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terça-feira, 4 de novembro de 2008

Uma escola onde a maioria dos alunos quer ficar pelo 9.º ano

Junto à fronteira espanhola, no distrito de Portalegre, continuam a estar três das dez escolas com média mais baixa a nível de exames nacionais. A Secundária EB2,3 de Alter do Chão (606.ª posição, com 7,18 valores), a EBI Frei Manuel Cardoso (584.ª, com 8,51 valores) e a Secundária Professor Mendes Remédios (605.ª, com 7,63 valores), visitada pelo DN, que até tem um pavilhão desportivo novo, aulas de equitação e um site . E estes resultados acabam por colocar o distrito alentejano no final da lista, com uma média de 9,65 valores. No extremo oposto ficou o de Lisboa, com 11,38 valores.As notícias dos maus resultados da escola não parecem, no entanto, afectar a maioria dos alunos. "Porque não havíamos de estar bem-dispostos? Sim, tive umas notas mais baixas, mas também não quero ser cientista nem matemático. Quero ser agricultor, como o meu pai... ou polícia!" O retrato traçado pelo José Miguel, de 14 anos, é multiplicado pelos vários colegas que, à saída da cantina, se preparam para ir jogar à bola no novo pavilhão desportivo. "Temos óptimas instalações, um bom ambiente escolar, sem violência e essas coisas de que se ouve falar nas notícias", confirma José Bruno, presidente do Conselho Directivo da Escola Secundária Professor Mendes Remédios. Os porquês da má classificação, numa escola que até apresenta infra--estruturas e organização de fazer inveja à maioria das mais de seiscentas que lhe ficaram à frente no ranking, encontra-os, em razões maiores que a vontade de fazer melhor todos os dias. "Vivemos num dos distritos mais pobres do País, isto é o ensino público, não temos cá as elites que pagam por mês o que a maioria dos pais destes miúdos não ganha em três meses...", explica. "Se numa privada em Lisboa, por exemplo, todos os miúdos querem estudar, aqui temos de lutar com o abandono todos os dias, falar com os pais, sensibilizá-los para a importância de continuar na escola", assinala. Apesar do esforço dos professores, as expectativas dos cerca de 700 alunos que frequentam a Secundária de Nisa, divididos entre os vários ciclos de ensino, do pré-escolar ao secundário, é muito baixa: a maioria espera apenas acabar a escolaridade obrigatória. "Infelizmente ainda é isso que se verifica, até porque a maioria destes alunos sabe desde muito cedo que há pouco trabalho na região, e que não terão grandes saídas profissionais, apesar de desta escola já terem saído professores catedráticos, médicos e engenheiros", explica José Bruno. E, por isso, adianta, "fazemos tudo para tentar contrariar essas baixas expectativas, tentamos dar um empurrão". "Mas tenho de dizer que não podemos andar com o Alentejo inteiro para a frente sem a ajuda de mais ninguém", lamenta.
Fonte: DN

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Escola pública é “facilitista”, diz ex-ministro

A classificação das escolas públicas reflecte a perda de autoridade dos professores e uma política de facilitismo. A opinião é do antigo ministro da Educação, Couto dos Santos, sobre o “ranking” das escolas.
Recorde-se que esta lista coloca dez estabelecimentos de ensino privado nos primeiros dez lugares.O “ranking”, feito com base nos resultados dos exames do Ensino Básico e Secundário de 2007/08, mostra que as escolas públicas têm os piores resultados.Couto dos Santos, antigo ministro da Educação dos governos de Cavaco Silva não tem dúvidas que na origem destes resultados estão as “enormes conflitualidades que existem nesse sistema, uma maior pressão dos pais junto do sistema público - porque é relativamente ao Estado que se fez sempre pressão para que os filhos passem de qualquer maneira”.“Mas este é o primeiro factor” – continuou o ex-governante. “O segundo tem a ver com o nível de exigência: o sector privado mostra-se mais exigente, menos permissivo e, portanto, impõe aos alunos uma maior disciplina e métodos de estudo diferentes”.Couto dos Santos sustenta que é necessário recuperar a autoridade dos professores e “acabar com a conflitualidade no meio dos professores”. O que é preciso é “motivá-los para ensinar, devolvendo-lhes a autoridade, porque eles precisam de ter autoridade para impor disciplina nas escolas”.
Fonte: RR

Exames nacionais: o ranking das escolas

Quase 90 por cento das escolas alcançaram média positiva na primeira fase dos exames nacionais do secundário, um resultado muito superior ao registado em 2007, quando só 66 por cento ultrapassaram os 9,5 valores.
96 por cento das escolas com média positiva a Matemática Infanta Dona Maria de Coimbra volta a ser a melhor escola pública Escolas com positiva a Português B caem de 90% para 74%
Segundo os resultados dos exames a 20 disciplinas seleccionadas pela Lusa (com base no maior número de provas realizadas na primeira fase por alunos internos), divulgados esta terça-feira pelo Ministério da Educação, 533 das 610 escolas tiveram média positiva nos exames, o que representa 87 por cento dos estabelecimentos de ensino.
A melhor: Academia de Música de Santa Cecília
Este ano, as dez escolas com a melhor média são todas privadas, enquanto que as que apresentam o pior resultado são todas públicas.
A Academia de Música de Santa Cecília, um colégio privado de Lisboa, obteve a melhor classificação, com uma média de 16,04 valores nas 55 provas aí realizadas. Por oposição, a Escola Básica e Integrada da Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, registou o pior resultado, com apenas 6,5 valores de média.
Só as escolas onde se realizaram mais de cem provas
A lista das classificações regista, no entanto, algumas diferenças, se se tiver apenas em conta as escolas onde se realizaram mais de cem provas.
Nesta tabela, o Colégio de Nossa Senhora do Rosário, no Porto, apresenta o melhor resultado, com 14,77 valores de média nas 365 provas realizadas.
No último lugar da lista surge a escola básica e secundária do Cerco, no Porto, com uma média de 7,2 valores, seguida da escola Professor Mendes Remédios, em Portalegre, com 7,8.
Espanhol é a melhor disciplina, Física e Química A é a pior
Entre as 20 disciplinas seleccionadas pela Lusa, Espanhol obteve a melhor média, com 15,31 valores, seguida de Matemática A, cadeira que habitualmente apresenta maus resultados, mas que este ano regista uma média de 13,95. Já o exame de Física e Química A, com apenas 9,72 valores, teve a pior média.
Por distritos, Lisboa volta a apresentar a média mais alta, com 11,58. A pior prestação volta a ser apresentada pelos alunos do distrito de Portalegre, com uma média de 9,89, o que se repete desde 2004.
Dez escolas com a melhor média na primeira fase:
Acad. Música Sta Cecília (privado), Lisboa: 16,04 Colégio Mira Rio (privado), Lisboa: 15,12 Colégio Nossa Sra. Rosário (privado), Porto: 14,77 Colégio S. João de Brito (privado), Lisboa: 14,74 Colégio dos Cedros (privado), Porto: 14,64 Esc. Salesiana do Estoril (privado), Lisboa: 14,58 Colégio Horizonte (privado), Porto: 14,53 Colégio Moderno (privado), Lisboa: 14,52 Colégio Valsassina (privado), Lisboa: 14,30 Colégio Rainha Sta. Isabel (privado), Coimbra: 14,23
Dez escolas com a média mais baixa:
Esc. Básica/Int.Pampilhosa Serra (público), Coimbra: 6,50 EB2/3 Secundária do Cerco (público), Porto: 7,20 Escola Secundária do Rodo (público), Vila Real: 7,38 EB2/3 Sec. Pe Agostinho Rodrigues (público), Portalegre: 7,77 EB2/3 Sec. Mendes Remédios (público), Portalegre: 7,80 EBI Frei Manuel Cardoso (público), Portalegre: 7,98 EB2/3 Sec. Penalva do Castelo (público), Viseu: 7,99 EB2/3 Sec. Isidoro de Sousa (público), Évora: 8,22 Esc. Básica e Sec. Sta Maria (público), Açores: 8,25 EB2/3 Sec. Prof. Ant. Natividade (público), Vila Real: 8,28
Fonte: Portugal Diário

Grandes discrepâncias entre nota dos exames nacionais e dos professores

Duas em cada três escolas atribuíram aos seus alunos no final do ano lectivo notas superiores em pelo menos dois valores àquelas que os estudantes alcançaram na primeira fase dos exames nacionais do secundário.
De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Educação, as discrepâncias entre a classificação interna de frequência (CIF) - as notas que os alunos têm no final do ano lectivo resultado da avaliação contínua - e a média dos resultados dos estudantes nos exames nacionais atingem dois ou mais valores em 65 por cento dos estabelecimentos de ensino.
As escolas com melhores notas Infanta Dona Maria de Coimbra volta a ser a melhor escola pública
O caso mais evidente de disparidade regista-se na escola secundária Josefa de Óbidos, em Leiria, onde os professores atribuíram aos seus alunos uma média de 14,33 valores, mas estes não foram além dos 8,55 quando testados nas provas nacionais.
As dez escolas com maior discrepância são todas públicas, o que inverte a tendência habitual. No ano passado, cinco privadas constavam nesta lista e em 2006 os colégios estavam mesmo em maioria.
Por oposição, é nas privadas que se verifica a maior semelhança entre a avaliação contínua e os resultados obtidos nos exames, com nove a figurar na lista das dez em que as notas são mais aproximadas.
Em sete escolas, os estudantes conseguiram mesmo notas mais elevadas nas provas do que nas pautas do final de ano lectivo. O Colégio Infante Santo, em Santarém, é o que mais se destaca, com a média de exame a superar em 1,05 valores a classificação interna de frequência.
Lista das dez escolas com maior discrepância entre as notas internas e as notas de exame:
ESCOLAS GÉNERO DISTRITO CIF EXAME
EB2/3 Sec. Josefa Óbidos (Pública) Leiria 14,33 8,55
EBI Frei Manuel Cardoso (Pública) Portalegre 13,66 7,98
EBI de Pampilhosa da Serra (Pública) Coimbra 12,00 6,50
EB2/3 do Cerco (Pública) Porto 12,35 7,20
EB e Sec. Santa Maria (Pública) R. A. Açores 13,40 8,25
Escola Sec. do Rodo (Pública) Vila Real 12,26 7,38
EB2/3 Prof. Ant. Natividade (Pública) Vila Real 13,14 8,28
EB2/3 Prof. Mendes Remédios (Pública) Portalegre 12,53 7,80
Sec. Figueira Castelo Rodrigo (Pública) Guarda 13,51 8,97
EB Sec. da Graciosa (Pública) R. A. Açores 13,67 9,13
Lista das sete escolas onde as notas nos exames foram superiores às notas internas:
ESCOLAS GÉNERO DISTRITO CIF EXAME
Colégio Infante Santo (Privada) Santarém 12,63 13,67
Inst. Missionário Sagrado Coração (Privada) Coimbra 11,83 12,65
Acad. de Música Santa Cecília (Privada) Lisboa 15,33 16,04
Esc. Tec. Salesiana Sto. António (Privada) Lisboa 14,33 14,58
Colégio São João de Brito (Privada) Lisboa 14,63 14,74
Colégio Santo André (Privado) Lisboa 12,75 12,85
Escola Sec. do Restelo (Pública) Lisboa 13,59 13,63
Fonte: Portugal Diário

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)