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quarta-feira, 14 de novembro de 2007

ATL em risco de extinção - cem mil crianças podem ficar sem atendimento

Cem mil crianças sem atendimento e despedimento de mais de 12 mil trabalhadores. De acordo com o padre Lino Maia, será este o resultado se não houver retrocesso naquilo que define como uma “ofensiva do Governo para encerrar mais de mil equipamentos de Centros de Actividades de Tempos Livres (ATL)”. Esta “ofensiva” passa pela proposta do Ministério de Educação de alargamento do horário escolar no 1.º Ciclo, que visa, segundo o responsável, promover as Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) em detrimento dos ATL. Segundo uma listagem do Ministério de Educação, são 200 as instituições escolares que não reúnem as condições para receber actividades de enriquecimento curricular e onde se deveria manter o ATL clássico.O padre Lino Maia diz que o número apresentado está nivelado por defeito. “Na prática, temos conhecimento de que há muito mais situações. Houve alguma pressa e propaganda na apresentação dos números”, afirma o presidente da CNIS, acrescentando ainda que “mesmo em escolas onde já montaram o serviço das AEC, a qualidade não está garantida”.
Fonte: Correio da Manhã

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)