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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Perfil da Ministra da Educação no Público: "Estou cansada como muitos portugueses estão cansados. Não dramatizo"

Para uns é corajosa e determinada. Para outros arrogante e inflexível. Tem mantido um braço-de-ferro com os sindicatos, mas admite voltar a sindicalizar-se. Para já, a ministra da Educação, que diz que se sente anarquista, tenta ter uma vida normal - ainda que tenha menos tempo para ir aos concertos da Gulbenkian e para fazer o jantar. Por Andreia Sanches
Cansada? "Estou cansada como há muitos outros portugueses que estão cansados. Não dramatizo." Arrependida de ter suspendido a vida académica para assumir o cargo de ministra da Educação? "Todas as pessoas têm momentos em que sentem que não têm forças, tudo isso é normal, uma pessoa acha que não vai conseguir e depois consegue, porque vê que tem recursos que às vezes nem imaginava que tinha. Quando fiz o doutoramento, houve tantas vezes em que me apeteceu arrumar os papéis e desistir!" Chegou alguma vez a pedir a demissão ao primeiro-ministro? "Não vou partilhar isso com ninguém."Maria de Lurdes Rodrigues tem 52 anos, é socióloga, professora universitária, investigadora, independente (nunca se filiou no PS porque "não aconteceu"). E mais? "A vida de uma pessoa não se resume em duas páginas." Um perfil de alguém é sempre uma coisa simplista, continua. Não acha sequer que tenha interesse. Uma amiga próxima descreve-a como "uma pessoa low profile", com "uma vida normal", que gosta de música, de cinema, de ler e de cozinhar e que separa a esfera privada da profissional. "Há pessoas com quem trabalho há anos e que ainda assim sabem pouco da minha vida", diz a ministra da Educação. Admite que, apesar do esforço de manter as mesmas rotinas de sempre, algumas acabaram por alterar-se, nomeadamente no último ano, o mais conturbado do mandato. "Não vou ao cinema com a mesma frequência, faço menos vezes o jantar em casa, este ano não consegui comprar os bilhetes para a Gulbenkian", onde não costuma perder a temporada de música. Mas insiste: "Ter momentos da nossa carreira em que fica mais difícil fazer o jantar para os amigos também não me distingue em nada. Toda a gente tem." Antes avisa: "Só falo da minha vida como ministra." Comece-se por aí.Reunir no aeroportoPor regra entra às nove da manhã no Ministério da Educação, na movimentada Avenida 5 de Outubro, em Lisboa, e às nove da noite está em casa. Raramente faz noitadas de trabalho e, tanto quanto se lembra, houve apenas três ou quatro vezes em que foi necessário manter "as equipas a trabalhar pela noite fora". O que é preciso é que "quando se está a trabalhar se trabalhe mesmo". Gosta de ir ao Parlamento. Diz que leva muito a sério essa função e que se prepara com cuidado. Lamenta que nem sempre os debates decorram de forma a que a opinião pública faça uma apreciação mais positiva da actividade política. Recebe muitas cartas, não lê todas, tem uma equipa que faz a triagem. Mas já tem pegado no telefone para falar directamente com professores que lhe escrevem.Quem com ela tem negociado nota que "não deixa transparecer muito os humores" - palavras de Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais. O homem que foi em diversos momentos o único dos parceiros do ministério a defender publicamente Maria de Lurdes Rodrigues - "com ela, os pais apresentaram um conjunto de propostas que foram atendidas pela primeira vez em 30 anos, como a generalização das refeições no 1.º ciclo", sublinha Almeida - não consegue quantificar as horas de reunião que teve com ela, porque foram muitas. "Até no aeroporto nos reunimos para tratar de assuntos urgentes." Mesmo nos momentos mais conturbados a ministra "não revela desânimo, nem euforia, diz sempre: 'Vamos ver!'"
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Fonte: Público

Professores começam a ser formados no âmbito do Plano Tecnológico em 2009

A formação e certificação de professores em competências de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) vai arrancar no primeiro trimestre de 2009, disse hoje o coordenador do Plano Tecnológico da Educação (PTE)."Estamos na fase de iniciar as acções de formação de formadores assegurada pelas instituições de ensino superior. A nossa expectativa é que no primeiro trimestre de 2009 comece a formação e certificação dos professores para que seja cumprida a meta prevista", disse João Trocado da Mata. O responsável realçou que o objectivo da medida, um dos eixos do PTE, é que mais de 90 por cento dos docentes consigam até 2010 aproveitar ao máximo as Tecnologias de Informação e Comunicação disponíveis nas salas de aula.Segundo o documento "Competências TIC: Estudo de implementação", pedido pelo Ministério da Educação, o plano vai ser desenvolvido em três níveis de formação e avaliação de competências dos docentes, que dão origem a três tipos de certificados. O primeiro nível de formação dos docentes destina-se à aquisição de competências digitais, que "respeita, no essencial, à utilização instrumental das TIC e domínio de ferramentas de escrita e cálculo em formato digital".No segundo nível, estará a aquisição de competências pedagógicas das TIC, que devem integrar plenamente os processos de aprendizagem, e o terceiro nível, de competências pedagógicas avançadas, pretende que sejam os próprios professores a criarem soluções de utilização da tecnologia e de conteúdos de forma inovadora nas aulas. "O que nós queremos é uma utilização mais avançada dos meios tecnológicos e que as TIC possam constituir um poderoso meio para melhorar o ensino e melhorar o desempenho escolar dos alunos", afirmou o coordenador do PTE, salientando que "há um conjunto de estudos que estabelecem uma correlação de uso de tecnologias no contexto de sala de aulas e o desempenho escolar dos alunos".O estudo de implementação das competências TIC foi coordenado pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, em articulação com a Universidade de Évora e a Universidade do Minho. Além do eixo da formação e certificação de professores, o Plano Tecnológico da Educação tem uma componente de conteúdos para as escolas e um eixo tecnológico que inclui projectos para Internet em todas as salas de aulas a uma velocidade de acesso de pelo menos de 64 megabites, vídeovigilância nas escolas, concretizar o objectivo de ter uma rácio de um computador ligado à Internet por cada cinco alunos, um videoprojector por sala, um quadro interactivo para cada três salas de aulas e implementação do cartão electrónico do aluno.
Fonte: Público

Um professor à distância de um clique

As novas tecnologias estão cada vez mais ao dispor da educação. Agora já se pode ter explicações online através de um portal, a qualquer hora e para qualquer grau de ensino. No portal há sempre um professor disponível para tirar as dúvidas a um preço que pode ir dos 0,75 euros aos 17 euros.
Chama-se «Tiraduvidas» e pretende isso mesmo tirar todas as dúvidas. Este portal de explicações na internet existe há três meses e já tem mais de 20 mil alunos registados e cinco mil professores. No portal, a qualquer hora, há sempre alguém habilitado para responder.
O pagamento varia de acordo com o tipo de dúvida. As mais básicas, para o primeiro ciclo podem custar 75cêntimos. As mais complexas, para o Ensino Superior, por exemplo podem ir até aos 17 euros. Tudo descontado do saldo da conta online que o aluno tem de carregar na pré-inscrição.
http://www.tiraduvidas.eu/
Fonte: TVI

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Câmara e escolas de Santo Tirso promovem iniciativa contra o desemprego

A Câmara de Santo Tirso, em conjunto com várias escolas do concelho, vai lançar um projecto que pretende envolver todos os estudantes locais no combate ao desemprego, através da criação de uma Plataforma Pró-Emprego.
A iniciativa, denominada "Novas Tecnologias, Formação, Empregabilidade, Empreendorismo e Inovação" e que nasceu de uma parceria entre a autarquia tirsense e a Escola Secundária Tomaz Pelayo, prevê que os alunos inscritos pensem o seu futuro profissional através de trabalhos práticos na área das novas tecnologias.
Castro Fernandes, presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso, referiu à Lusa que a iniciativa tem como objectivo unir "todos os estudantes das escolas do concelho nas políticas de promoção de qualificação e do emprego, para que se sintam preparados para os desafios de um mercado de trabalho cada vez mais exigente".
O projecto, que arranca em Dezembro, conta já com a adesão de cerca de 2500 alunos, distribuídos por nove escolas, do primeiro ao 12.º ano de escolaridade.
Como objectivo final será criada a Plataforma Pró-Emprego de Santo Tirso que irá reunir os melhores trabalhos dos alunos, juntamente com um Portal de Emprego da região do Vale do Ave, vídeocurrículos e vários mecanismos interactivos.
"Será um pólo centralizador de toda a informação que possa interessar a quem procura emprego e onde as empresas também poderão disponibilizar as suas ofertas e seleccionar novos colaboradores", sustentou Castro Fernandes.
A criação do portal de emprego estará a cargo dos alunos do quarto ciclo, inscritos no projecto, podendo estes ainda optar pelo desenvolvimento de um vídeocurrículo.
No primeiro e segundo ciclos será pedido aos alunos que criem uma apresentação electrónica sujeita ao tema "O que quero ser quando for grande", através do recurso aos suportes informáticos existentes nas escolas, nomeadamente o Magalhães.
Os alunos do terceiro ciclo poderão fazer uma aplicação interactiva sobre possibilidades profissionais e formativas.
O prazo para a apresentação de trabalhos expira a 25 de Abril de 2009, dando lugar a um concurso para selecção dos melhores, que serão apresentados publicamente a 30 de Abril de 2009.
Fonte: Rtp.pt

Computadores Magalhães vão chegar a Timor-leste

Xanana Gusmão, que está de visita a Lisboa revelou, esta quinta-feira, em entrevista à TSF, o interesse do Governo de Díli nos computadores de fabrico português.
«Eu creio que vai ser fundamental para as nossas escolas, para a introdução da língua», afirmou o primeiro-ministro timorense que reconheceu, no entanto, que a adesão a estes computadores foi tardia.
As crianças timorenses poderão, desta forma, ter acesso aos computadores Magalhães.
A encomenda do Governo timorense poderá chegar aos 50 mil computadores.
Em declarações à TSF, Xanana Gusmão revelou ainda que o Estado tiomorense está a estudar a hipótese de investir em Portugal parte das receitas provenientes do petróleo.
Fonte: Tsf

Professores premiados em concurso internacional afirmam que "os alunos adoram a Matemática"

Três professores de Águas Santas, na Maia, são os autores de um livro de Matemática para o 1º ano do ensino básico que foi premiado com a medalha de ouro num concurso europeu de manuais escolares. Hoje, em declarações à Agência Lusa, revelaram que "os alunos adoram" aquela disciplina.Alberta Rocha, de 51 anos, Carla do Lago, com 44, e Manuel Linhares, de 41, escrevem livros escolares "em conjunto" há seis anos. Agora, a editora para a qual trabalham deu-lhes a notícia: a European Education Publishers Group (EEPG) atribuiu a medalha de ouro ao manual Clube dos Cinco - Matemática 1.º Ano. É a primeira vez que um dos seus livros recebe uma tal distinção, num concurso de nível europeu em que foram avaliados 17 manuais escolares. O manual premiado, editado pela Texto Editores, ganhou a medalha de ouro, na categoria Primary, atribuída, na Feira do Livro de Frankfurt, pelo EEPG. Esta organização foi criada em 1991 e actualmente integra 23 editoras de 23 países europeus. Os seus prémios têm como objectivo promover a excelência e qualidade nas publicações escolares, reconhecendo os melhores editores, autores e designers gráficos no espaço europeu. Os autores premiados agora dão aulas no Agrupamento de Escolas de Águas Santas e nenhum deles imaginou sequer que a sua editora decidira participar neste concurso. Por isso, foi com um misto de surpresa e natural satisfação que receberam a notícia deste prémio, para o qual contribuiu também Carla Nazareth, enquanto ilustradora. Alberta Rocha, professora na EB1 de Moutidos, concorda que a distinção "faz bem ao ego, em todos os sentidos". Manuel Linhares, que também ali lecciona, sustentou ter-se tratado "de um grande investimento" numa obra que deve muito à experiência profissional de cada um dos autores. Todos eles sustentam que o "Clube dos Cinco - Matemática 1.º Ano" procura reflectir "uma grande ligação ao quotidiano", um dos aspectos, aliás, que a EEPG elogiou. "Estamos rodeados de elementos matemáticos e o livro mostra muitos desses elementos, através de um grafismo concebido para ser atraente e ao mesmo tempo eficaz", afirmam. A intervenção dos professores não se fica pelo material escrito, indicando também soluções gráficas a que a ilustradora dá o tratamento final. "A editora deu-nos muita liberdade neste campo", referiu Manuel Linhares, professor da EB1 de Moutidos. "Em muitos aspectos fomos inovadores", resume o docente, dando como exemplo o facto deste livro apresentar já "noções de estatística", muito embora tal não faça ainda parte dos programas oficiais de Matemática. Carla do Lago, da Escola da Pícua, refere que a EEPG atribuiu este prémio por entender que é "um manual cujas páginas respiram por si, que não é maçudo". A EEPG também destacou o facto do livro não ser "nada abstracto". Segundo Alberta Rocha, "hoje continua a insistir-se muito no algoritmo, em contas e mais contas, sem qualquer sentido". Trata-se de um ensino que "não está adaptado à realidade" e que ainda é praticado por "professores provavelmente agarrados a sistemas antigos de dar a Matemática". Manuel Linhares observou que "não existem situações problemáticas para pôr os miúdos pensar de uma forma diferente", concluindo que "é o treino pelo treino, mais nada". Carla do Lago defende que "o importante, primeiro, é o aluno, durante um ano inteiro, treinar linguagens matemáticas, porque o algoritmo é uma situação abstracta para ele e ele vai fazê-lo desprovido de qualquer raciocínio matemático". Os resultados menos bons não se devem aos programas, adianta. "O problema não é esse", afirmou Alberta Rocha, considerando também que, "em muitas escolas, há muitos professores que nem sequer conhecem o programa e fazem fé que os manuais o reproduzem". A autora defende que "se não houver uma atitude pessoal do professor na sua metodologia de ensinar não é o manual que vai fazer qualquer milagre". "Gostamos de vender muitos manuais, mas sabemos perfeitamente que se pode ensinar sem manuais e que se pode ter uma óptima turma sem manuais", sublinhou. Porém, pensam que as coisas estão a melhorar e que isso se vai reflectir nos resultados escolares. "Os alunos adoram matemática", diz Alberta Rocha. Carla do Lago reforça: "É uma loucura". "Se perguntarmos a uma turma do primeiro ano o que querem fazer a resposta é: Matemática", garante Alberta Rocha. "Eu até costumo dizer: vamos aos porquês da Matemática, que eles adoram. As coisas todas acontecem porque há uma razão, nada aparece do abstracto. E eles adoram ir ao quadro explicar aos colegas por que é as coisas são assim", afirma Carla do Lago. Esta docente explica que a sua "aposta para este ano é a Língua Portuguesa, porque eles já estão conquistados na Matemática". Todos têm conselhos para dar aos outros professores: "Pensem sempre que temos ainda muito para aprender" ou utilizem "materiais manipuláveis, para contagens, para as tabuadas, para o raciocínio matemático". Manuel Linhares junta outro conselho: "É preciso desmistificar junto dos pais o papão da Matemática, porque, muitas vezes, acho que o fracasso da matemática vem de casa". Dá um exemplo baseado na sua experiência: há pais que ao serem informados de que os filhos estão a sair-se mal na Matemática comentam: "Professor, já eu tinha essa dificuldade", ou seja, "encaram aquilo como genético" e dão assim uma imagem negativa da disciplina.
Fonte: Público

Sindicatos propõem auto-avaliação acompanhada por pedagógico

A proposta que a Plataforma Sindical dos professores vai apresentar amanhã ao Ministério da Educação assenta num documento de auto-avaliação, a ser preenchido pelos docentes e acompanhado pelo respectivo Conselho Pedagógico. Mas para que esta proposta chegue sequer a ser negociada, os sindicatos exigem que o actual modelo de avaliação seja suspenso. O porta-voz da Plataforma, Mário Nogueira, já tinha informado o DN que os sindicatos iam apresentar "uma solução simples, não administrativa e focada na vertente pedagógica que permita aos docentes serem avaliados este ano". Proposta agora concretizada por outros dirigentes do movimento sindical. Carlos Chagas, secretário--geral do Sindicato Nacional e Democrático dos Professores, adianta ao DN que a Plataforma tem uma forma de ultrapassar o vazio legal deixado pela suspensão do actual processo e realizar a avaliação de quem necessita dela. "Embora ainda não haja um documento escrito e pormenorizado, a nossa proposta vai no sentido de cada professor elaborar um relatório de auto-avaliação a ser apresentado ao Conselho Pedagógico, que seria responsável por acompanhar o seu cumprimento." A leitura das soluções previstas pelos vários sindicatos para a avaliação permitem perceber melhor o que os dirigentes da Plataforma defendem. Assim, este relatório de auto-avaliação deve conter uma análise do docente sobre as condições em que exerce o processo de ensino e posterior apreciação do relatório por uma Comissão de Avaliação do Conselho Pedagógico. "O documento a apresentar pelo professor é de facto de reflexão da componente científico-pedagógica, mas ainda não pormenorizámos a proposta, porque não faz sentido termos um documento escrito sem sabermos se o Ministério suspende o modelo actual", informa João Dias da Silva, da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação. Caso se reúnam os pressupostos exigidos pelos sindicatos, Carlos Chagas considera que "o documento definitivo deve ser entregue em pouco mais de uma semana, depois de colocado à apreciação dos professores nas escolas". Afirmação que agradou a Mário Machaqueiro, representante de um dos movimentos de professores que organizou a manifestação de 15 de Novembro e que reclama ser ouvido pelos sindicatos neste processo. "Esta posição é positiva e a proposta parece-me razoável, mas temos de ter cuidado para não desmobilizar a contestação. Além de que não sei se o Ministério vai ceder", alerta o professor da Associação em Defesa do Ensino.
Fonte: DN

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Medidas para desburocratizar e simplificar a avaliação de desempenho dos professores

O ME definiu um conjunto de medidas para melhorar as condições de concretização do modelo de avaliação de desempenho.
O Ministério da Educação esteve sempre disponível para dialogar com todos os professores, conselhos executivos, sindicatos, pais e demais parceiros sobre as reformas que empreendeu e, também, sobre a avaliação de desempenho dos professores. Prova disso é o memorando de entendimento que, em Abril do corrente ano, foi assinado com a plataforma de sindicatos, onde ficaram acordadas as condições de aplicação do modelo de avaliação neste primeiro ciclo avaliativo.
Interrompido que foi este acordo, mantemo-nos contudo fiéis ao nosso compromisso de garantir a todos os professores as condições indispensáveis ao prosseguimento do processo no corrente ano lectivo. Ouvidos todos os intervenientes e parceiros do sistema educativo, identificámos um conjunto de problemas que se considera dificultarem a concretização do processo de avaliação de desempenho dos professores, designadamente:(1) a insuficiência de avaliadores da mesma área disciplinar dos avaliados;(2) o excesso de burocracia e(3) a sobrecarga de trabalho.
Com o objectivo de ultrapassar estes constrangimentos, decidimos avançar com um conjunto de medidas, de aplicação imediata, que introduzem alterações importantes nas condições de implantação do modelo. As medidas são as seguintes:
1. Garantir que os professores, sempre que o requeiram, possam ser avaliados por avaliadores da mesma área disciplinar
São alteradas as regras de delegação de competências, de modo a permitir que a delegação recaia em professores titulares de outro departamento curricular ou em professores nomeados em comissão de serviço como professores titulares, sem que neste caso se apliquem os rácios a que esta solução está hoje sujeita. Em caso de impossibilidade de recurso a qualquer destas soluções, poderão as competências ser delegadas em professores titulares de outro agrupamento de escolas ou escola não agrupada, neste caso com o apoio das Direcções Regionais de Educação.
2. Não considerar o parâmetro referente ao progresso dos resultados escolares e à redução das taxas de abandono escolar
Esta medida decorre da percepção das dificuldades de ordem burocrática que a sua utilização estava a introduzir nas escolas e da necessidade de maior consolidação técnica identificada pelo Conselho Científico da Avaliação de Professores. Sendo assim, as fichas de avaliação a preencher pelo presidente do conselho executivo não devem contemplar este parâmetro. A possibilidade de acesso à classificação final máxima está garantida mesmo com a eliminação deste parâmetro.
3. Promover a simplificação dos instrumentos de avaliação
O preenchimento das fichas de avaliação e auto-avaliação foi simplificado, uma vez que é alargada a possibilidade de agregação de todos os itens e subparâmetros. Só é exigida a avaliação e a classificação dos parâmetros. Serão também muito em breve disponibilizadas orientações que promovam a simplificação dos instrumentos de registo e indicadores de medida.
4. Dispensar, em caso de acordo, a realização de reuniões entre avaliador e avaliado
Em caso de acordo, as reuniões para a atribuição da classificação final são tacitamente dispensadas, podendo no entanto a sua realização ser solicitada quer pelo avaliador quer pelo avaliado. Além disso, e embora não esteja prevista a realização de qualquer outra entrevista, muitas escolas assumiram que a fixação de objectivos individuais implicava o agendamento e a realização de uma reunião entre avaliador e avaliado. Assim sendo, e com o objectivo de agilizar o processo, são introduzidas as seguintes regras:
os objectivos são apresentados exclusivamente ao presidente do conselho executivo ou director (ou dos membros da direcção executiva em quem a competência tenha sido delegada);
os objectivos são considerados tacitamente aceites se, no prazo de 10 dias, o avaliador nada disser sobre os objectivos propostos.
5. Tornar voluntária a avaliação da componente científico-pedagógica
A avaliação desta componente, da responsabilidade do coordenador do departamento curricular (ou dos professores titulares em quem a competência tenha sido delegada), passa a ter carácter voluntário, sendo no entanto requisito necessário à obtenção das classificações de “Muito Bom” e “Excelente”.
6. Reduzir o número mínimo de aulas a observar
O número de aulas observadas, para os professores que optem por serem avaliados na componente científico-pedagógica, é reduzido de três para duas, ficando a terceira observação dependente de solicitação do professor avaliado.
Clarificar o regime de avaliação dos avaliadores
Os coordenadores de departamentos curriculares e todos os outros professores avaliadores da componente científico-pedagógica são exclusivamente avaliados pelo presidente do conselho executivo ou director, no seu desempenho profissional e enquanto avaliadores. A avaliação dos membros das direcções executivas é efectuada em moldes idênticos aos previstos no SIADAP 2, sistema de avaliação de desempenho dos dirigentes da administração pública, depois de ouvido o Conselho das Escolas.
8. Alargar as acções de formação contínua consideradas na avaliação
No presente ciclo de avaliação, são consideradas as acções de formação contínua acreditadas que não tenham sido utilizadas em anteriores avaliações, sendo utilizada a menção de “bom” nos casos em que não exista classificação. Relembra-se que é ainda possível o pedido de acreditação ao Conselho Científico de Formação Contínua pelo avaliado de pós-graduações, mestrados e doutoramentos (ou de disciplinas dos mesmos) que não estejam ainda acreditadas.
9. Melhoria das condições de trabalho para os avaliadores
São reforçadas e alargadas as compensações da sobrecarga de trabalho decorrente da avaliação, como seja a possibilidade de remunerar, através do pagamento de horas extraordinárias, o esforço suplementar que garanta que a avaliação se efectue por docentes da mesma área disciplinar dos avaliados, sem que isso se traduza em alterações substanciais aos horários das escolas.
Estas medidas constarão de alterações pontuais nos normativos abaixo indicados, que seguirão em breve, acompanhados de orientações precisas sobre as condiçõesde prosseguimento da avaliação de desempenho docente:
Decretos Regulamentares n.º 2 /2008, de 10 de Janeiro, e n.º 11/2008, de 23 de Maio;
Despacho n.º 20131/2008, de 30 de Julho – Avaliação de desempenho
Despacho n.º 7465/2008, de 13 de Março – Delegação de competências de avaliador e nomeação em comissão de serviço;
Despacho n.º 19117/2008, de 17 de Julho – Organização do Ano Lectivo
Despacho n.º 16872/2008, de 23 de Junho – Aprovação das Fichas de Avaliação do Desempenho.>
Estamos convictos de que, com estas medidas, estarão criadas as condições para que o processo de avaliação decorra dentro da normalidade em todas as escolas.
Só assim será possível cumprir o compromisso que assumimos com a plataforma de sindicatos em Abril de 2008: proceder, em Junho e Julho de 2009, ao balanço deste primeiro ciclo de avaliação para que, com base nos elementos obtidos no respectivo processo de acompanhamento e monitorização, possa ser identificada a necessidade de introdução de modificações ou alterações ao modelo.
Para mais informações, consultar:
Projecto de Decreto Regulamentar Avaliação de Desempenho Docente [PDF]
Fonte: Portal da Educação

Presidentes de conselhos executivos avaliados pelos directores regionais de educação

Os presidentes dos conselhos executivos vão ser avaliados pelos directores regionais de educação, com base no sistema de avaliação de desempenho da Administração Pública, segundo uma proposta do Ministério da Educação hoje divulgada.
De acordo com um projecto de decreto-regulamentar da avaliação de desempenho docente, que concretiza as medidas de simplificação anunciadas quinta-feira pela ministra da Educação, "os membros das direcções executivas são avaliados nos termos do regime que estabelece o sistema integrado de gestão e avaliação de desempenho do pessoal dirigente intermédio da Administração Pública".
O documento, que será negociado a partir de sexta-feira com os sindicatos de professores, estipula ainda que os presidentes dos conselhos executivos e os directores são avaliados pelos directores regionais de educação e que os restantes membros das direcções executivas são avaliados pelo respectivo presidente ou director.
Na sexta-feira, o Ministério da Educação (ME) esclareceu que estava ainda a "ponderar" a utilização do Sistema Integrado de Avaliação da Administração Pública (SIADAP) para avaliar os presidentes dos conselhos executivos, depois da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) ter dado esta aplicação como adquirida.
Fonte: Visaonline

terça-feira, 25 de novembro de 2008

DREN ameaça com processos disciplinares quem apelar ao boicote da avaliação

A Direcção Regional da Educação do Norte (DREN) ameaçou hoje que irá avançar com processos disciplinares contra os professores que pressionarem colegas a boicotarem a avaliação de desempenho.Margarida Moreira, directora da DREN, assegurou, em declarações à TSF, que será “inflexível”. “Se for uma situação de coação, actuarei disciplinarmente se necessário for”, reforçou a responsável, sublinhando, porém, que está disponível para debater a questão com os professores para evitar situações como esta.Margarida Moreira apela aos docentes para reflectirem sobre a questão da avaliação, lembrando que o Ministério da Educação tem já em prática uma medida que pretende evitar boicotes ao processo. “Uma das coisas mais criticadas nos últimos dias foi o aparecimento online, por parte do Ministério da Educação, de uma plataforma para que quem voluntariamente assim o quisesse colocasse os objectivos individuais, o que foi considerado terrível e uma forma de pressão”. A directora da DREN realçou à rádio que foram registados casos de professores que “quiseram entregar os objectivos e tiveram outros colegas a dizer que não os recebiam”.As declarações da responsável surgem no mesmo dia em que os professores voltam a sair às ruas, em protesto contra o modelo de avaliação de desempenho, em mais uma acção de contestação promovida pela plataforma sindical de docentes.Até sexta-feira estão marcadas concentrações em capitais de distrito. Hoje, é a vez do Norte, com protestos em Braga, Bragança, Porto, Vila Real e Viana do Castelo. Seguem-se o Centro, Grande Lisboa e Sul. Para 3 de Dezembro está marcada uma greve nacional, sem que haja grandes perspectivas de que venha a ser desconvocada.
Fonte: Público

Unesco alerta sobre grave crise mundial na educação

Milhões de crianças em todo o mundo estão condenadas à pobreza no futuro, sem chances de ter acesso à educação, devido ao fracasso dos governos em suprimir as desigualdades sociais, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira pela Unesco.
O documento que avalia a educação no mundo para 2009, intitulado "Superando a desigualdade: por quê o governo é importante", aponta uma série de disparidades "inaceitáveis", tanto a nível nacional como internacional, que acabam anulando os esforços para alcançar os objetivos de desenvolvimento global.
Ao indicar os responsáveis pela atual situação, o relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) denuncia a indiferença política, as fracas estratégias nacionais de educação e a atitude de doadores na hora de transformar suas promessas em atos.
A esse respeito, o diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura, comparou a reação imediata dos governos frente à crise financeira atual, desembolsando trilhões de dólares, e a atitude em relação aos problemas educacionais.
"Quando os sistemas de educação estão em crise, sua repercussão é menos visível, mas não por isso menos real", explicou Matsuura.
"A desigualdade de oportunidades na educação é um fator de aumento da pobreza, da fome e da mortalidade infantil, e reduz as perspectivas de crescimento econômico", acrescentou.
E esta situação não atinge apenas os países pobres.
"Nos países em desenvolvimento, uma em cada três crianças - ou seja, 193 milhões ao todo - começam o ensino básico com problemas de desenvolvimento cerebral causados pela desnutrição, e com escassas perspectivas de adquirir uma boa educação", afirma o documento.
Quanto ao nível de escolarização global, "75 milhões de crianças em idade de freqüentar o ensino básico estão sem ir à escola em todo o mundo".
O relatório da Unesco adverte que as estatísticas relativas às crianças que não vão à escola são apenas um indicador parcial da magnitude do problema. Há, além disso, milhões de jovens que entram na escola e a abandonam prematuramente, sem terminar sequer o ensino básico.
Nos países ricos, mais de um terço dos alunos do ensino básico chega ao ensino superior e conclui seus estudos universitários. Por outro lado, na maior parte da África Subsaariana, apenas 5% deles chega à universidade, segundo o texto.
O grau de pobreza não é o único fator de desvantagem na educação. As disparidades entre meninos e meninas em matéria de escolarização continuam figurando como uma importante questão nas regiões da Ásia Meridional e da África Subsaariana.
O relatório cita ainda fatores de profunda influência, como o idioma, a raça, o grupo étnico e o local de domicílio (zona rural ou urbana).
A partir destes elementos, o documento alerta para as poucas chances reais de que se alcance, em 2015, o objetivo internacional de universalizar o ensino básico.
Segundo uma série de projeções parciais, em 2015 o número de crianças fora da escola chegará a 29 milhões, no mínimo, sem incluir os países em guerra.
Além disso, a Unesco questiona também a qualidade da educação, levando em conta o fato de que muitas crianças terminam o ensino básico sem ter adquirido habilidades elementares de leitura, escrita e matemática.
De acordo com o relatório, o analfabetismo também continua sendo um grave problema: estima-se que 776 milhões de adultos em todo o mundo (16% da população mundial) ainda não sabem ler nem escrever.
Dois terços dos analfabetos são do sexo feminino. E, se as tendências atuais persistirem, o mundo ainda terá 700 milhões de adultos analfabetos em 2015.
Fonte: AFP

Alunos classificam docente hoje distinguida com o Prémio Nacional do Professor como "diferente"

Os alunos de Jacinta Moreira, a docente da Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, que hoje recebeu o Prémio Nacional do Professor, dão-lhe a classificação de 17 valores considerando-a "diferente dos outros professores".
"A maneira como a professora Jacinta dá as aulas é diferente dos outros professores porque usa muito a Internet", disse Liliana Queirós, aluna do 11º ano da Escola Secundária Carolina Michaelis, em declarações à Lusa.
Os alunos do 11º ano caracterizam a professora como "simpática e amiga" e sustentam que ela "interage e puxa" por eles.
"As aulas são muito dinâmicas e evoluídas", afirmou Fábio Silva.
O aluno sustentou que "como usam muito a Internet isso acaba por ajudar na aprendizagem porque quem estiver interessado pode aprender mais indo ao site".
A professora de Biologia e Geologia, hoje premiada, usa a plataforma 'moodle' na Internet como fórum de discussão com os alunos.
"A professora coloca na Internet os apontamentos, os exercícios e tira dúvidas, assim é mais fácil estudar", salientou Hélder Ferreira, também em declarações à Lusa.
"É uma excelente profissional, ainda é jovem e dá-se bem connosco", acrescentou o jovem.
Os alunos da professora premiada dão-lhe a classificação de 17 valores, acrescentando que "este é o primeiro ano" que têm aulas com a docente.
"Este é o primeiro ano que temos aulas com a professora Jacinta, ainda não conhecemos muito bem o trabalho que ela fez nos outros anos, mas numa escala de zero a 20, talvez 17 valores", disse Filipa Neves.
Na segunda edição do Prémio Nacional de Professores foram premiados cinco docentes, um na categoria Prémio Nacional de Professores (Jacinta Moreira), e os restantes nas quatros categorias de mérito Carreira (Afonso Rema), Inovação (Carlos Pinheiro), Liderança (João Paulo Mineiro) e Integração (José Rocheta).
Os candidatos à atribuição do Prémio Nacional de Professores ou dos prémios de Mérito foram propostos pelos estabelecimentos de ensino ou por um grupo constituído por um mínimo de 50 docentes.
Fonte: Lusa

Ministra reconhece que nunca foi exigido tanto aos professores

Na cerimónia de entrega dos prémios aos melhores professores, na Casa da Música, no Porto, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, admitiu que os professores vivem tempos difíceis e que nunca tanto foi exigido aos docentes como agora.

Maria de Lurdes Rodrigues não referiu os dias tensos que se vivem por causa do processo de avaliação, mas reconheceu que os professores vivem dias difíceis e que ser professor é uma tarefa espinhosa.
«Os prémios de mérito, de carreira, de inovação, de integração e de liderança procuram responder àquilo que é a diversidade dos desafios que se colocam hoje aos professores. Nunca no passado houve uma tão grande exigência colocada à profissão, como às escolas, no geral», afirmou.
Para além destas quatro categorias de mérito, a ministra da Educação entregou, esta segunda-feira, o Prémio Nacional de Professores que, distingue o melhor entre os melhores.
Maria de Lurdes Rodrigues considerou que os professores enfrentam uma tarefa espinhosa, porque nunca lhes foi exigido tanto como agora.
O antigo ministro da Educação, Roberto Carneiro, presente nesta cerimónia, foi presidente do júri que escolheu os melhores professores e apelou ao fim do “braço-de-ferro” que se vive na Educação.
A professora Jacinta Moreira, eleita por unanimidade, preferiu não tomar partido relativamente ao “braço-de-ferro” entre Ministério e sindicatos, quando os jornalistas lhe perguntaram de que lado estava a razão.
«Eu sou uma professora, não sou política. Cada escola é uma realidade muito concreta e tem desafios muito particulares», afirmou.
Jacinta Moreira é uma professora dinâmica e organizada, na Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, e recusa qualquer rótulo por causa do episódio de violência entre uma aluna e uma professora, que marcou aquela instituição no passado ano lectivo.
«No país, com certeza que muitas escolas se confrontam com problemas da mesma natureza, apenas não são colocados e divulgados no “Youtube”, portanto, o que aconteceu no Carolina, não foi nada de especial», considerou.
Para Maria de Lurdes Rodrigues, Jacinta Moreira é o rosto e o símbolo do que deve acontecer em todas as escolas e um exemplo para a classe.
Fonte: Tsf

Professores iniciam hoje quatro dias de manifestações contra avaliação

Os professores regressam, esta terça-feira, aos protestos de rua, iniciando quatro dias de manifestações, plenários e desfiles em todas as capitais de distrito para exigir a suspensão do processo de avaliação de desempenho.

Os docentes da região Norte concentram-se, esta terça-feira, em Braga, Bragança, Porto, Viana do Castelo e Vila Real, ao final da tarde.
João Dias da Silva, do Sindicato dos Professores do Norte, espera uma forte mobilização e sublinha que os estudantes não vão ser prejudicadas, na medida em que os protestos acontecem depois das aulas.
«Haverá encontros das pessoas nas capitais de distrito em horas diferenciadas, as concentrações serão constituídas por um plenário durante o qual será apresentada uma moção para aprovação e em alguns vai haver um desfile até ao Governo Civil» da respectiva cidade para entrega daquele documento, explica o dirigente sindical.
Na quarta-feira é a vez da região Centro, com manifestações em Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria, Viseu e Lamego, enquanto quinta-feira os protestos realizam-se em Lisboa, frente ao Ministério da Educação, Setúbal, Santarém e Caldas da Rainha.
A semana de protestos termina sexta-feira, com manifestações em Portalegre, Évora, Beja e Faro.
A luta dos professores segue na próxima semana, com uma greve nacional a 03 de Dezembro e uma vigília de 48 horas nos dois dias seguintes na Avenida 05 de Outubro, em Lisboa, à porta do ME.
Depois, entre 09 e 12 de Dezembro estão agendadas greves regionais, que se poderão estender à semana seguinte, quando se realizam as reuniões de professores para lançamento das notas dos alunos.
Fonte: Tsf

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Docente da Carolina Michaelis recebe Prémio Nacional do Professor

Jacinta Moreira, professora de Biologia e Geologia da Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, recebeu hoje o Prémio Nacional do Professor, um galardão que distingue "aqueles que contribuem de forma excepcional para a qualidade do sistema de ensino".A docente, que recebeu um prémio com um valor pecuniário de 25 mil euros pelas mãos da ministra da Educação, sublinhou que a distinção simboliza "a potencialidade positiva de regeneração do sistema", considerando-a "um reconhecimento e um estímulo".Jacinta Moreira, que aposta na "acção, reflexão e relação" na sua actividade, realizou um mestrado no âmbito da Geologia em 2001 e do doutoramento no ramo das Ciências da Educação em 2007. Esteve requisitada na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, em 2001/2002, a leccionar a disciplina de Didáctica da Geologia, mas optou por voltar para a Escola Secundária Carolina Michaelis, onde lecciona desde 1996. Sobre o conturbado processo de avaliação de professores, Jacinta Moreira, já com 20 anos de carreira, considerou tratar-se de um processo "muito complexo", escusando-se, contudo, a tecer mais considerações sobre a matéria. "A educação é a minha prioridade. Sou professora, não sou política, cada escola é uma realidade muito concreta e tem desafios muito particulares", afirmou. Questionada sobre uma das queixas mais frequentes dos professores relativas à complexidade do processo de avaliação, Jacinta Moreira disse: "O tempo não estica e se tivermos mais horas para trabalhar as nossas actividades, para delinear as nossas estratégias e construir os nossos materiais é evidente que a probabilidade de eles serem melhores é maior". "De quanto mais tempo dispusermos, melhores serão os resultados", frisou.Professores têm "missão de uma enorme dificuldade"Na sua intervenção, a ministra Maria de Lurdes Rodrigues reconheceu que "nunca houve uma tão grande exigência colocada à profissão e às escolas no geral". "O simples enunciado de que a escolaridade é obrigatória e para todos, por um número de anos que é cada vez mais longo, atribui à escola e aos professores uma missão que é uma missão de uma enorme dificuldade", acrescentou a ministra. Maria de Lurdes Rodrigues reconhece que "os desafios mais difíceis são os se que colocam aos professores de hoje", sendo o "dever e a obrigação" do ministério "dar-lhes as condições para que possam trabalhar".Na segunda edição do Prémio Nacional de Professores foram premiados ainda outros quatro docentes nas quatros categorias de mérito Carreira (Afonso Rema), Inovação (Carlos Pinheiro), Liderança (João Paulo Mineiro) e Integração (José Rocheta). Os candidatos à atribuição do Prémio Nacional de Professores ou dos prémios de Mérito foram propostos pelos estabelecimentos de ensino ou por um grupo constituído por um mínimo de 50 docentes.
Fonte: Público

Escola da Póvoa de Varzim olhada como a "fura-greves"

Na Escola EB 2,3 de Beiriz, na Póvoa de Varzim, o processo de avaliação decorre com normalidade e dentro dos prazos.
Não há manifestações de professores, nem protestos de pais. Aos alunos, o caso quase passa ao lado. Mas aqui ser "diferente" dá direito ao olhar "reprovador" dos vizinhos e, por isso, a escola prefere agora o silêncio.
"Se uma consegue, por que é que as outras não conseguem?", questiona o presidente da Associação de Pais do Agrupamento Campo Aberto, que abrange oito escolas, do Pré-escolar ao 3.º Ciclo, num total de 1280 alunos.
Mário Ferreira não tem dúvidas de que o "segredo" assenta numa "óptima relação entre pais, Conselho Executivo e corpo docente". Cooperação, diálogo e trabalho, "sempre a pensar nos alunos", são palavras de ordem. "Trabalhámos juntos na procura de soluções que tornassem o processo mais funcional", afirma.
A escola, lembra Mário Ferreira, é "reconhecida": tem uma "orgulhosa" taxa de abandono escolar de 0,1% e uma "baixíssima" taxa de insucesso, assentes, em grande medida, na diversidade de oferta educativa e em vários programas destinados, em cada nível de ensino, a "adaptar" a escola às necessidades de cada um. Os exemplos servem para explicar que é a trabalhar "muito", "em silêncio" e "nos órgãos próprios" que a escola responde aos problemas. A avaliação de professores não foi excepção. "Os conselhos executivos têm de encontrar formas de tornar o processo menos burocrático. Às vezes, não se procura encontrar uma solução", diz Mário Ferreira.
O presidente da Associação de Pais admite que o modelo "tem coisas que podiam ser melhoradas", mas "meter a cabeça na areia não resolve". Com auto-avaliação de docentes há vários anos e avaliação externa, a definição de objectivos individuais já é prática corrente na escola e a observação das aulas não é problema.
A escola tem 115 professores, 24 dos quais titulares. Destes, dez são avaliadores. Contas feitas, haverá um máximo de nove "Excelente" e 23 "Muito Bom".
Beiriz até podia ser um exemplo a seguir, mas o facto é que o "diferente" trouxe a escola para a praça pública e, agora, são os "vizinhos" de outras escolas que a olham como a "fura-greve". Por isso, o Conselho Executivo
Fonte: JN

Sindicatos já prepararam proposta de avaliação de professores para este ano

A Plataforma Sindical de professores já tem uma proposta para a avaliação de professores este ano lectivo, que vai apresentar à ministra da Educação na reunião marcada para sexta-feira, segundo revela hoje o “Diário de Notícias”.Mário Nogueira, porta-voz sindical e presidente da Fenprof, disse àquele jornal que se trata de uma proposta simples, sem questões burocráticas e transitórias, que permitirá “salvar o ano lectivo”.Segundo explicou, os sindicatos pretendem que a avaliação seja focada na vertente científico-pedagógica e seja aplicada apenas aos professores em vias de progredir na carreira. “Excluímos qualquer solução administrativa, como por exemplo atribuir Bom a todos os professores, e qualquer simplificação do modelo actual”, disse ainda.O modelo do Ministério continua a ser recusado pelos sindicatos e Nogueira adianta apenas que a sua proposta não será semelhante ao regime simplificado aplicado no ano passado.Mas o mesmo responsável não adianta detalhes, porque a proposta elaborada ainda não foi aprovada por todos os sindicatos da plataforma.
Fonte: Público

Plataforma Estudantil lança abaixo-assinado pela demissão da ministra

A auto-denominada Plataforma Estudantil "Directores Não!" decidiu hoje lançar um abaixo-assinado reclamando a demissão da ministra da Educação e aderir à manifestação de estudantes do próximo dia 4 de Dezembro.O coordenador da Plataforma, Luís Baptista, disse que o abaixo-assinado, que pretende lançar nas escolas de todo o país, visa conseguir "dez mil assinaturas" para demitir Maria de Lurdes Rodrigues e conseguir também "uma mudança de políticas" do Governo. Reunindo hoje "cerca de três dezenas" de activistas da Plataforma, Luís Baptista afirmou que se fez o balanço das últimas manifestações de estudantes contra o Estatuto do Aluno.A Plataforma, que no passado dia 5 juntou cerca de 1500 estudantes frente ao Ministério da Educação, opõe-se ao Estatuto do Aluno por causa do regime de faltas, afirmando que, "mesmo com faltas justificadas", obriga os alunos a "fazerem uma prova que pode contar para efeitos de passagem de ano". "A morte de um familiar, compromissos desportivos ou associativos não evitam que o aluno tenha à mesma que fazer uma prova que pode pôr em risco a sua passagem de ano", disse.Os activistas da Plataforma estão também contra a criação da figura do director da escola, alguém que, afirmam "pode vir de fora da escola, pode decidir a constituição do conselho pedagógico", o que consideram um "modelo perigoso". Luís Baptista salientou ainda que as escolas do país têm carências "de professores, de funcionários, de materiais didácticos, gimnodesportivos e mesmo comodidades básicas, como aquecimento", tudo motivos que levam a Plataforma a defender a demissão da ministra e a mudança de políticas educativas.
Fonte: Público

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

«Vou continuar até ao fim», avisa ministra da Educação

O dia foi recheado de mais reuniões, um Conselho de Ministros extraordinário e a divulgação de medidas que simplificam a avaliação do desempenho dos professores.
VÍDEO DA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Poucas horas depois de ter explicado as alterações em conferência de imprensa, Maria de Lurdes Rodrigues voltou a falar do mesmo em entrevista a Judite de Sousa, na RTP1, mas também comentou algumas situações paralelas.
Professores: processo de avaliação mantém-se Ministra: «Modelo não é beliscado»
Sobre a sua continuidade no cargo, vai avisando que a sua intenção é cumprir o mandato. «O que procuro sempre, mesmo quando a margem é estreita, é cumprir com o meu compromisso até ao fim. Difícil ou fácil, é preciso cumprir o plano do Governo, preservar as muitas mudanças na Educação. A minha determinação é cumprir também com os portugueses. Nunca me faltou o apoio que solicitei e muitas pessoas solidarizaram-se», frisou, dizendo que a sua missão é «encontrar soluções».
A ministra admitiu que este modelo de avaliação «não existe noutro país da Europa», mas também «nenhum país tem os problemas que Portugal tem» em várias matérias, desde a iliteracia a matemática até ao acesso à profissão. De resto, reconhece que não é processo fácil: «Se o fosse já estava feito. É difícil, claro que é difícil».
Na perspectiva de Maria de Lurdes Rodrigues, «o objectivo destas medidas é criar mais condições para os professores, para que se sintam confortáveis». Para isso, pretende ouvir novamente os professores esta sexta-feira, porque «o trabalho não termina aqui».
Falta de condições
Mesmo fugindo a muitas perguntas, a responsável pela pasta da educação reconhece não ter dado às escolas «as condições para fazer bem». «Mas estamos a tempo de dar essas condições», vincou.
Também falou da tal reunião com a Fenprof que durou apenas 20 minutos: «Correu bem para a Fenprof e correu bem para mim, porque tive a oportunidade de dizer que não aceitava suspender a avaliação. Não estava disponível para aceitar e tive oportunidade de explicar, o que é um avanço. Cada um alcançou os seus objectivos, mas podíamos ter conversado muito mais».
Envolvida num turbilhão, Maria de Lurdes Rodrigues comenta a possibilidade de existir uma dimensão política nos protestos. «Em referência ao período eleitoral que se aproxima, há uma tentativa de aproveitamento da situação. Quando as coisas mudam de patamar, com o envolvimento de actores de tipo diferente, reduzimos a margem de concertação e diálogo. Não dramatizo essas dimensões, mas procuro tentar percebê-las.»
Ainda no campo político, a ministra falou de quem está ao seu lado: «Sinto o apoio do Presidente da República e de outras instituições. Sinto muito apoio»
Uma última palavra aos pais devido à eventual greve às avaliações: «Isso não é possível. Quero, aliás, expressar a minha preocupação com o bem-estar, qualidade de ensino e clima das escolas. Pretendo zelar para que seja defendido o interesse dos alunos. Já na greve aos exames encontrámos soluções e desta vez também procuraremos saídas para proteger o direito dos alunos à avaliação».
Leia sobre este tema:
Professores: contestação «não vai abrandar», diz FNE
Avaliação profes: pais falam em nova negociação
Educação: oposição descontente com novas medidas
Professores reagem a ministra: «Mantemos as reivindicações»
Educação: Ministério convoca Sindicatos para reuniões
Professores: Ferreira Leite alerta para «encenação» por parte do Governo
Avaliação: Governo nega ilegalidade da aplicação electrónica
Fonte: Portugal Diário

"Soluções" da ministra mantêm crise na avaliação

Ministra predispôs-se a deixar cair por um ano o reflexo das notas dos alunos, a tornar facultativa a observação de aulas (implica a perda de acesso ao Muito Bom e Excelente) e a simplificar processos. As "soluções" foram criticadas por sindicatos e o Conselho das Escolas está cauteloso
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, anunciou ontem um conjunto de "soluções" para simplificar a avaliação dos professores. Mas as novidades, que incluem a compensação horária dos avaliadores e a dispensa a prazo de considerar os resultados dos alunos, tiveram notas "insuficientes" da parte dos sindicatos e mesmo o Conselho das Escolas - cuja vontade a ministra disse cumprir ao manter o modelo - reagiu com cautela.Lurdes Rodrigues já tinha dado a entender que iria responder até final da semana às recomendações dos parceiros, ouvidos em reuniões realizadas na terça e quarta-feira. E a resposta ganhou contornos reais ao princípio da tarde de ontem, quando foi anunciada uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros com esse fim. Durante pouco mais de duas horas, foram discutidas formas de simplificar um processo criticado por escolas e sindicatos. No final, surgiram três grandes alterações: os professores podem agora pedir para ser avaliados por um avaliador da mesma área; a dispensa da análise dos resultados escolares dos alunos na avaliação dos docentes; e a passagem de três para duas aulas a serem observadas. Quem quiser pode mesmo dispensar este parâmetro, mas deixa de poder ser avaliado com Muito Bom ou Excelente.Estas modificações visam algumas das questões mais criticadas, e são acompanhadas de outros "alívios" à carga de trabalho dos professores. "Desde logo rever e simplificar as fichas de avaliação e auto-avaliação, bem como os instrumentos de registo, dispensar as reuniões entre avaliadores e avaliados em caso de acordo, simplificar o regime de avaliação dos professores avaliadores e compensar nos respectivos horários a sua sobrecarga de trabalho", explicou Maria de Lurdes Rodrigues. Escolas esperam para verO discurso da ministra aparentou conter algumas críticas à interpretação do modelo pelas escolas. Por exemplo quando, a propósito das polémicas metas para reduzir o insucesso e abandono dos alunos, veio referir o facto de "na definição de objectivos, as metas quantitativas das escolas se terem traduzido na multiplicação de submetas quantitativas dos professores".Mas Lurdes Rodrigues considerou também que as suas propostas vieram "criar condições" para que o processo de avaliação - cuja suspensão nunca admitiu - continue a decorrer nas escolas, o que considerou ser "a vontade" destas.As "soluções" e a sua eficácia causaram, no entanto, uma primeira reacção cautelosa. Álvaro dos Santos, presidente do Conselho das Escolas - estrutura que já pediu formalmente a suspensão da avaliação -, admitiu que as medidas poderão ir no sentido de "simplificar alguns dos obstáculos burocráticos denunciados", mas preferiu esperar para ver: "Não estou optimista nem pessimista. Esta sexta-feira terei uma reunião com a senhora ministra e poderei avaliar melhor a situação."Já em relação aos alunos, Álvaro dos Santos considerou que "as próprias fichas [de avaliação dos professores] conduziram as escolas para estabelecer metas". "Não me parece que a senhora ministra esteja a responsabilizar as escolas", defendeu.
Fonte: DN

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)