Dos 74 certificados de equivalência do International Baccalaureate (IB) emitidos este ano ao sistema educativo português, 70 tinham as notas inflacionadas, como consequência de terem sido calculados com base numa proposta de lei que nunca chegou a ser aprovada.A estes juntam-se nove diplomas relativos a outro plano de estudo estrangeiro de alunos da Frank Carlucci High School, onde a Inspecção-Geral da Educação também detectou problemas nas contas. E poderá haver irregularidades na emissão de certidões a um número ainda desconhecido de estudantes que seguiram os currículos inglês e norte-americano.Estes são os factos apurados pela Inspecção-Geral da Educação (IGE), na sequência do processo de averiguações instaurado pelo secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, perante as dúvidas suscitadas pelo PÚBLICO. Que se prendiam com o modo como tinham sido calculadas as equivalências de alguns currículos estrangeiros ministrados em escolas internacionais em Portugal e ainda no Colégio Planalto, em Lisboa.A IGE concluiu que as irregularidades são da responsabilidade do coordenador do gabinete responsável pela emissão de certificados na Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, Pedro Martins, e propôs a instauração de um processo disciplinar. Valter Lemos concordou com a proposta e já determinou a esse serviço que corrija as classificações de todos os certificados mal emitidos.Esta informação também já seguiu para o Ministério do Ensino Superior, já que alguns destes alunos podem ter entrado com classificações indevidas na universidade. Se assim for, a lei determina que a sua colocação seja revista em função da nota que deveria ter sido atribuída. O que, no limite, pode implicar a perda de lugar.Ao final do dia, o PÚBLICO questionou o Ministério do Ensino Superior sobre o número de alunos que podem ser afectados desta forma mas não conseguiu obter uma resposta. Fica também por esclarecer se, no caso de algum colocado perder o lugar na sequência deste processo, a tutela abrirá ou não novas vagas, para compensar alunos que possam ter sido prejudicados.Em relação aos 74 diplomas de equivalência do IB – um plano de estudos reconhecido internacionalmente e leccionado em cinco escolas em Portugal – emitidos este ano, a IGE apurou que todos eles foram calculados com base numa proposta de portaria que alterava a lei em vigor mas que nunca foi publicada.A aplicação dessas regras teve como consequência a subida generalizada das notas de secundário destes alunos, relativamente àquelas que deveriam ser atribuídas se fossem consideradas as tabelas em vigor. Assim, foram emitidos 70 diplomas com classificações inflacionadas. Em três casos a nota foi mantida e num teve consequência a descida da média. Em 23 casos, a subida foi igual ou superior a um valor (numa escala de 0 a 20).Erros nas contasA IGE concluiu que foi o coordenador do gabinete de assuntos jurídicos a determinar a aplicação das tabelas de conversão da proposta de portaria que estava a ser preparada (ver caixa) e que o então director-geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, Luís Capucha, desconhecia que as equivalências estavam a ser atribuídas dessa forma.Para além de definir as tabelas comparativas entre o IB e o sistema educativo português, a proposta de portaria em causa também definia novas regras para outros planos de estudo estrangeiros, nomeadamente o norte-americano (High School diploma), o inglês (GSCE e A Levels) e o AICE (Advanced International Certificate of Education), ministrados em doze estabelecimentos de ensino.Como o processo de averiguações incidia apenas nas equivalências do International Baccalaureate, a investigação da IGE não foi conclusiva em relação ao que se passou com os alunos dos outros planos de estudo, explicou ao PÚBLICO o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos. Mas apurou que também os diplomas relativos ao AICE e A Level possam ter sido passados erradamente ao abrigo da referida proposta de portaria.A inspecção detectou ainda erros de cálculo nas classificações de alunos que tiraram o High School Diploma. O PÚBLICO sabe que todos estas contas são feitas manualmente e que não são verificadas por outras pessoas, tendo havido inclusivamente critérios de aplicação diferentes de funcionário para funcionário.As dúvidas em torno do processo de equivalências surgiram quando o PÚBLICO teve acesso a certificados emitidos sem referir a lei em vigor. Alguns alunos que já tinham concluído os seus estudos em 2007 pediram novas vias, que também foram dadas ao abrigo da tal proposta.Proposta de alteração à lei partiu do St. Julian’s SchoolA portaria que estabelece o modo como são feitas as equivalências do International Baccalaureate (IB) ao ensino português foi publicada em 2005 e tem sido contestada pelas cinco escolas que ministram este plano de estudos, por consideraram que penaliza os alunos que seguem um currículo alegadamente mais exigente.O PÚBLICO sabe que, no final de 2007, o St. Julian’s School enviou à Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC) uma nova proposta de conversão das classificações. As negociações arrastaram-se até este ano, com a versão final do projecto de portaria a ser enviado, entre Julho e Agosto, para as escolas e para o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos. Durante estes meses, a DGIDC foi passando as equivalências com base nessa proposta, sem que ela tivesse sido oficialmente aprovada. E foram chegando aos serviços do acesso ao ensino superior, onde foram aceites apesar da inexistência de fundamento legal, de forma a poderem ser utilizadas no concurso.A 5 de Setembro, Valter Lemos assinou a proposta de portaria mas, dias depois, mandou cancelar. “Foi-me dito pelos serviços da DGIDC e do ensino superior que havia um vazio legal e que era urgente que a proposta fosse assinada, sob pena de aqueles alunos não poderem concorrer à universidade. Fi-lo de boa fé e sem saber que já havia certificados passados”, explicou. A informação sobre as implicações da aprovação da portaria acabou por a receber dias depois, quando o seu gabinete jurídico analisou a proposta. “Não quis empatar o processo e assinei antes de ter esta apreciação. Quando me disseram mandei anular”.Irregularidades já obrigaram a criar vagas adicionaisA entrada na universidade por erros dos serviços ou irregularidades no acesso já levaram a tutela a criar vagas adicionais para os alunos que ficaram prejudicados por essas falhas. Um dos casos com maior impacto prendeu-se com a utilização fraudulenta do ensino recorrente – uma modalidade de estudos destinada a quem não cumpriu a escolaridade obrigatória na idade própria – como via mais fácil para o ingresso no superior, já que não obrigava à realização de exames nacionais. O estratagema foi utilizado durante vários anos e foi conhecido quando atingiu dimensões invulgares. Em 2003 foram mais de 18 mil os que tentaram entrar na universidade por esta via.Perante as denúncias, os ministérios da Educação e Ensino Superior decidiram actuar. Averiguaram os processos de mais de nove mil estudantes que conseguiram um lugar no superior através do ensino recorrente, mas concluíram que não os podiam responsabilizar.A culpa era dos serviços da administração educativa que permitiram a utilização fraudulenta do ensino recorrente, concluiu o grupo encarregue de acompanhar o processo.Na investigação também se apurou que 868 alunos do ensino regular tinham sido prejudicados por estes colegas. Para os compensar foram abertas outras tantas vagas extraordinárias, destinadas aos estudantes que tinham sido indevidamente ultrapassados.Em 2003, um outro caso polémico levou à demissão do então ministro do Ensino Superior, Pedro Lynce. Em causa estava um despacho, assinado por si, que autorizava a filha do seu colega de executivo Martins da Cruz a entrar no ensino superior por via de um regime especial destinado aos funcionários portugueses em missão diplomática no estrangeiro e que completem o ensino secundário fora do país.Apesar de Diana Martins ter estudado vários anos fora de Portugal, o 12.º já foi feito em Lisboa, quando Martins da Cruz foi convidado para integrar o Governo de Barroso e deixou a embaixada em Espanha. Ou seja, não poderia ser abrangida pelo regime especial. Martins da Cruz acabou por comunicar que a filha não iria ocupar a vaga em Medicina.Já este ano, um erro na informação relativa a algumas dezenas de alunos que se candidataram pela Internet à 1.ª fase do concurso de acesso ao superior levou a que 71 estudantes tivessem sido indevidamente excluídos da universidade. Para todos eles, candidatos ao curso de Ciências do Desporto, foram criadas vagas adicionais.
Fonte: Público
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Equivalências: pelo menos setenta alunos tiveram notas inflacionadas
Etiquetas: Acesso Ensino Superior 2008
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Governo revela resultados da 2.ª fase do concurso de acesso
A segunda fase do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior público colocou 11 265 alunos. Segundo revelou ontem o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, no conjunto das duas fases foram admitidos 48 782 alunos, o que representa um aumento de 1429 em relação ao ano passado. Este crescimento tem-se repetido nos últimos três anos, com os números a revelarem um aumento de quase 11 mil alunos entre 2005 e 2008.
As universidades aceitaram 26 772 candidatos, enquanto para os Politécnicos entraram 22 010. Por ocupar ficaram ainda 2457 vagas que poderão ser preenchidas na 3ª fase do concurso nacional.
A área de Ciências e Tecnologias continua a ser aquela que aceita mais candidatos, com 16 895 novos estudantes, 35 por cento do total de ingressos. Segue-se as áreas de Ciências Sociais e Comércio (24%) e Saúde (13%). A taxa de ocupação das vagas colocadas a concurso foi de 95%.
Na nota enviada às redacções, o Governo sublinha que o número total de ingressos só será conhecido após os resultados da 3ª fase do concurso e das restantes vias de acesso. Nos exames para ingresso de maiores de 23 anos foram admitidos o ano passado 6039 alunos e nos cursos de especialização tecnológica entraram 3140. Ou seja, ainda podem entrar no Superior mais de dez mil candidatos.
APONTAMENTOS
RESULTADOS NA NET
Os resultados da 2.ª fase estão disponíveis em www.dges.mctes.pt/DGES/pt. As matrículas dos estudantes colocados na 2.ª fase decorrem entre 13 e 17 de Outubro.
SETE COM 100 POR CENTO
Houve sete estabelecimentos com 100% de taxa de ocupação: Universidades do Minho, Porto, Técnica de Lisboa, ISCTE e escolas de enfermagem de Coimbra, Lisboa e Porto.
TERCEIRA FASE
Os estabelecimentos de Ensino Superior ainda com vagas podem decidir realizar a 3.ª fase do concurso até dia 20.
Fonte: CM
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quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Ministério sabia que subida das notas a alunos do 12.º era ilegal
Os serviços de acesso ao ensino superior, tutelados pelo ministro Mariano Gago, sabem, pelo menos desde 3 de Setembro, que os certificados de equivalência ao 12.º que receberam dos serviços do Ministério da Educação, referentes a alunos de alguns currículos estrangeiros, foram calculados de forma ilegal. Isto, por se basearem numa proposta de lei que não estava, e não está, em vigor.Mas, a avaliar pelas respostas enviadas ao PÚBLICO na passada segunda-feira, 22 de Setembro, pelo director-geral do Ensino Superior, António Mourão, nada foi feito. "A Direcção-Geral do Ensino Superior aceita como válidos todos os documentos equivalentes ao 12.º ano, devidamente autenticados pelas entidades emissoras que têm competência para tal", lia-se na resposta escrita. Garantia-se ainda que não tinha sido comunicada, "por parte destas entidades, qualquer situação de erro de serviço ou eventualmente irregular".Ora, no dia 3 de Setembro, o coordenador do Gabinete de Assuntos Jurídicos e de Concessão de Equivalências da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC), Pedro Martins, tinha informado Acácio Baptista, director de Serviços do Acesso ao Ensino Superior e a pedido deste, o seguinte: "Os cálculos das classificações das equivalências das habilitações obtidas pelos alunos nas escolas estrangeiras sediadas em Portugal foram efectuadas com base na proposta de portaria a cujo envio oportunamente procedemos a esses serviços." Na troca de informações, a que o PÚBLICO teve acesso, acrescentava-se que a referida proposta tinha sido enviada para aprovação do secretário de Estado da Educação, "crendo-se que até ao final da corrente semana [de 3 de Setembro] será apreciado por este membro do Governo".Assim, quer a DGIDC, responsável pela emissão de certificados de equivalência ao 12.º a alunos que concluíram currículos estrangeiros, quer a Direcção-Geral do Ensino Superior (DGES) sabiam que estavam a ser dadas notas ao abrigo de uma eventual alteração legislativa, mais favorável para os alunos, que ainda não tinha acontecido. Alteração não foi publicadaO PÚBLICO voltou ontem a contactar o Ministério do Ensino Superior, para perguntar como é que os serviços aceitaram como válidos, para efeitos de acesso ao superior, certificados emitidos desta forma. Mas, até às 20h00, não obteve resposta.A referida proposta de portaria definia novas tabelas de equivalência para os currículos do International Baccalaureate (IB Diploma), ingleses e norte-americanos e tinha efeitos retroactivos até 2005/2006. Estes planos de estudo existem numa dúzia de escolas em Portugal, como o St. Julian, o Frank Carlucci American International School of Lisbon ou o Colégio Planalto. Ao todo, poderão ter sido beneficiados nas suas notas - que nalguns casos serviram para concorrer ao superior e entrar no curso desejado - perto de duas centenas de alunos. A grande maioria concluiu o secundário este ano e há ainda estudantes que, tendo acabado nos dois anteriores, também pediram novas vias. O diploma, proposto pela DGIDC, deu entrada na Secretaria de Estado da Educação em Agosto e foi assinado pelo secretário de Estado Valter Lemos a 5 de Setembro. Ontem, o assessor de imprensa do Ministério da Educação (ME), Rui Nunes, informou que a portaria não seguirá para Diário da República. A 9 de Setembro, Pedro Martins informou Acácio Baptista que já tinha enviado cópia dos documentos referentes à "revogação da Portaria n.º 433/2005, de 19 de Abril". É este o diploma que regula as equivalências ao Bacharelato Internacional, um curso de nível secundário reconhecido internacionalmente. O diploma só poderia ser revogado, quando fosse publicada a alteração em Diário da República.Recorde-se que foi perante as dúvidas suscitadas pelo PÚBLICO junto do ME - certificados a que teve acesso revelavam subidas de notas e a omissão da legislação aplicável - que Valter Lemos mandou averiguar a legalidade dos documentos. O ministério só comentará o caso depois das conclusões da Inspecção-Geral de Educação.
Fonte: Público
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terça-feira, 23 de setembro de 2008
Ensino superior: Sobram perto de 11.800 vagas para a 2ª fase
Perto de 11.800 vagas estão disponíveis para a segunda fase de candidaturas ao ensino superior. Os cursos de medicina e arquitectura ainda não estão completamente preenchidos.
O número compreende as 5.917 vagas que sobraram da primeira fase de candidaturas, mais as que não se concretizaram na matrícula e inscrição assim como as vagas que sobraram dos concursos especiais e da recolocação de estudantes que entraram na primeira fase.
A informação está divulgada no site da Direcção Geral do Ensino Superior. Existem vagas nas mais variadas áreas de estudo tendo inclusive sido libertadas vagas para Medicina e Arquitectura, cursos que na primeira fase tinham esgotado.
Medicina tem mais quatro vagas na Universidade da Beira Interior, duas na Universidade de Coimbra, uma na Faculdade de Medicina de Lisboa e duas na Universidade Nova de Lisboa.
Quem quer tirar Arquitectura pode candidatar-se a 11 vagas na Universidade de Évora, a um total de 12 na Universidade Técnica de Lisboa, oito no Instituto Superior Técnico, três na Universidade do Minho e cinco na Faculdade de Arquitectura do Porto.
Na sequência da divulgação destas vagas, pode candidatar-se ao ensino superior quem não o fez no prazo regulamentar de candidaturas à 2ª fase até quinta-feira (entre 15 e 19 de Setembro). Os candidatos que já apresentaram candidatura podem também proceder à sua alteração.
Segundo informa a Direcção-geral do Ensino Superior, se o aluno se candidatar e obtiver colocação na 2ª fase do concurso, "perde automaticamente a vaga da 1ª fase, que é libertada para a colocação de outro candidato". Pelo que só deve candidatar-se a cursos que prefira em relação à colocação obtida na 1ª fase do concurso.
"Se não obtiver nova colocação, mantém-se a colocação anterior, não havendo qualquer implicação na inscrição e matrícula já efectuada", acrescenta.
Por área de formação, os cursos em que se registou um maior aumento de lugares foram os de Ciências e Tecnologias (mais 635, o que os coloca na liderança com um total superior a 17 mil vagas) e os de Ciências Sociais, seguindo-se, a larga distância, os de Saúde e Protecção Social.
Nas Humanidades registou-se uma queda no número de vagas (com menos 169), seguindo-se as Ciências Veterinárias e a Educação.
Fonte: Diário Digital
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terça-feira, 16 de setembro de 2008
Erro nas candidaturas on-line excluiu alunos do Superior
Centenas de alunos podem ter ficado de fora do Ensino Superior por um erro dos serviços. O motivo e a extensão da falha ainda não são conhecidos mas é notório que algo falhou mesmo nas candidaturas on-line.
Os candidatos que cumpriram os pré-requisitos na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP) e se candidataram através da Internet foram excluídos por erradamente não terem sido validadas as provas que tinham completado com êxito.
No auditório da Escola António Nobre, no Porto - local de entrega das reclamações - dezenas de alunos e pais entregavam reclamações, todas elas com o mesmo fundamento: o não reconhecimento dos pré-requisitos.
Ricardo Quintas esperava ansiosamente pela divulgação dos resultados do concurso e a sua média de 17 valores dava-lhe algumas garantias, mas qual não foi o seu espanto quando, no sábado à noite, viu que tinha sido excluído por falta de pré-requisitos que, na realidade, tinha feito. "Fui apanhado de surpresa, fiquei em choque", explicou. "Só quando soube que o mesmo tinha acontecido a uns amigos meus é que fiquei mais aliviado, porque confirmei que era um erro do sistema". Agora, Ricardo acredita que "certamente vão resolver o problema e, como dizem os regulamentos, vão ter de criar vagas para quem injustamente ficou de fora".
Manuel Gomes, pai de um outro aluno a quem sucedeu o mesmo, também dava, pelo telefone, largas à sua indignação: "Obrigaram-nos a fazer a candidatura on-line e depois dá nisto. No Centro da Área Educativa de Santa Maria da Feira disseram-nos que ou era um erro da Faculdade que não enviou os certificados, ou da Direcção-Geral do Acesso ao Ensino Superior (DGAE) que não os processou". Seja qual for o motivo, espera "que se corrija o erro e se dê a entrada a quem merece".
O JN tentou obter esclarecimentos junto da DGES para saber qual o motivo do erro e a sua extensão, mas não obteve qualquer resposta até ao fecho desta edição. O que o JN pôde confirmar é que na FADEUP 467 alunos completaram com êxito os pré-requisitos, sendo que pelo menos todos os que efectuaram a candidatura on-line foram afectados.
Resta agora saber se esta anomalia não terá também ocorrido com alunos que prestaram provas noutros locais.
Fonte: JN
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domingo, 14 de setembro de 2008
Ensino Superior recebe número recorde de alunos na primeira fase
Pelo terceiro ano consecutivo, o número de alunos a entrar na 1.ª fase de candidatura ao ensino superior aumentou e atingiu o valor recorde de 44.336. São mais seis por cento do que no ano anterior, quando ingressaram quase 42 mil caloiros. Os resultados são afixados amanhã mas podem ser consultados através do site da Direcção-Geral do Ensino Superior desde as 00h00 de hoje. O PÚBLICO também divulga as listas com o número de vagas sobrantes e nota do último colocado em cada um dos cursos (ver link).Ainda que a subida não seja tão grande como a verificada em 2007, este é o valor mais alto dos últimos 12 anos (data a partir da qual estão disponíveis as estatísticas do ministério). Não que seja propriamente uma surpresa, já que tanto os candidatos como as vagas, propostas pelas instituições de ensino superior e autorizadas pela tutela, também tinham aumentado. No caso da oferta disponível nas universidades e politécnicos públicos, nunca como em 2008 tinham aberto tantos lugares: mais de 50 mil.Contas feitas, 83,5 por cento dos alunos que se candidataram ao superior conseguiram colocação. A maioria (53 por cento) no curso da sua primeira escolha. Mas houve 8726 que falharam o objectivo. A maior subida relativa de colocados aconteceu nos institutos politécnicos, mas são ainda as universidades que mais novos alunos recebem, revelam os dados do Ministério da Ciência e do Ensino Superior. Ao todo, 699 dos 1068 cursos existentes esgotaram a sua oferta nesta fase. Ou seja, há ainda muito por escolher para os que não conseguiram um lugar. Mais de uma centena de cursos atraíram menos de 10 caloiros e 237 não chegaram aos vinte, o limite definido pelo ministério para continuar a financiar o curso (com algumas excepções em áreas específicas).Licenciaturas desertasHá ainda seis formações que ficaram desertas, como é o caso da licenciatura em Restauração e Catering na Escola Superior de Turismo e Telecomunicações de Seia do Politécnico da Guarda e outras na área das engenharias e em regime pós-laboral. Tudo somado, a 2.ª fase do concurso vai contar com pelo menos 5917 vagas que sobraram desta etapa.É claro que nem todas as formações têm ainda lugares. As cobiçadas licenciaturas de Medicina, Medicina Dentária, Ciências Farmacêuticas, Arquitectura, Direito ou Economia esgotaram já a sua capacidade. A menos que algum dos colocados não se inscreva e liberte assim um lugar para a 2.ª fase do concurso. Quanto a médias de entrada e com as atenções sempre centradas em Medicina, refira-se que a nota mais baixa de ingresso (registada na Universidade da Madeira) subiu ligeiramente (de 177,5 para 179, numa escala de 0 a 200). Nos nove cursos em funcionamento, houve cinco que viram as suas já elevadíssimas médias de entrada aumentar e quatro descer.A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto foi uma delas mas continua a liderar a lista dos cursos que exigem notas mais altas: ninguém entrou com menos de 185,2 de média. Médias superiores a 17A lista divulgada pelo MCTES permite ainda concluir que há 34 formações com médias de entrada superiores a 17 valores, com os cursos na área da Saúde em maioria. Criminologia (174 valores) e Engenharia Aeroespacial (175,7 valores) são outros exemplos de licenciaturas muito cobiçadas. No extremo oposto da tabela encontram-se os únicos dois cursos onde houve alunos a entrar com média abaixo dos 100 valores: Engenharia Electrotécnica e de Computadores no Politécnico de Setúbal e Educação Básica no Politécnico de Bragança.A 2.ª fase do concurso inicia-se amanhã e termina sexta-feira.
Fonte: Público
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quarta-feira, 9 de julho de 2008
Número de vagas para o ensino superior público aumenta
As vagas para os cursos do Ensino Superior vão aumentar 15 por cento no próximo ano lectivo, atingindo um total de 50.777 lugares. São as licenciaturas do Ensino Superior Politécnico que registam maiores subidas, mas o curso de Medicina poderá ter mais 151 lugares.
O número de vagas para os cursos do ensino superior público apresenta mais 1.505 vagas em relação ao ano passado. Em 2004, as vagas disponíveis eram 46.673. O aumento das vagas no ensino superior politécnico representa a maior parcela dos novos lugares. Enquanto o ensino universitário criou 339 vagas, o politécnico disponibiliza 1.166 lugares. Dividindo por áreas de formação, os cursos de Ciências e Tecnologias registam a maior subida na disponibilidade de oportunidades de formação, seguido dos de Ciências Sociais. Os cursos de Humanidades, Ciências Veterinárias e a Educação registaram as descidas mais significativas. Licenciatura em Medicina contribui para aumento de vagas O curso de Medicina, uma das licenciaturas com maior procura e consequentemente médias de acesso mais altas, disponibiliza 151 novas vagas, num total de 1.614 lugares. Os lugares disponíveis eram 1.185 em 2004. Ainda no curso de Medicina entre o total de vagas disponibilizadas 1.489 lugares vão ser preenchidos através do concurso nacional de acesso. Para os estudantes a frequentar licenciaturas estão reservadas 125 vagas, desde que estes “tenham concluído um primeiro ciclo de estudos que assegure um adequado nível de conhecimento nas áreas de formação de base do futuro médico”. O esclarecimento foi prestado, ontem, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Estes alunos podem ser oriundos de diversas áreas científicas, inclusive o Direito, a Economia ou as Humanidades. A Universidade do Minho é a instituição de ensino superior pública que mais subiu a oferta em relação ao curso de Medicina comparativamente ao último ano lectivo. A Universidade Nova de Lisboa e a Universidade de Coimbra sucedem-lhe nos aumentos de vagas. A subida nas médias dos exames nacionais a Matemática A, Biologia, Física e Química poderá elevar a média de entrada nos cursos de Medicina, uma vez que é nestas disciplinas que os alunos têm de prestar provas específicas. Horários pós-laborais crescem 60 por cento e Faculdade de Direito de Lisboa com recorde de vagas As vagas para os horários pós-laboral receberam um forte incremento, de 2.160 para 3.471 lugares. Os trabalhdores-estudantes têm, desta forma, mais possibilidades de escolha entre a oferta de licenciaturas. A licenciatura em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa abre 510 lugares. É o curso que maior número de lugares de formação superior disponibiliza. Pelo contrário, oito cursos de ciências oferecem uma dezena de vagas cada.
Fonte: Rtp.pt
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Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
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