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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Avaliação externa do 2.º ano do PNL revela aumento do interesse dos alunos pela leitura

A avaliação externa do 2.º ano do Plano Nacional de Leitura (PNL) revela um aumento do interesse ou gosto dos alunos do pré-escolar e dos 1.º e 2.º ciclos pela leitura, de acordo com um inquérito feito em linha a todos os agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas.
O inquérito apresenta como resultados e impactos do PNL um crescimento do interesse ou gosto dos alunos pela leitura, bem como o desenvolvimento e a melhoria de competências e resultados dos alunos e o reforço das actividades de promoção da leitura nos agrupamentos de escola e nas escolas não agrupadas.
As respostas das escolas demonstram uma intensificação das práticas de leitura dos alunos, em diversos contextos, bem como um aumento da frequência da utilização de bibliotecas pelos alunos.
A quase totalidade dos agrupamentos e das escolas desenvolveu leitura orientada em sala de aula no pré-escolar (82,4 por cento), no 1.º ciclo (98,3 por cento), no 2.º ciclo (98,4 por cento) e no 3.º ciclo (83,3 por cento).
Os resultados revelam ainda que a maioria dos agrupamentos e escolas participou nas iniciativas promovidas pelo PNL, designadamente na semana da leitura (87,6 por cento), na celebração do Dia Mundial do Livro (75,7 por cento) e no concurso nacional de leitura (28,4 por cento).
Quanto ao papel das bibliotecas escolares, 78,9 por cento dos agrupamentos e escolas não agrupadas consideram as bibliotecas escolares muito importantes para o desenvolvimento das actividades do PNL nas escolas.
De acordo com o relatório de actividades do Plano Nacional de Leitura (PNL), apresentado por António Firmino da Costa na II Conferência do PNL, as principais dinâmicas neste segundo ano centraram-se nos seguintes objectivos:
Consolidação e acompanhamento dos programas em curso;
Aprofundamento da divulgação do PNL;
Lançamento de iniciativas dirigidas a diferentes públicos;
Alargamento das áreas de estudo sobre a leitura;
Consolidação e ampliação de parcerias;
Envolvimento de organizações de outras áreas;
Estabelecimento de parcerias internacionais.
Destaca-se a consolidação ao nível dos projectos de promoção da leitura nas escolas, actividades de leitura orientada nas aulas, nos jardins-de-infância, nos 1.º e 2.º ciclos, bem como o alargamento das actividades de leitura orientada ao 3.º ciclo e das listas de obras recomendadas.
O PNL disponibilizou sítios electrónicos sobre leitura e sobre promoção de leitura, tendo sido reformulado o sítio Ler +, um instrumento essencial na comunicação com docentes, bibliotecários, famílias e com a generalidade dos cidadãos.
Foram ainda lançadas duas páginas electrónicas: Clube de Leituras, um agregado de blogues e sítios realizados por uma comunidade de interessados em leituras de todos os tipos, e Promoção da Leitura nos Países da OCDE, que apresenta e descreve 312 projectos desenvolvidos em 28 países.
O segundo ano do Plano Nacional de Leitura ficou também marcado pela inovação ao nível das actividades e dos actores. Foi distribuído um livro a todos os alunos que entraram no 1.º ano de escolaridade em 2008/2009 e surgiram novos projectos, a saber:
- Projecto "Leitura Vai e Vem", em conjunto com profissionais de educação infantil e famílias (mochilas para as crianças transportarem livros do jardim-de-infância e sugestões de actividades de leitura em família);
- Projecto "Ler + em vários sotaques", com o Alto Comissariado para a Imigração e o Diálogo Intercultural (leitura em voz alta nas escolas, em vários sotaques regionais e nacionais);
- Projecto "Ler + dá saúde", com médicos e outros profissionais de saúde (caixas com livros e outros materiais, em consultórios, centros de saúde e hospitais, visando o aconselhamento da leitura em família, para crianças entre os 6 meses e os 6 anos);
- Projecto "A ler +", versão portuguesa de "Reading Connects" (envolvimento de toda a comunidade educativa na promoção da leitura - preparação de projectos em 32 escolas, com os presidentes dos conselhos executivos e coordenadores das bibliotecas escolares, bibliotecários municipais e coordenadores concelhios da Rede de Bibliotecas Escolares.
Para mais informações, consultar o sítio do Plano Nacional de Leitura.
Fonte: Portal da Educação

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Aplicação do acordo ortográfico criará dificuldades no ensino - professora do Canadá

A aplicação do Acordo Ortográfico criará dificuldades ao nível do ensino do Português como segunda língua, advertiu hoje, em declarações à Lusa, a professora Isabel Leiria, linguista e professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Isabel Leiria falava à Agência Lusa durante o Congresso Internacional sobre o Ensino de Português nas Universidades da América do Norte, a decorrer até sábado na Universidade de Toronto, Canadá.
"O conceito de facultatividade introduzido nesta versão do Acordo Ortográfico de 1990, que permite que no mesmo espaço se usem duas grafias, irá apresentar dificuldades ao nível do ensino do português como segunda língua", alertou esta docente do Departamento de Linguística Geral e Românica da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
"À partida esta situação poderia parecer relativamente inócua, até porque há muitas palavras em que há dupla grafia. Mas quando já jovens a aprender na escola o português como língua segunda ou como língua estrangeira, estando numa fase de interlíngua e em contacto com várias realidades dialectais, o conceito de facultatividade traz dificuldades e o professor pode perder autoridade no ensino da língua", explicou Isabel Leiria que é especialista em linguísticas educacional e portuguesa.
"O vocabulário ortográfico é, assim, necessário, mas mesmo assim não sei se resolverá todos os casos. É difícil encontrar uma solução para esta questão", indicou ainda a docente, autora no congresso de uma alocução intitulada "Implicações do Português no Ensino do Português"-
Promovido pelo Departamento de Espanhol e Português da Universidade de Toronto, este congresso aborda como tema principal a situação e os desafios que se colocam ao ensino da língua lusa nas universidades norte-americanas.
Para a professora Manuela Marujo, da Universidade de Toronto, o grande desafio é fazer com que a "sociedade, como a canadiana, valorize o ensino das línguas maternas que não sejam o inglês [no caso do Ontário]".
Esta docente observou à Lusa o paradoxo de o Canadá ser uma sociedade multilingue e, no entanto, "nem as direcções escolares ou as próprias universidades valorizam ou investem nas línguas que muitos alunos já trazem de casa e que aqui poderiam desenvolver, o que é uma perda inestimável, pois as pessoas acabam por ser obrigadas a perder a línguas maternas", concluiu.
Fonte: Rtp.pt

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Acordo Ortográfico: Nova ortografia já devia estar a ser ensinada nas escolas - Malaca Casteleiro

O linguista português Malaca Casteleiro criticou hoje o Ministério da Educação pela ausência de um calendário para a entrada em vigor do novo acordo ortográfico no ensino de Português.
"É lamentável que, da parte do Ministério da Educação, ainda nada tenha sido dito quanto à aplicação do novo acordo", considerou Malaca Casteleiro, à margem da cerimónia de abertura do 7º Colóquio da Lusofonia, que decorre em Bragança até domingo.
O professor da Academia de Ciências de Lisboa é o patrono deste evento destinado a discutir as questões da Língua Portuguesa e da Lusofonia.
O acordo ortográfico tem sido um tema presente, com o linguista português a considerar que 2008 "tem sido particularmente importante para a promoção da Língua Portuguesa".
"Vejo este movimento muito positivo porque, pela primeira vez, ao fim de uma batalha de quase 20 anos, verificamos que os poderes públicos em Portugal e no Brasil finalmente consideraram que a Língua Portuguesa é muito importante", considerou.
Para Malaca Casteleiro, o Português foi colocado finalmente "no centro da política externa dos respectivos países e também da própria CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa)".
Lembrou, nomeadamente, a posição recente do Presidente português, Aníbal Cavaco Silva, na defesa da integração da Língua Portuguesa, falada por 230 milhões de pessoas, como idioma oficial de trabalho nas Nações Unidas.
O especialista só não entende a posição do Ministério da Educação luso relativamente ao Acordo Ortográfico.
"Não faz sentido que as crianças que entraram este ano na antiga primeira classe não aprendam já a nova ortografia", considerou.
"Porque é que eles hão-de estar a aprender que «óptimo» se escreve com um «p» para depois virem a suprimir o «p» daqui a dois ou três anos?", questionou.
Para Malaca Casteleiro, "é necessário estabelecer um calendário de entrada em vigor do acordo ortográfico", admitindo, porém, que o prazo de seis anos estabelecido por Portugal "é justo para os editores se adaptarem".
Contudo, entende que, em matéria de edições, a nova ortografia vem interferir apenas com os manuais escolares, obrigando à sua imediata adaptação.
Já as obras literárias, "podem ir-se esgotando na ortografia actual para, depois, em novas edições, adaptarem-se à nova ortografia"
Relativamente aos dicionários, Malaca Casteleiro defendeu que os que agora vierem a ser publicados "devem adaptar-se ao novo acordo ortográfico".
Isso mesmo, segundo disse, ocorrerá já com a segunda edição do dicionário da Academia das Ciências de Lisboa, trabalho que está avançado mas parado por falta de financiamento.
"Mas irá, com certeza, ser retomado e concluído de acordo com a nova ortografia", referiu.
Fonte: Visaonline

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Mais 3500 alunos vão aprender Português na Europa

O ano lectivo de Português na Europa arranca este ano com mais 3.500 alunos e mais horas lectivas, mas quase o mesmo número de professores que no ano passado, revelam dados do Ministério da Educação citados pela agência Lusa.
No ano lectivo de 2008-2009, as aulas de Português em nove países europeus serão frequentadas por 58.228 alunos (54.700 no ano anterior), num total de 482 horários que representam cerca de 9.680 horas lectivas, mais 280 horas relativamente à rede de cursos aprovada para o ano anterior.
No ano lectivo de 2007-2008, a rede oficial de ensino de Português no estrangeiro integrava 517 professores distribuídos pela Alemanha, Andorra, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Luxemburgo, Reino Unido, Suíça e África do Sul.
«O número de professores é praticamente o mesmo, mas conseguimos concentrar os horários e portanto há mais 30 horários completos, o que reduz os incompletos e estabiliza o quadro de professores», disse à agência Lusa o secretário de Estado adjunto e da Educação, Jorge Pedreira.
Número de inscritos aumenta em Espanha
A Espanha foi o país que mais aumentou o número de inscritos nos cursos de Português, passando de 9 mil para 10.644 alunos, seguindo-se a Suíça, com um aumento de mais de 900 alunos, e a França, onde o número de inscritos cresceu dos 16.146 para 16.752. Em sentido oposto, o Reino Unido perdeu mais de duas centenas de alunos.
Em termos financeiros, a proposta de orçamento para o ensino de Português no estrangeiro sofrerá este ano um aumento de 425 mil euros, situando a despesa com esta área nos 37,9 milhões de euros.
Segundo Jorge Pedreira, este valor poderá ainda ser revisto, uma vez que deverá ter lugar uma actualização salarial dos professores que não têm aumentos desde 2006.
O início das aulas de Português na Europa segue o calendário escolar dos países de acolhimento, com o ano lectivo a começar nas primeiras semanas de Agosto na Alemanha e na Suíça e até 15 de Setembro nos restantes países.
«Este ano, há uma grande continuidade dos professores e foram apenas colocados a concurso 41 horários num total de quase 500. Não há nenhuma razão para que haja atrasos», disse Jorge Pedreira, ressalvando contudo o caso da Alemanha, onde habitualmente o arranque das aulas sofre atrasos.
Jorge Pedreira atribui os problemas de colocação de professores na Alemanha à «grande flutuação de alunos» e ao «desinvestimento dos estados alemães na renovação do corpo docente» à medida que os professores se vão reformando.
No último ano, cerca de 250 alunos ficaram sem aulas de Português na Alemanha, situação que a coordenadora do ensino de Português naquele país acredita não se repetirá este ano.
Maria Antonieta Mendonça disse à Lusa que este ano há apenas seis horários sem professor atribuído, que deverão ser preenchidos até 15 de Setembro.
«As listas dos candidatos aprovados já foram publicadas e sexta-feira terminou o prazo para as reclamações», explicou, adiantando que não deverá haver qualquer problema para o preenchimento destes horários, que representam cerca de 450 alunos dos 8.200 inscritos na Alemanha.
A abertura do ano lectivo começou em alguns estados alemães no início de Agosto e prolonga-se até 15 de Setembro.
Na Alemanha, a maior parte dos Estados assumiu a responsabilidade pelo ensino de Português, enquanto outros atribuem subsídios ou cedem espaços para as aulas de Língua Portuguesa.
Na Suíça, o ano lectivo está a arrancar igualmente de forma faseada desde 11 de Agosto, estando previsto para esta semana o início das aulas nos cantões de Valais, Genebra, Vaud e Ticino.
Fonte: Portugal Diário

domingo, 17 de agosto de 2008

Cerca de 17 mil alunos aprendem Português no ensino médio e secundário no Senegal

Cerca de 17 mil alunos do ensino médio e secundário do Senegal estudam a Língua Portuguesa e 700 estudantes frequentam o curso de Português da Faculdade de Letras e Ciências Humanas da Universidade Cheick Anta Diop (UCAD) de Dacar."O Senegal é um caso único em África no que se refere ao ensino da Língua Portuguesa, que é aprendida nos liceus de dez das onze regiões do país", afirmou o responsável no Senegal pelo Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões (CPL-IC), José Horta, à Lusa. O país africano recebeu o estatuto de observador associado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) durante a cimeira do grupo lusófono ocorrida a 24 e 25 de Julho, em Lisboa. Segundo José Horta, existem mais alunos a aprender Português no Senegal do que em França, país com uma grande comunidade de luso-descendentes. "Desde a independência do país, em 1960, é obrigatório os alunos a partir do 8º ano aprenderem - além do Francês e Inglês, obrigatórios - uma outra língua estrangeira e entre elas está o Português. Este factor foi significativo para a divulgação da nossa língua no Senegal", referiu. José Horta disse que, consoante a região, o Português é a segunda ou terceira língua estrangeira opcional mais ensinada no Senegal. O Castelhano ainda é a língua de preferência dos estudantes. Passado português Na região sul da nação africana, o Português ultrapassa o Castelhano na preferência dos alunos e abrigando cerca da metade dos professores da língua de Camões do país. "Isso tem uma explicação, já que a região de Casamança - que pertenceu a Portugal até o século XIX - fica próxima da fronteira com a Guiné-Bissau e muitas famílias estão divididas entre os dois países", referiu. "Fala-se também o crioulo guineense nessa região do Senegal, que também é cristã, o que facilita a aprendizagem e a escolha do português pelos alunos", argumentou o responsável pelo CLP-IC. No entanto, os alunos das regiões do norte do país, mais islamizadas, preferem aprender o árabe. Os alunos universitários que concluem o curso de Português acabam por tornar-se professores, tradutores ou trabalham na área do turismo. Actualmente, o Senegal possui uma associação de professores de Português que conta com 170 docentes, formados maioritariamente na UCAD. "O Instituto Camões, que actua no Senegal desde 1975, inaugurou o Centro de Língua Portuguesa a 10 de Junho de 2006", disse José Horta, Professor de Literatura e Cultura Portuguesa e Metodologia do Ensino de Português da UCAD. O Centro de Língua Portuguesa está localizado em duas salas da UCAD, abrigando uma biblioteca, uma sala para estudos, exposições de filmes, uso de material informático e ainda a orientação realizada por dez monitores, dois pagos pela Universidade e oito bolseiros do Instituto Camões, maioritariamente senegaleses. "O Centro serve como apoio aos estudantes que necessitam de um espaço para estudar e também oferece cursos de Português à população em geral. Todos os anos, oferecemos três cursos com duração de três ou quatro meses, com média 20 alunos em cada um", garantiu Horta, que também lecciona no CPL-IC. Com uma população estimada em 12,8 milhões de pessoas, a República do Senegal situa-se na costa ocidental da África e faz fronteira com a Guiné-Bissau, Mauritânia, Mali, Guiné-Conacri e Gâmbia. A língua oficial é o Francês e são igualmente usados os vários dialectos locais.
Fonte: Público

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Ministério da Educação oferece um livro a todos os alunos do 1.º ano

O Ministério da Educação vai oferecer um livro a todos os 115 mil alunos do 1.º ano de escolaridade, no início do próximo ano lectivo, numa iniciativa que pretende assinalar o início da vida escolar dos alunos, incentivando, desde cedo, o gosto pela leitura.
Esta operação envolve a aquisição de um total de 115 mil livros e a sua distribuição a cerca de 1500 agrupamentos, que abrangem 6500 escolas do 1.º ciclo da rede pública, e a 600 escolas da rede privada, até 28 de Agosto de 2008.

Com a intenção de salientar as variadas possibilidades que se oferecem aos leitores, esta iniciativa procura diversificar a oferta, convidando todas as editoras com livros recomendados nas listas do Plano Nacional de Leitura (PNL), para esta faixa etária, a apresentarem propostas de fornecimento, incluindo a entrega nas escolas.

A distribuição será feita pelas sedes de agrupamento, que asseguram a redistribuição pelas respectivas escolas, e pelas direcções regionais de educação na rede de ensino privado (encarregando-se a direcção de cada escola de assegurar o levantamento).

O PNL envia também a todas as escolas uma etiqueta e uma brochura destinada a chamar a atenção das famílias para o papel do livro e da leitura no desenvolvimento das crianças e no sucesso escolar.

Os conselhos executivos/direcções das escolas, as equipas das bibliotecas escolares e os professores responsabilizam-se pela organização da iniciativa, que implica a distribuição dos livros, das brochuras e das etiquetas a todos os professores do 1.º ano de escolaridade, para permitir que os entreguem às crianças e às famílias.

A recepção dos alunos e das famílias deve ser organizada de modo a que a oferta dos livros e das brochuras seja vivida como um momento especial que crie um ambiente festivo à volta do livro e que valorize a leitura na escola e em família.
Fonte: Portal da Educação

terça-feira, 24 de junho de 2008

Especialistas discutem desafios do ensino da Língua do pré-escolar ao básico

Cerca de 150 docentes e investigadores discutem na próxima semana em Coimbra os desafios que se colocam ao ensino da língua portuguesa desde o pré-escolar ao básico, nomeadamente com a introdução do Acordo Ortográfico.
O encontro visa reflectir as práticas de ensino e de leitura, e em particular o modo como a escola ensina a ler, a escrever e a contactar com o texto literário.O 1º Encontro Internacional do Ensino da Língua Portuguesa decorre nos dias 30 de Junho e 1 de Julho e reúne professores do ensino básico e superior, entre os quais dois docentes da Universidade.«Estamos a viver um momento de refrescamento em todo o ensino da língua materna, em que há uma atenção particularizada à aprendizagem precoce», disse Pedro Balaus Custódio, da comissão científica do encontro, cujo programa foi hoje divulgado.Na opinião daquele docente da Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC), a remodelação, em curso, dos programas curriculares do ensino básico irá trazer uma «abordagem nova do ensino da língua portuguesa, que passa a ser contínuo».De que forma o Acordo Ortográfico irá mudar as práticas lectivas e os hábitos de leitura é uma das questões em discussão no encontro, organizado pelo ESEC.Entre os oradores estão Carlos Reis, da Universidade de Coimbra e Universidade Aberta, defensor do novo Acordo Ortográfico.«Como somos minoritários em termos de falantes, se não mudarmos ficaremos reduzidos a uma variante do português, o europeu», considerou Pedro Balaus Custódio.Para o também coordenador do Programa Nacional do Ensino do Português para o distrito de Coimbra, o Acordo Ortográfico «é uma questão política da língua» que «estará a ser empolada, até porque as alterações previstas são pontuais».Durante o encontro, serão discutidos temas em torno do ensino do português enquanto língua materna e segunda língua, a promoção da leitura e da escrita, o ensino precoce da literatura, a oralidade em contexto lectivo e o ensino da gramática.«Ler para crescer, crescer para ler», «A avaliação do impacto do Plano Nacional de Leitura e da rede de bibliotecas escolares», «O ensino da compreensão para a eficácia da leitura», «A inclusão e o sucesso educativo nas ‘mãos’ dos professores da língua materna» e «A língua em evolução, os acordos ortográficos» são algumas das intervenções previstas.No primeiro dia do encontro, será apresentado um estudo sobre «Português Língua Não Materna», realizado com crianças da Europa de Leste.
Fonte: Sol

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Lançamento do Projecto aLeR+

Criar uma cultura de escola em que o prazer de ler e a leitura são elementos centrais e transversais a todas as actividades é o principal objectivo deste projecto. A iniciativa aLeR+ é lançada no âmbito do Plano Nacional de Leitura e pretende criar uma cultura de escola, em que o prazer de ler e a leitura são elementos centrais e transversais a todas as actividades curriculares e extracurriculares.
aLeR+ pretende também envolver todos os elementos da comunidade educativa: alunos, docentes, não docentes, bibliotecários, famílias, voluntários, autarcas e todos os cidadãos e organizações da sociedade civil, salienta a tutela.
O projecto resulta de uma iniciativa do Plano Nacional de Leitura, da Rede de Bibliotecas Escolares e da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas; é concebida com base no projecto Reading Connnects, do National Reading Trust, do Reino Unido.
O projecto Reading Connects integra uma rede de escolas em todo o Reino Unido e o seu impacto significativo na elevação dos níveis de literacia e na consolidação dos hábitos de leitura da população escolar é também realçado pelo Ministério da Educação. Refira-se ainda que 2008 é celebrado no Reino Unido como Ano Nacional da Leitura, uma comemoração que é aproveitada pela Reading Connects para a apresentação de actividades diversas, a realizar até Dezembro de 2008. Neste mês sugere-se a celebração de todas as formas de escrita e tecnologia focando, entre outros temas, a realidade virtual, o futuro da comunicação e o universo dos blogs. O projecto aLeR+ é lançado no dia 20 de Junho, com o apoio da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular e da Fundação Calouste Gulbenkian. O evento, que tem lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, prevê a apresentação de várias comunicações de convidados estrangeiros e nacionais, bem como um espaço para a colocação de perguntas.
Fonte: Texto Editores

Plano Nacional de Leitura

sábado, 17 de maio de 2008

Acordo Ortográfico: Ministro brasileiro da Educação quer acertar com Portugal cronograma para implantação

O ministro brasileiro da Educação, Fernando Haddad, disse hoje à Lusa que o Brasil quer acertar agora com Portugal uma agenda para implantar as medidas propostas no Acordo Ortográfico, após a aprovação pelo Parlamento português na sexta-feira do segundo protocolo modificativo.
O governo brasileiro recebeu com muita satisfação a decisão da Assembleia da República de Portugal de aprovar o segundo protocolo modificativo, que abre caminho para a entrada em vigor do Acordo Ortográfico em Portugal.

"O Acordo Ortográfico simboliza o sentimento de unidade dos países de língua portuguesa e permitirá o aprofundamento da cooperação e integração internacional entre os países membros da CPLP", declarou Haddad à Lusa.

O ministro brasileiro disse que quer marcar duas reuniões com a sua homóloga portuguesa, Maria de Lurdes Rodrigues, uma em Lisboa e outra em Brasília, para acertar o cronograma de implantação das medidas estabelecidas no Acordo Ortográfico.

Nesse encontro, o ministro apresentará a Portugal a proposta elaborada pela Comissão para Definição da Política de Ensino-Aprendizagem, Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa (COLIP), que prevê o início da reforma ortográfica da língua portuguesa no Brasil já a partir de Janeiro de 2009.

Esta proposta prevê um prazo de transição de três anos para que a nova ortografia seja plenamente adoptada no Brasil.

O ministro informou ainda à Lusa que já ordenou à Secretaria de Educação Básica a produção de um manual com as medidas do Acordo Ortográfico e instruções para os professores, que será distribuído pela Rede Pública de Educação Básica em todo o Brasil.

A Academia Brasileira de Letras também recebeu com entusiasmo a decisão da Assembleia da República de Portugal, considerando a aprovação como um "marco histórico".

"Inscreve-se, finalmente, a língua portuguesa no rol daquelas que conseguiram beneficiar-se há mais tempo da unificação de seu sistema de grafar, numa demonstração de consciência da política do idioma e de maturidade na defesa, difusão e ilustração da língua da lusofonia", afirmou o presidente da Academia Brasileira de Letras, Cícero Sandroni.

Na opinião do académico Marcos Vilaça, que presidiu a ABL entre 2006-2007 e cuja gestão incentivou a aceleração do processo para a aprovação do Acordo, Portugal acaba de dar "prova de grande maturidade e modernidade".

"A simplificação do emprego do idioma vai possibilitar o incremento das relações culturais na comunidade lusófona", destacou.
Fonte: Rtp.pt

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Secretário de Estado promove Português nos Estados Unidos

O secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, desloca-se aos Estados Unidos e El Salvador de 11 a 20 de Maio, para promover o ensino do Português e participar numa reunião ministerial da Organização dos Estados Ibero-americanos.

Segundo um comunicado do Ministério da Educação, Jorge Pedreira vai assinar um memorando de entendimento com a Universidade Estatal da Califórnia, em Stanislaus, que prevê o " apoio mútuo no desenvolvimento e divulgação do ensino do Português e da formação de professores".

Durante a estada nos Estados Unidos, de 11 a 16 de Maio, Jorge Pedreira visitará diversas escolas e instituições da Califórnia onde decorrem cursos de Língua Portuguesa, "bem como universidades onde o ensino de Português também é relevante, designadamente a de Berkeley".

O Ministério da Educação recorda na nota à imprensa a criação de duas coordenações de ensino de Português para os Estados Unidos, em Boston e na Califórnia, contando a última com uma "coordenadora nomeada por despacho conjunto dos Ministérios da Educação e dos Negócios Estrangeiros" já em exercício de funções.

Depois dos Estados Unidos, Jorge Pedreira desloca-se a El Salvador, onde representará Portugal na XVII Conferência de Ministros da Educação da Organização dos Estados Ibero-americanos, que se realiza entre 18 e 20 de Maio.

Integram a organização a Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, República Dominicana, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Guiné Equatorial, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, Porto Rico, Uruguai e Venezuela.
Fonte: Lusa

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O Português para Falantes de Outras Línguas

Divulga-se o documento O Português para Falantes de Outras Línguas, homologado a 22/04/2008, resultado de uma parceria entre a DGIDC, a ANQ e o IEFP. Este Referencial destina-se a adultos não nativos e o perfil linguístico-comunicativo de saída corresponde ao nível A2.
Sugestões de actividades e exercícios.
Fonte: DGIDC

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Aulas conjuntas com professores de matemática e português ajudam a melhorar resultados na matemática

Aulas conjuntas com professores de matemática e português e utilização de materiais manipuláveis na sala são algumas das estratégias usadas pelas escolas para conquistar o interesse dos alunos pela matemática, apresentadas quarta e quinta-feira numa conferência em Lisboa.

Os casos de algumas escolas que estão a tentar despertar o interesse dos alunos pela matemática, ao abrigo do Plano de Acção que o Governo iniciou em 2005 para combater as taxas de insucesso nesta disciplina, vão ser apresentados quarta e quinta-feira em Lisboa numa Conferência Internacional sobre o Ensino da Matemática, na qual participam ainda especialistas internacionais, com relatos das experiências dos seus países.

Na Escola Secundária de São Pedro, em Vila Real, foram detectados problemas de 'literacia' em matemática e, para os ultrapassar, os alunos do nono ano têm aulas de estudo acompanhado com um "par pedagógico", formado por um docente de matemática e outro de língua portuguesa.

"Neste formato, em que os dois professores são responsáveis pelo que se passa na sala de aula, trabalha-se a comunicação no seu todo e especificamente a comunicação matemática", afirmou à Agência Lusa Ilda Lopes, professora de matemática há mais de 20 anos e coordenadora do projecto, realçando que "não há matemática sem interpretação, sem leitura, sem tomar decisões".

Os docentes das duas áreas trabalham em colaboração, preparando tarefas onde os alunos terão de treinar ou experimentar a sua capacidade de comunicação, escrita ou oral, a partir de diferentes formatos, tais como gráficos, tabelas, esquemas ou interpretação de dados das notícias.

O Plano de Acção para a Matemática implementado pela escola de São Pedro aposta muito nas "designadas práticas na sala de aula", segundo as quais os alunos não se limitam a ouvir o professor a expor a matéria, mas são também chamados a "experimentar, a fazer, a raciocinar".

Os estudantes podem trabalhar com os mais diversos materiais manipuláveis e tecnológicos, tais como peças (tipo lego) para construir formas geométricas - desde pirâmides, bipirâmides, prismas -, conjuntos de dados (cubos e bipirâmides), cartas lúdicas, jogos ou líquidos coloridos.

Todos os alunos dos sétimo, oitavo e nono anos têm ainda um bloco de aula por semana com dois professores de matemática, em que um docente presta assessoria ao outro, e se aposta na resolução de problemas, tarefas de investigação, trabalho de projecto, experiências aleatórias e jogos, actividades que podem ser realizadas em grupo ou individualmente.

Também na Secundária Frei Gonçalo de Azevedo, em Cascais, a experiência está a mostrar que dois professores na sala de aula duas vezes por semana - nas turmas do terceiro ciclo e ainda no quinto ano - permitem "um trabalho mais motivador e fazer com que os alunos não desistam tanto".

"Acaba por ser uma mais valia para os alunos e não só. De um ponto de vista, são dois professores a apoiar a turma e por outro lado permite aos professores reflectir e trabalhar em conjunto, o que é uma mais valia para o desenvolvimento profissional", disse à Lusa a professora Cristina Tudela.

"Temos de reflectir sobre as nossas práticas para conseguirmos evoluir a nível profissional e muitas vezes temos dificuldades, porque temos muitos alunos, muitas turmas", salientou, referindo que "dois professores na sala de aula, às vezes com visões diferentes do que é a matemática e da forma de trabalhar, faz com que as pessoas tenham de procurar as estratégias mais adequadas e permite experimentar coisas", como as novas tecnologias e outro tipo de materiais.

Entre outras vantagens, Cristina Tudela salienta que o Plano de Acção permitiu ainda uma reunião semanal entre os docentes da disciplina, a introdução de um professor de matemática para ajudar na área não disciplinar do estudo acompanhado e uma disciplina de oferta da escola, para "desmistificar o que é a matemática", através de uma grande componente lúdica.

Quanto aos resultados, as responsáveis de ambas as escolas dizem que "estes nunca se medem a três anos, medem-se sempre a médio e longo prazo".

"Não temos ainda dados que nos permitam dizer com certeza que os alunos estão a aprender mais desta forma, mas sinto que houve uma evolução muito positiva e que no geral os alunos têm mostrado mais interesse", disse Cristina Tudela.
Fonte: Lusa

sábado, 12 de abril de 2008

Acordo Ortográfico - Professores desamparados

Mal as notícias sobre a ratificação iminente do Acordo Ortográfico começaram a ocupar um espaço crescente na agenda mediática, Alexandra A., professora de Português numa escola do distrito do Porto, esperou por instruções do Ministério da Educação para conhecer em pormenor os pormenores das mudanças. Em vão. Como o silêncio oficial sobre o assunto teimava em eternizar-se, a docente resolveu chamar a si mesma a tarefa. "Pesquisei sobre o assunto, tanto em jornais como na internet, para tentar inteirar-me sobre o que está em causa. E, pelo que li e ouvi, as alterações não serão tão insignificantes como isso, pelo que as acções de formação e esclarecimento já deveriam estar no terreno", conclui.

Alexandra não é caso único. A própria Associação de Professores de Português (APP) continua à espera que o ministério de Maria de Lurdes Rodrigues responda a uma carta, com data de 14 de Março passado, na qual solicitava esclarecimentos sobre o AO. "Para não acontecer o que aconteceu com a TLEBS (Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário), que ainda hoje ninguém sabe se já está em vigor, é imperioso que a legislação sobre o assunto seja clara, definitiva e universal", defende Paulo Feytor Pinto, presidente da APP.

O que fazer aos alunos?

A necessidade de uma revisão da língua merece consenso generalizado. Cândida Barros, da Escola Secundária Manuel Laranjeira, em Espinho, concorda com os objectivos inerentes ao AO, mas rejeita os resultados finais, que, em seu entender, demonstram uma secundarização do papel português. "Andamos a reboque do Brasil", opina a docente, preocupada com a falta de informação sobre o assunto "É fundamental que o Ministério da Educação informe rapidamente as escolas sobre o que se vai passar".

Motivo de preocupação maior da classe docente é o período de transição de seis anos, durante o qual ninguém sabe dizer com exactidão se serão válidas as duas grafias, a actual ou a que vai entrar em vigor, se tudo correr como o previsto, em 2014. E se há largas correntes de opinião que consideram que os alunos deverão assimilar sem problemas as mudanças, devido à reduzida habituação à actual grafia, não faltam professores que defendem também o contrário, como Alexandra A. "Vai ser uma verdadeira confusão, pois se, com as regras em vigor, já dão tantos erros assim, o que fará com as modificações?"

Professora de Português na Escola Secundária António Sérgio, em Vila Nova de Gaia, Lúcia Vaz Pedro questiona o 'timing' do processo, que coincide com a polémica TLEBS. "Os professores de Português já estão sujeitos a uma pressão tão grande nesta altura, que teria sido preferível para todos escolher uma altura mais favorável". Mesmo considerando que a TLEBS é "muito mais complexa", a professora acredita que "não há tempo a perder", pois "é pouco tempo para aprender tanta coisa" .

"Mais debates, não"

Que o Acordo Ortográfico é uma questão fracturante, condenada a suscitar opiniões contrárias, eis uma evidência que poucos contestarão. Mais surpreendente será a divisão absoluta entre a classe docente, o que levou a própria APP a abster-se do assunto. Segundo o presidente, o debate interno saldou-se por "um empate técnico absoluto". "Há quem esteja radicalmente a favor e outros tantos que estão radicalmente contra", enfatiza Feytor Pinto, ao mesmo tempo que sublinha que "a divisão reflecte bem o que se passa a nível nacional".

Pelos contactos mantidos, o dirigente tem-se apercebido de que os professores mais experientes são os que colocam mais entraves ao Acordo, posição que diz não estranhar, porquanto "é da própria natureza humana ficarmos mais conservadores à medida que vamos envelhecendo".

A associação representativa dos professores de Português critica o ministério por descurar a informação, mas não considera que o assunto deva ser alvo de mais debates "Há 20 anos que andamos a discutir isto. De discussão já estamos fartos".

Paulo Feytor Pinto elege até o momento que considera ideal para a mudança "Se isto for para a frente, que se aproveite então a próxima revisão curricular, com uma nova leva de manuais já pronta".

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Acordo ortográfico: docentes português querem regras claras

Os professores de português pretendem uma definição clara das regras relativas à aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, isto numa altura em que o ministro da Cultura assume não saber quando é que o documento entrará verdadeiramente em vigor, uma vez que ainda não foi ratificado pelo Parlamento.
Para o presidente da Associação de Professores, a questão passa por saber, por exemplo, se facto do acordo prever um período de transição de seis anos impede que as pessoas possam utilizar já as novas regras orotográficas, refere a TSF.

«Na verdade, saber quais são as alterações que esta nova norma introduzirá na ortografia, diria que para qualquer professor de professor basta entre 30 segundos a 30 minutos», acrescenta Paulo Feytor Pinto.

No entanto, igualmente contactado pela TSF, o ministro da Cultura assumiu desconhecer quando é que as novas regras do Acordo Ortográfico «vão ser progressivamente postas em vigor», embora diga acreditar que, quem usar a grafia que tem utilizado até aqui, não deverá ter problemas.

«Certamente que não será marcado um erro. Será explicado que temos uma regra nova e será diferente. Mas não será nada mais que isto», explicou José António Pinto Ribeiro, em declarações à TSF.
Fonte: Diario Digital

segunda-feira, 31 de março de 2008

Ensinar língua portuguesa na Venezuela - Acordo entre Lula e Chávez. Mas faltam professores

O Brasil vai cooperar com a Venezuela para garantir a adopção da língua portuguesa como primeiro idioma estrangeiro no país, informou esta segunda-feira o Ministério brasileiro da Educação (MEC), segundo noticia a Lusa.

De acordo com o coordenador geral de Cooperação Internacional do MEC, Leonardo Barchini, os mecanismos de cooperação com a Venezuela para o ensino do português no país estão a ser articulados pelo MEC e pelo Ministério das Relações Exteriores.

O Governo venezuelano decidiu incluir a língua portuguesa como disciplina opcional no currículo oficial do próximo ano lectivo, mas a falta de professores poderá ser um obstáculo para a iniciativa.

Será desenvolvido inicialmente um programa piloto em 14 escolas do Estado de Carabobo, uma importante localidade a 250 quilómetros de Caracas.

De acordo com Barchini, os presidentes do Brasil e da Venezuela, Lula da Silva e Hugo Chávez, assinaram, durante um encontro na semana passada no Recife, um acordo na área de educação que prevê, entre outros pontos, o ensino da língua portuguesa.

«No acordo está prevista a formação de uma Comissão Binacional que tratará dos mecanismos a serem implementados. Isto é, vamos estudar conjuntamente a demanda e propor alternativas e soluções», declarou Leonardo Barchini, sem adiantar detalhes.

Fonte: Portugal Diário

Os estudantes e a leitura

Este estudo faz o o ponto de situação da leitura dos estudantes portugueses do 1.º ao 12.º ano. Com base na inquirição de cerca de 24 mil indivíduos, o estudo analisa as atitudes, os comportamentos e os hábitos de leitura de populações muito diversas em idade, gosto e capacidades.

Os resultados manifestam níveis de leitura muito razoáveis ao longo da escolaridade, contradizendo a ideia-feita de que os nossos estudantes lêem pouco. Este estudo integra-se no conjunto de investigações do PNL e pretende contribuir para a definição de políticas de incentivo à leitura.
Fonte: GEPE

domingo, 16 de março de 2008

Exames Nacionais de Português Língua Não Materna (PLNM) - 9.º ano e 12.º ano

De acordo com Despacho de Sua Excelência o Secretário de Estado da Educação, datado de 08/03/2008, informa-se o seguinte:


Haverá duas provas de exame de Português língua não materna (PLNM): uma de nível de iniciação (A2) e outra de nível intermédio (B1);

As provas serão realizadas no mesmo dia pelos alunos do 9.º e do 12.º ano;
Os alunos do 9.º ano realizarão a prova consoante o nível de proficiência linguística em que se encontram inseridos, A2 ou B1.

Os alunos do 12.º ano devem realizar a prova de nível intermédio (B1), podendo, em casos excepcionais, realizar a prova de iniciação.

Os alunos que se encontram inseridos no nível avançado devem realizar o exame nacional de Língua Portuguesa/Português e não o exame nacional de PLNM.
Fonte: DGIDC

quarta-feira, 12 de março de 2008

IPAD vai ter fundo específico para o sector da educação

O Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) vai ter um fundo específico para a educação que permitirá apostar de forma significativa neste sector da cooperação, revelou à Agência Lusa o presidente da instituição, Manuel Correia.
Segundo Manuel Correia, o fundo para a educação ficará no Tesouro e o "IPAD apresentará os projectos já aprovados ao Tesouro que depois os financia".

O presidente do IPAD sublinhou que o fundo será dedicado exclusivamente ao sector da educação.

O sector da Educação representa quase 60 por cento do orçamento do IPAD, com projectos desenvolvidos ao nível do básico, secundário e ensino superior.

O apoio de Portugal à educação, nomeadamente nos Países Africanos de Língua Portuguesa, está "fundamentalmente direccionado para dois sectores", nomeadamente na ajuda aos países para definir estratégias para a sua educação e formação de professores, esclareceu Manuel Correia.

Com este fundo, disse Manuel Correia, o apoio ao ensino superior pode ser "maior".

"Em Angola, Moçambique e Cabo Verde há universidades já estruturadas a leccionar formação de professores e a cooperação portuguesa pode reforçar a doação de fundos para essas formações", explicou.

Por outro lado, Manuel Correia disse que com este fundo se pode ter "projectos mais ambiciosos de bolsas locais".

"Em vez de continuarmos a trazer os alunos para Lisboa, passamos a dar bolsas aos alunos para estudarem nas suas universidades", afirmou.

Uma outra área que pode ser privilegiada com o fundo para a educação é o ensino pré-escolar e básico no âmbito dos Objectivos do Milénio das Nações Unidas, acrescentou.

O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, João Gomes Cravinho, também confirmou à Agência Lusa a criação do fundo.

"É algo que está a ser trabalhado no seio do Governo, não queria acrescentar mais nada neste momento", afirmou à Lusa, sexta-feira, no final da sua visita à Guiné-Bissau.

"Nos próximos meses vamos encontrar meios para reforçar substancialmente a nossa capacidade de cooperação na área da Língua Portuguesa", acrescentou João Gomes Cravinho, sem especificar o valor do fundo a criar.

Fonte: Rtp.pt

segunda-feira, 10 de março de 2008

27 jovens "promessas" recebem prémios de tradução em Bruxelas

O comissário europeu para o multilinguismo, Leonard Orban, entregou hoje em Bruxelas diplomas aos 27 estudantes, um por Estado-membro, vencedores do concurso "jovens tradutores", entre os quais Carolina Pinheiro, da Escola Secundária de Ovar.

O concurso, promovido pela Comissão Europeia para celebrar o multilinguismo na União Europeia (UE), com 23 línguas oficiais, e permitir aos estudantes descobrir o trabalho de tradutor, contou com a participação de 1500 alunos, 48 dos quais de Portugal.

"Estes jovens mostraram que são donos do seu futuro e do da UE. Lançaram pontes entre culturas através das palavras que utilizaram para compor as suas traduções", declarou o comissário Orban, que se congratulou também por o concurso "trazer para a ribalta" o trabalho dos tradutores, "frequentemente invisível mas indispensável para a UE".

Os participantes tiveram duas horas para traduzir um dos 23 textos sobre turismo para outra língua oficial - dispondo de 134 combinações de pares de línguas, uma de partida e outra de chegada -, tendo a vencedora em Portugal traduzido do Inglês para o Português.
Fonte: Público

sexta-feira, 7 de março de 2008

Instituto Camões na China sem aulas de português por falta de professores

A secção cultural da embaixada de Portugal em Pequim, da rede do Instituto Camões, encontra--se sem aulas de português por falta de professores, admitiu hoje a instituição à Agência Lusa, quando cada vez mais chineses se interessam pela língua.
"As aulas este ano não abriram porque os professores destacados em Pequim não tinham disponibilidade, dada a carga horária que têm nas universidades", disse João Barroso, o conselheiro cultural da embaixada de Portugal na China, à Agência Lusa em Pequim.

Para o actual ano lectivo, que arrancou em Setembro de 2007, a embaixada recebeu cerca de duas dezenas de pré-inscrições, que pagaram 2.600 renminbi (240 euros), valor que a secção cultural devolveu.

Os professores que o Instituto Camões destaca para dar aulas nas universidades de Pequim são quem assegura as aulas na embaixada, mas fazem-no de forma gratuita, disse João Barroso.

"Nos termos do contrato de trabalho que têm com o Instituto Camões, se tiverem disponibilidade, os professores também dão aulas na secção cultural, mas não há qualquer remuneração", afirmou o responsável.

Segundo João Barroso, também ainda não há certeza quanto às aulas para o ano lectivo a começar em Setembro deste ano.

O recomeço das aulas será "em princípio, no início do próximo ano lectivo, dependendo sempre dos factores apontados", sublinhou, referindo-se à disponibilidade dos professores.

De acordo com o conselheiro cultural da embaixada de Portugal, o Instituto Português do Oriente, a entidade tutelada pelo Instituto Camões que divulga a língua e cultura portuguesa na Ásia, "deu autorização para que os professores continuassem a dar aulas na embaixada caso tivessem tempo, o que não se verificou".

Com o intensificar das relações económicas e comerciais entre a China e os países de língua portuguesa, há cada vez mais alunos chineses a procurar aulas de português.

Fonte: Rtp.pt

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)