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terça-feira, 6 de novembro de 2007

Crianças devem aprender várias línguas em simultâneo

A criança deve aprender várias línguas em simultâneo, estimulada por jogos e programas didácticos, segundo um estudo do investigador Alberto Sousa apresentado hoje no âmbito do 1º congresso internacional sobre Arte, Cérebro e Linguagens.
"Considera-se a educação não como uma transmissão do saber, mas como uma formação do ser, onde todas as programáticas são objectivadas para o desenvolvimento das capacidades da criança", referiu Alberto Sousa, investigador da neuropsicologia da linguagem.
O método criado por Alberto Sousa, que se baseia na neuro-psicolinguística, sugere a abordagem em simultâneo das línguas portuguesa, francesa, inglesa e alemã.
Inicialmente, as crianças são estimuladas ao desenvolvimento das capacidades audio-linguísticas, e depois à apreensão e compreensão do vocabulário, avançando em seguida para a "interacção multilinguística". Segundo as investigações mais recentes na área da linguística, quanto mais precoce for a aprendizagem de uma língua melhor será o seu domínio, indicando que a aprendizagem terá ainda maior sucesso se as línguas forem ensinadas em simultâneo.
A educação pela arte deu assim expressão a novas metodologias de ensino das línguas que Alberto Sousa apresenta no seu estudo designado "Método Multilinguístico de Iniciação à Leitura-Escrita".
"A expressão dramática é diferente de teatro, a expressão musical é diferente de ensino de música, a expressão plástica é diferente de desenho ou pintura e a dança educativa nada tem a ver com ballet. As primeiras pertencem à educação e têm por objectivo a criança. As segundas pertencem ao mundo do espectáculo e têm os espectadores como objectivo", explicou.
O Colégio Minerva de Setúbal pôs em prática as sugestões de Alberto Sousa, realçando o aspecto lúdico em aula, ao utilizar dramatizações, brincadeiras gestuais, jogos com cartões e software interactivo.
"A criança, individualmente e sob a relação transaccional de carinho do professor, aprende a ler simultaneamente em quatro línguas, praticando uma série de jogos e programas interactivos no computador", disse Maria Helena Maduro, directora do centro de investigação pedagógica sobre aprendizagem integrada do colégio Minerva.
Fonte: RTP

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)