sigarra.up.pt em número de páginas visitadas e o escolavirtual.pt no tempo de acesso.Mas a eficácia educativa do acesso à Web pelos alunos começa a ser questionada. Num estudo recente, salienta-se que as novas gerações sabem procurar informação na Web mas faltam-lhes competências para a validar. A "geração Google" é constituída por jovens nascidos após 1993 (apesar do motor de busca só ter surgido anos depois) e é assim catalogada num trabalho do Joint Information Systems Committee, British Library e realizado pelo University College de Londres.Apesar da familiaridade com as novas tecnologias, esta geração fia-se "nas ferramentas de pesquisa mais básicas e não possui capacidades críticas e analíticas para avaliar a informação que encontra na Web". A afirmação é igualmente válida para professores mas um último recado vai para os governos, salientando-se que faltam programas sustentados de literacia para a informação quando o objectivo é a economia do conhecimento.
Fonte: DN

Aulas de substituição não deixam tempo para socializar

As aulas de substituição para ocupar os «furos» dos alunos não deixam espaço para a socialização, alerta um especialista em Educação, que considera esta medida uma das «grandes falhas» da política do Ministério da Educação.
Autor do Livro «Escola e Cidadania - Contributo para repensar o ensino em Portugal» e mestre em Educação, na área de «História da Educação e da Pedagogia», José Manuel Gonçalves considera que os «malefícios das aulas de substituição [obrigatórias desde 2006] são deveras mais intensos do que os benefícios».
Apesar de ter alguns benefícios, como os alunos estarem quase sempre ocupados, poderem estudar ou tirar dúvidas, estas aulas acarretam um aspecto negativo: os jovens deixarem de ter tempo para conviver.
«Para quando fica a socialização entre alunos, a coesão de grupo? Para os míseros cinco ou dez minutos dos intervalos das aulas», questiona o professor de Filosofia e Psicologia da Escola Secundária de Fafe.
José Manuel Gonçalves tece ainda críticas ao facto de muitas vezes estas aulas serem leccionadas por professores de áreas completamente diferentes, o que causa algumas dificuldades aos docentes.
E contou o seu próprio caso que, «infelizmente», ficou «famoso» na Escola Secundária de Fafe.
«Eu sou professor de filosofia e psicologia e fui substituir um professor de Educação Física», começou por contar o professor, que toca realejo e viola.
Depois de perguntar quem queria jogar badmington ou basquetebol, houve alguns alunos que não quiseram e o professor, que não tinha grandes conhecimentos de Educação Física, mas sabia tocar realejo e viola, decidiu levá-los para o recinto escolar para «tocar e cantar».
«Infelizmente, fiquei famoso nas aulas de substituição porque tive de dar solução a um assunto muito melindroso», comentou.
A «etiquetagem» de professores titulares e não titulares é, para José Manuel Gonçalves, outra falha da reforma levada a cabo pelo Ministério da Educação, porque «propicia um clima de guerrilha, ou pelo menos, de guerra-fria», com afirmações género: «Faz tu, que és mais importante».
«Eu sei que não era isto que a ministra da Educação pretendia, mas na realidade virou os professores uns contra os outros», frisou.
Para este professor titular, esta distinção é «nefasta para quem vive no terreno escolar».
«Para quê hierarquizar assim os professores? Eu entendo os objectivos de tal medida, mas discordo quando aplicados ao meio escolar», sustentou.
José Manuel Gonçalves defende que «os bons professores não precisam de rótulos, porque se são de facto bons toda a comunidade escolar já o sabia muito antes de ter o rótulo na testa de professor titular».
Mas nem tudo é mau na perspectiva deste professor.
«Um aspecto que melhorou muito foi a criação das aulas de apoio. Desta forma, os menos ricos ou os pobres já não precisam tanto de recorrer a explicações», sublinhou à Lusa, defendendo que estas aulas devem ser de apoio pedagógico ou científico.
Para José Manuel Gonçalves, esta é «uma forma ainda que parca para atenuar as tão propaladas desigualdades sócio-culturais já que esta deve ser uma das funções da escola pública democrática».
Fonte: Portugal Diário

FNE cria observatório do processo de avaliação e apresenta proposta alternativa em Dezembro

A FNE vai criar um observatório nacional do processo de avaliação dos professores e divulga, até ao final do primeiro período deste ano lectivo, uma proposta alternativa à apresentada pela tutela.
"Deve haver uma alteração deste modelo de avaliação", declarou o secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação, Dias da Silva, à margem da reunião do Secretariado Nacional.
Neste sentido, a FNE, em articulação com o Instituto Superior de Educação e Trabalho (ISET), vai constituir um observatório que "acompanhará o processo de avaliação de desempenho e ajudará a analisar os documentos que estão de acordo com as orientações do Ministério da Educação e as práticas que ocorrem nas escolas".
"Será mais um elemento que teremos em conta para a construção, com os professores, de uma proposta que a FNE fará de modelo de avaliação de desempenho alternativo ao da tutela, mas construído e trabalhado com os professores", afirmou Dias da Silva, argumentando que "não há possibilidade de fazer mudanças em educação em lado nenhum do mundo sem a participação e a intervenção dos professores e apesar dos professores".
Com base na análise do tempo de actividades nas escolas, desde as aulas que os docentes dão, às actividades que têm, ao atendimento de pais e encarregados de educação e reuniões até ao final deste primeiro período lectivo, o estudo vai indicar o que deve ser melhorado em termos da contabilização do horário de trabalho de professores na escola, disse o responsável.
Além da questão da avaliação de desempenho, Dias da Silva manifestou também a preocupação da FNE face à dimensão das turmas e à degradação dos espaços onde decorrem as aulas, denunciando "as deficientes condições de trabalho que se verificam em muitas escolas, quer para alunos, quer para professores, quer para os trabalhadores não docentes".
Neste encontro vai ser ainda dada particular atenção à questão da educação especial que, segundo Dias da Silva, impõe "a realização de um grande reforço da credibilidade das certificações escolares (...) sem deixar de ter em linha de conta todas as dimensões educativas em que a escola deve intervir".
A FNE insiste igualmente na necessidade de "acabar com o elevado nível de precariedade em termos de vínculos laborais" e exige a substituição do contrato a termo de mais de 20 mil docentes pela contratação sem termo.
Fonte: Visão

Um modelo de escola em Óbidos

Óbidos inaugura no dia 13 um complexo escolar com condições de excelência. "Deve ser a única escola pública do País onde os alunos (430 dos 1º e 2º ciclos) têm uniforme, embora não seja obrigatório, e onde os pais vão poder tomar o pequeno-almoço com os filhos", explica Telmo Faria, presidente da Câmara local.
As salas de aula têm quadros interactivos e a alimentação é gerida por uma nutricionista. Uma equipa de clínicos, formada por dentista, psicólogo, pedopsiquiatra e terapeuta da fala, estará presente sempre que for necessário. Os alunos terão actividades que eles próprios escolheram, como judo, música, hip hop e artes plásticas. Está em curso a criação de uma orquestra, através de protocolos com três escolas de música do concelho.
O complexo tem vinte salas de aula, um pavilhão desportivo, centro de recursos com biblioteca, ludoteca e videoteca, sala de informática, dois laboratórios e uma sala de música. Custou três milhões de euros e é o primeiro de três que a autarquia vai construir. "Temos 13 milhões de euros de despesa de investimentos com a educação", afirmou Telmo Faria.
Fonte: CM

Escola de São João da Madeira inicia aulas abraçada às novas tecnologias

A Escola Secundária Serafim Leite, em São João da Madeira, inicia quinta-feira o novo ano lectivo de braço dado com as novas tecnologias.
A escola assinala o princípio do fim dos cadernos escolares e dos quadros tradicionais rabiscados a giz.
"Todas as plataformas tecnológicas instaladas até final de Maio começam a ser usadas em pleno neste início de ano lectivo, a partir do dia 11", garantiu à agência Lusa o presidente do Conselho Executivo da escola, Pedro Gual.
A par da Escola Secundária André de Gouveia, em Évora, a "Serafim Leite" foi pioneira a completar o primeiro eixo do Plano Tecnológico da Educação (PTE), recebendo um investimento de meio milhão de euros.
Em 20 das 44 salas de aula há agora quadros interactivos, onde já não se escreve com giz mas com caneta electrónica e onde professor até pode fazer anotações sobre imagens ou textos.
Nas restantes 24 salas os quadros tradicionais coexistem com modernos videoprojectores.
Os computadores com acesso à Internet estão em todas as salas, mas o acesso à rede é possível em todo o perímetro escolar, graças a uma rede sem fios (wireless).
A escola tem também um sistema de comunicações de voz preparado para funcionar sobre protocolo de Internet (VoIP).
Para o presidente do Conselho Executivo, a "revolução" tecnológica traz uma multiplicidade de vantagens, incluindo o aperfeiçoamento do sistema de e-learning (ensino à distância) já existente na escola há três anos.
Neste domínio, "passa a ser tudo mais fácil", observou Pedro Gual.
"Um professor com quadro interactivo pode gravar tudo o que ali escreveu e enviar para a plataforma. Isso permite que os alunos revejam a matéria dada quando quiserem", explica.
A apresentação de sumários electrónicos das aulas é outra possibilidade que se cria e, segundo Pedro Gual, pequenos módulos de formação para ajudar os professores nesta matéria vão iniciar-se na próxima semana.
Numa modernização tecnológica que vai além das salas de aula, a segurança também foi contemplada, já que em todo o perímetro escolar está instalado um sistema de vídeovigilância, com 16 câmaras.
O sistema contempla ainda um cartão electrónico do aluno, que regista entradas e saídas da escola e funciona como uma espécie de cartão Multibanco interno na secretaria, bar e cantina.
É um cartão que traz "maior segurança à comunidade escolar", possibilitando um conjunto de informações que até aqui não era possível, observou Catarina Silva, 16 anos, aluna no 11º ano.
Sobre o recurso dos professores nas aulas a mapas digitais, computadores, videoprojectores e quadros interactivos, a jovem disse não ter dúvidas que "o ensino vai melhorar".
"Vamos aos poucos deixando de andar com os cadernos atrás, substituindo-os por portáteis, o que é bem melhor", sublinhou.
Também Bruno Miguel, 17 anos, se mostrou "surpreendido" com a modernização tecnológica registada nos últimos tempos na escola.
"Acho que estamos no bom caminho. E se o Portugal quer evoluir tem de ser desta forma", referiu este aluno do 12º ano.
Crisália Azevedo, 15 anos, matriculou-se agora na "Serafim Leite", mas já tem "grandes expectativas" quanto ao que a espera.
"Já ouvi falar que aqui apostam muito na inovação e nas novas tecnologias. Eu, que ando sempre a navegar na Internet, fico satisfeita", declarou.
A Escola Secundária Serafim Leite é a mais antiga da cidade e conta actualmente com cerca de 870 alunos matriculados no ensino diurno e 500 a frequentarem as aulas nocturnas.
A aposta do PTE nesta escola foi da responsabilidade da tutela, mas Pedro Gual disse acreditar que a opção teve em conta a apetência da "Serafim Leite" para a formação na área informática.
Antes do lançamento do PTE, alunos daquela escola chegaram a desenvolver uma aplicação informática para planear a rede de oferta educativa e sinalizar casos de abandono escolar, posta ao serviço da Coordenação da Área Educativa de Entre Douro e Vouga.
Fonte: Visão

90 mil adultos obtiveram certificação no programa Novas Oportunidades

Mais de 90 mil portugueses dos quase 450 mil que se inscreveram no programa Novas Oportunidades obtiveram certificação ao nível do ensino básico e secundário. Desde o início de 2007 até 31 de Agosto já se inscreveram 447.774 adultos nos centros de Novas Oportunidades, 92.351 já obtiveram certificados e destes, mais de quatro mil foram de nível secundário.Segundo o ministro do Trabalho e da Solidariedade Social o programa já envolveu 10 por cento da população activa, um número que demonstra que o programa está a ter uma boa adesão. Os dados a que a Agência Lusa teve acesso revelam que, desde o início do Novas Oportunidades, em 2006, inscreveram-se no programa 516 mil adultos, dos quais obtiveram certificação 161.683 mil.Dos 447.774 adultos que se inscreveram, 213.890 tinham como objectivo a equiparação ao ensino básico, enquanto 233.884 pretendiam o nível secundário. A maioria dos inscritos para obter o nível básico tinha entre 35 e 44 anos, mas os inscritos para obter o nível secundário têm na maioria dos casos entre 25 e 34 anos. A região Norte foi a que registou a maior incidência de inscrições para obtenção do nível básico e do nível secundário. O programa de requalificação Novas Oportunidades, apresentado em Setembro de 2005 pelo primeiro-ministro, é tutelado pelo Ministério do Trabalho e pelo Ministério da Educação. O objectivo do programa é qualificar um milhão de activos até 2010, assim como envolver mais de 650 mil jovens em cursos técnicos e profissionalizantes.Segundo dados do Ministério da Educação, só 20 por cento da população adulta portuguesa completou o ensino secundário. Nos países da OCDE esta percentagem ronda os 70 por cento. Dos cerca de cinco milhões de portugueses que integram a população activa, metade tem menos que a escolaridade obrigatória. Portugal tem mais de 485 mil jovens a trabalhar sem o ensino secundário completo e mais de 266 mil não concluíram a escolaridade obrigatória.
Fonte: Público

Dentro de oito anos todas as Escolas Secundárias terão cursos profissionais

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues disse, em Famalicão que, dentro de oito anos, todas as escolas secundárias portuguesas estarão preparadas para ministrar cursos profissionais aos alunos e para o programa de adultos «Novas Oportunidades».
“Em simultâneo com esta modernização e preparação das escolas queremos que todos os alunos que concluem o nono ano, prossigam no secundário e o terminem, quer pela via dos cursos profissionais quer indo para o ensino superior”, afirmou Maria de Lurdes Rodrigues.
A governante falava durante a sessão solene de inauguração das obras de adaptação de um pavilhão na Escola Benjamin Salgado de Joane, Famalicão, ao programa «Novas Oportunidades» e aos cursos profissionais.
No acto participaram, o ministro da Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, o secretário de Estado da mesma pasta, Fernando Medina, o Governador Civil de Braga, Fernando Moniz e o director da escola, Alfredo Mendes.
Maria de Lurdes Rodrigues enalteceu a capacidade demonstrada pelas escolas secundárias na introdução das duas medidas, os cursos e o programa, afirmando que, logo no segundo ano da sua implementação,“não houve nenhuma escola secundária que não tivesse aderido”.
Sublinhou que o sistema de cursos profissionais e escolarização de adultos “está, agora, numa fase de consolidação”, para que cresça e se torne uma realidade na sociedade portuguesa. Vincou que o desafio lançado às escolas nestas duas áreas “contraria a sua tradição de funcionamento”, já que exige capacidade de liderança, abertura externa ao meio social e empresarial e qualidade da aprendizagem.
Referiu que a aposta nesta vertente do ensino vai, também, pedir que haja “variedade nas ofertas de formação”, numa óptica de “escola de serviço público dirigida à população”.
Lembrou as recentes medidas governamentais de alargamento dos apoios sociais na escola, ao ensino secundário, acentuando que, deste modo, “ninguém tem pretexto para abandonar a escola”, como ainda acontecia há quatro anos atrás, quando a taxa de abandono ou insucesso era de 50 por cento dos alunos.
Fonte: Sol

160 milhões na compra de material escolar

Um negócio de lápis, cadernos e companhia, que todos os anos movimenta mais de 160 milhões de euros: uma mochila já razoavelmente composta não fica por menos de cem euros por aluno. Se para os pais é uma dor de cabeça, para as grandes superfícies é já a segunda época do ano que mais rende – só no Natal é que há mais facturação.
O empenho pela compra das ferramentas que permitem saber mais tem para Ana Nunes uma explicação simples: 'A escolha das coisas ao nosso gosto faz-nos sentir melhor, e isso leva a obter melhores resultados'. É o sucesso escolar que está em jogo para esta aluna de 14 anos, que estuda no 10º ano e cuja modéstia a leva a dizer que as notas são razoáveis, quando interrogada se é boa aluna. O empenho da filha pelos estudos é confirmado pela mãe, que ao seu lado abana a cabeça em sinal afirmativo, acrescentando que 'as notas da filha enchem de orgulho a família'.
'Comprar o material para a escola é um sacrifício que fazemos, mas sabemos que a estamos a ajudar a construir o seu futuro', explica a mãe, também chamada Ana, empregada de limpeza. O pai, Manuel, desempregado, reconhece que a filha 'não é muito exigente e compreende que também não pode pedir muito'. No total, esta família espera gastar cerca de 100 euros.
Com metade da idade da Ana, a Patrícia Monteiro escolhe com a mãe e a madrinha a mochila que vai levar para o 3º ano. 'Quero aquela', avança, quando pela frente lhe surge um corredor cheio de malas e sacos. Entre elas, há uma cor-de-rosa com um coelho estampado que lhe conquista a vista. A mãe, Sílvia Santos, expressa a mesma opinião do que Ana Nunes: 'A compra de material escolar desperta nas crianças o sentido para estudar.'
'Com apenas 7 anos, a minha filha anda a falar desde Julho que quer voltar para a escola e que quer determinados lápis e cadernos', explica Sílvia Santos. 'A professora todos os anos manda trabalhos para fazerem nas férias. E é nesta altura, em que se começa a falar da escola, que ela tem mais vontade para estudar', acrescenta, referindo que 'a professora fornece uma lista com todo o material a comprar, o que torna tudo mais simples'.
A juntar aos 70 euros que conta gastar com Patrícia, Sílvia acrescenta 150 euros para ‘equipar’ o filho mais velho, de 13 anos. 'É com parte do subsídio de férias que consigo pagar os livros, cadernos e canetas', resume, contando ainda com a ajuda dos padrinhos dos filhos.
De ano para ano, o negócio do regresso às aulas faz animar o comércio. Depois da venda do material para as férias na praia, a aposta forte antes do Natal é com as crianças e jovens. É um mundo que representa milhões. Só no material escolar serão mais de 160 milhões de euros. E isto sem contar com os manuais escolares, que valem uns 80 milhões de euros.
O regresso às aulas envolve ainda gastos em outras áreas fora da papelaria, como o vestuário, a informática. O director-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), José António Rousseau, refere que 'esta é a segunda campanha mais importante do ano, logo a seguir ao Natal'. Para o responsável da APED, justifica-se o investimento nas acções publicitárias, cada vez maior, pois 'as compras de regresso às aulas são induzidas pelas crianças, que dizem aos pais o que querem utilizar'.
Mesmo comprando o 'mínimo dos mínimos', o regresso às aulas representa 500 euros a menos na conta para a família Santos, de Vila Nova de Poiares. 'É um gasto maluco, sobretudo nos manuais e em material escolar, que normalmente não dá de um ano para o outro', explica Cristina Santos, com dois filhos a estudar.
O que vale é que o Diogo, que vai repetir o 9º ano, já vai juntando 'um dinheirito' para os gastos. Para minimizar a factura, a família tem pequenos truques: 'Sempre comprei os livros de um em Agosto e do outro em Setembro.'
Exactamente cem euros foi quanto Cristina Santos gastou para encher a mochila da filha, Ana Isabel, que passou para o 7º ano. Mas apenas para o material, pois gastou 'pelo menos mais cem euros para o fato de treino e sapatilhas' para as aulas de Educação Física. Felizmente, Ana Isabel não tem de utilizar transportes públicos. O que se poupa no passe gasta-se em explicações: 75 euros.
Se para a maioria das crianças a chegada do início das aulas é uma época de euforia, para a mãe de Lara e Gabriel é uma altura do ano bem complicada. Sara Nascimento vive na Guarda, é divorciada e desempregada há mais de três anos. Com dois filhos, Lara, de 6 anos, e Gabriel, de três, não é fácil para esta mãe gerir um orçamento familiar que não ultrapassa os 300 euros que recebe do Rendimento Social de Inserção. Os últimos anos desta família não têm sido os melhores. 'Ou é porque tenho dois filhos ou porque sou muito velha', desabafa Sara Nascimento, ao comentar as recusas de emprego que já recebeu, tanto num lar, como num hipermercado.
Sara diz ser 'muito complicado' e que é com 'muito esforço' que vai fazer face às despesas da filha. 'Na creche já me disseram que vão aumentar a mensalidade porque a Lara saiu, e ainda vou ter as despesas dela na escola', explica. Para Sara, os 34 euros dos livros são uma dificuldade, a que se juntam a mochila, cadernos e roupa, já procurando esquecer a recente despesa dos óculos da filha.
'PAIS ENSINAM FILHOS A POUPAR'
'As compras de material escolar são um hábito de família, pelo que os pais ensinam os filhos a comprar', disse ao CM o director da loja Continente do Centro Comercial Vasco da Gama (Lisboa), Rui Gonçalves. Sem revelar números, o responsável acrescentou que, de ano para ano, as vendas têm crescido. A pensar nesse mercado em crescimento, os bancos criaram ofertas para atrair as famílias com estudantes. A Caixa Geral de Depósitos garante descontos até 20% em livros escolares e a oferta de acesso a uma disciplina à escolha na Escola Virtual. O Millennium BCP oferece condições especiais para aquisição de portáteis, que permitem 'poupar 250 euros em impostos', segundo a instituição bancária. Também há crédito para os livros, com taxa fixa. n
'TÊM VONTADE DE ESTREAR COISAS' (Nelson Lima, Neuropsicólogo, Presidente do Instituto da Inteligência)
Correio da Manhã – O uso de material escolar novo serve de estímulo para aprender?
Nelson Lima – Pode funcionar. O início do ano escolar é acolhido com entusiasmo pelos alunos. Isto porque o espírito consumista também existe nas crianças e manifesta-se na vontade de estrear coisas, como por exemplo os cadernos.
– O entusiasmo é maior em determinada idade?
– Sim, entre os mais pequenos. Quanto mais novo é o aluno maior é o efeito de euforia. Nos adolescentes, o efeito do novo material escolar sobre a vontade de aprender é muito menor.
– Este estímulo acaba, contudo, por morrer?
– Com o tempo, o efeito de novidade termina. Com a rotina do dia-a-dia, a novidade dos cadernos e dos lápis novos deixa de funcionar como estímulo para a criança estudar. O efeito acaba por ser efémero.
FAMÍLIA NUMEROSA COM TRUQUES PARA POUPAR
Margarida Araújo, mãe de seis crianças com idades compreendidas entre um ano e dez anos, sabe que no regresso às aulas há que fazer contas para as compras de material escolar não desequilibrarem o orçamento. 'Habitualmente, eu e o meu marido vamos sem os filhos às compras e optamos por adquirir produtos de marcas brancas. Em regra são produtos de boa qualidade, embora no ano passado um compasso se tenha estragado com facilidade', disse. 'Ainda que sejam crianças, tentamos fazê-los compreender que é importante não estragar nem perder o material escolar', acrescentou. Professora de Química (o marido é professor de Matemática), Margarida Araújo, de 38 anos, tem os quatro filhos mais velhos a estudar. O custo dos livros ronda os 400 euros e no material escolar serão gastos cerca de 150 euros.
CUSTO DO SABER
571 EUROS POR ANO
Um estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE) revela que as famílias portuguesas com filhos despendem em média 571 euros (1,7 %) do orçamento anual para a Educação.
EUROPA GASTA MENOS
Os portugueses gastam mais na Educação do que a média obtida entre os 27 países da União Europeia, que atinge os 1,2%.
GRANDE LISBOA NO TOPO
A Grande Lisboa lidera nos gastos com 2,3% (604 euros), seguida da Região Norte (1,8% – 472 euros) e Centro (1,1% – 289 euros).
ALGARVE E AÇORES
Algarve e Açores são as regiões que gastam menos: 0,8 % (210 euros). Alentejo e Madeira gastam 0,9% (236 euros).
NOTAS
MODA: CRISTIANO RONALDO
Cristiano Ronaldo é um filão comercial. A imagem do futebolista em estojos e mochilas faz disparar a procura destes objectos pelos mais pequenos. A mochila custa 16,99 euros.
MOCHILAS: PAIS FICAM INDECISOS
Mochila ou trolley são os artigos que, segundo os lojistas, maiores dúvidas causam aos pais na hora de comprar. Isto porque a mochila pode prejudicar a coluna e o trolley é difícil de usar.
QUEBRA-CABEÇAS: ROLO DE CREPE
A lista de compras de material escolar de Patrícia Monteiro integrava um rolo de crepe colorido, cuja descoberta para a mãe se transformou num verdadeiro quebra-cabeças.
ERRO: CEDER ÀS CRIANÇAS
Ceder ao desejo das crianças sem olhar a custos é um erro a evitar, sublinha o psicólogo Daniel Sampaio, lembrando que 'o excesso de gratificação não é benéfico'.
DECO: BENEFÍCIOS FISCAIS
A associação de defesa do consumidor DECO sublinha a possibilidade de dedução fiscal dos custos resultantes dos estudos que as famílias têm de suportar.
MARCAS: EVITAR TENTAÇÃO
O presidente da Confederação das Associações de Pais, Albino Almeida, alerta para a tentação das 'marcas' e dá o exemplo do preço de cadernos de 'bonequinhos'.
5.º ANO: MUDANÇA CRÍTICA
A coordenadora da consulta de adolescentes do Hospital Santa Maria, Helena Fonseca, defende que a passagem do quarto para o quinto ano está assinalada como uma fase crítica.
AULAS: COMEÇAM QUARTA-FEIRA
O calendário escolar estipula que as aulas no Ensino Pré-escolar, Básico e Secundário se iniciem entre 10 e 15 de Setembro. Todos os anos a abertura é dividida por vários dias.
HIPERS AGARRAM ESCOLA
Cresce o número de corredores concedido pelos hipermercados ao material escolar entre meados de Agosto e Setembro.
CABAZES DA ESCOLA
Lista de 25 artigos apresenta preços acessíveis a todas as bolsas. Em regra, artigos mais baratos integram as chamadas marcas brancas, que por menor riqueza de cores e modelos menos arrojados vencem no melhor preço.
Artigo
Mais barato
Mais caro
Compasso
1,99
7,49
Carderno de linhas A4
0,43
4,99
Canetas de feltro (12)
0,99
3,39
Borracha
0,39
1,49
Tesoura
0,59
4,99
Lápis de cor (12)
0,69
13,99
Máquina de calcular
4,50
159
Cola
0,86
2,89
Agrafador
1,39
4,89
Caderno desenho A3
1,89
6,99
Caderno Quadr. A4
0,43
4,99
Dicionário Bilingue
7,59
21,99
Dicionário Português
4,39
34,65
Estojo
1,29
14,99
Furador
1,49
5,89
Lápis
0,39
3,39
Marcadores (6)
0,99
3,79
Mochila
4,99
29,99
Régua 40cm
0,91
1,99
Trolley
11,99
39,99
Dossiê
0,99
3,59
Recargas A4
0,99
1,49
Separadores A4
0,84
1,99
Papel forrar manuais
0,99
3,89
Total
52,58 euros
385,02 euros
Fonte: CM

Brasil: Uma em cada 4 crianças da pré-escola está acima do peso

Não é mais a criança raquítica a principal preocupação das autoridades de saúde pública no Brasil, pois pesquisa feita em escolas de nove grandes cidades do país aponta que uma em cada quatro crianças brasileiras em idade pré-escolar está acima do peso. E uma em cada 10 está obesa. A má alimentação, segundo o estudo, é a vilã desses índices e atinge principalmente os alunos da rede particular de ensino.
Para chegar ao diagnóstico, o índice de massa corporal (IMC) é calculado ao se dividir o peso pelo quadrado da altura. IMC entre 25 e 29,9 significa excesso de peso; entre 30 e 39,9 trinta, obesidade; e a partir de 40, obesidade mórbida. O estudo feito pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) mostra que mais de um quarto das crianças brasileiras, entre 2 e 6 anos, tem excesso de peso, e uma em cada 10 é obesa. Dessas, 4,3% apresentam obesidade mórbida.
Uma menina de 10 anos, por exemplo, começou a ganhar peso e foi levada ao médico pela mãe. São quatro anos de dieta. Quando o tratamento iniciou, a rotina da família também mudou. A geladeira, antes lotada com guloseimas, agora tem sucos e frutas. “A gente está controlando o problema dela, e o restante da família também já está perdendo peso. Eu já perdi 10 kg. O pai dela já perdeu vinte e tantos quilos. Devagar nós estamos entrando nos eixos”, diz a mãe da menina, Valéria Peçanha Assenço. Para a nutricionista Paula Cristina de Mello, o segredo não é proibir, mas educar para comer bem. “Como existe hora pra estudar, existe hora para brincar, para comer balas, frutas, legumes, saladas”, diz.
Estudo inédito mapeou a qualidade nutricional da alimentação de mais de 3 mil crianças em idade pré-escolar em nove cidades do país. Os dados, apresentados no XII Congresso Brasileiro de Nutrologia, fazem parte do estudo Nutribrasil e envolveu 12 instituições de ensino.
O trabalho da Unifesp mostrou que grande parte das crianças em idade pré-escolar tem algum tipo de inadequação nutricional na alimentação, seja de nutrientes em excesso ou em falta. A ingestão de fibras, por exemplo, é deficiente em 95% das crianças de 4 a 6 anos. Essa mesma faixa apresenta, por outro lado, uma ingestão de sal (sódio) seis vezes maior do que a quantidade recomendada pelos médicos e pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
O estudo também aponta que a tendência de estar acima do peso é maior em alunos de escolas particulares. Mas os de escolas públicas não ficam tão atrás. A nutricionista Paula Cristina de Mello lembra que a educação alimentar não se restringe à dieta e pressupõe mudança de comportamento. “Não é só a criança que tem que se modificar. A família tem que modificar junto. É um hábito que tem que ser modificado por todos”, afirma a nutricionista. De acordo com o estudo, escolas particulares apresentam taxas maiores de crianças com excesso de peso e obesidade do que escolas da rede pública de ensino. Nas particulares, a média é de 33% de crianças acima do peso ideal, incidência maior que os 27% nas escolas públicas.
Fonte: Globo.com

Regresso às aulas: especialistas desaconselham recurso ao crédito

O regresso às aulas está à porta. O momento é de dor de cabeça para muitos pais, que não sabem como suportar as despesas extra que, muitas vezes, equivalem a um salário. E em último caso, o recurso ao crédito acaba por ser a solução.
As contas da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros dizem que as famílias portuguesas gastam por ano 80 milhões de euros em manuais «obrigatórios», além de material e livros de apoio. E este ano os manuais escolares estão 6% mais caros.
No 1º ciclo, o preço de cada livro ronda os 7 a 9 euros, e os livros são poucos, mas à medida que os miúdos vão ficando mais velhos, as despesas também crescem. No 2º ciclo os livros já custam em média 15 euros e as disciplinas são muitas mais, pelo que as despesas aqui já rondam os 100 euros.
Um salário em livros
E quanto mais para a frente, pior. É no 3º ciclo que os preços disparam a valer. Há manuais obrigatórios a custarem mais de 30 e 40 euros e, no total, as despesas com os livros de um filho podem ultrapassar os 400 euros. O mesmo que um salário mínimo nacional (SMN). O cenário piora quando um casal tem mais do que um filho em idade escolar.
Se por um lado há quem possa contar com a ajuda de familiares, como os avós e os padrinhos dos miúdos, por outro lado, há quem se veja sozinho nesta hora mais difícil. E por vezes o recurso a um empréstimo acaba por ser a única solução.
Crédito caro?
Nos últimos anos os bancos têm criado linhas de crédito específicas para tudo e mais alguma coisa e o material escolar não é excepção. O BPI, por exemplo, empresta até 30 mil euros (que podem servir para comprar computadores ou pagar propinas, por exemplo) que podem ser pagos até oito anos. O Santander Totta também empresta montantes entre 500 e 2.500 euros, a pagar em 10 meses e com uma taxa de juro de 4%. O BCP, por seu lado, que também aderiu à moda, empresta 1.500 a 3.500 euros, por 12 meses e com taxas de juro entre os 8,5 e os 12,5%.
Razões que levam os especialistas a desaconselharem os pais a recorrerem a este tipo de crédito. Por exemplo, a Confederação Nacional das Associações de Pais diz que é preferível as famílias optarem pelas facilidades de pagamento que as grandes superfícies comerciais e algumas editoras disponibilizam. E lembram os pais que podem sempre poupar algum dinheiro se recorrerem às livrarias virtuais, que apresentam bons descontos, que vão além dos 10%.
Também a Defesa do Consumidor (Deco) alerta para as desvantagens de recorrer a este crédito, já que, por vezes, acaba por ser menos dispendioso, em termos de juros e encargos, recorrer a um crédito ao consumo em vez destes créditos específicos.
Livros reciclados
Para as famílias que queiram poupar algum dinheiro e não se importem de reutilizar livros, pode estar encontrada a solução.
Uma campanha nacional do Clube dos Livros e da Entrajuda está a recolher livros escolares usados que se destinam a serem reutilizados. As entidades espalharam centenas de «Livrões» pelo País, nas agências da Caixa Geral de Depósitos, nas lojas do Pingo Doce e do Feira Nova, e reuniram mais de 100 mil exemplares.
Os livros que estiverem em bom estado e ainda em vigor são vendidos a metade do seu preço no site www.clubedoslivros.com ou através da Linha de Apoio 214691892. Uma parte destes livros será ainda entregue de forma gratuita a alunos mais carenciados, apoiados por instituições de solidariedade social.
Fonte: Agencia Financeira

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)