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quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Discurso da Ministra da Educação sobre os novos desafios da educação

Maria de Lurdes Rodrigues discursou na sessão de abertura da conferência subordinada ao tema Sucesso e Insucesso: Escola, Economia e Sociedade. Na sua intervenção, a ministra centrou-se nos novos desafios de um sistema educativo para todos.
Aqui ficam as principais conclusões:
Responder às novas exigências de abertura da escola, de eficiência das escolas e de garantia da qualidade do ensino e das aprendizagens, são objectivos que orientaram e orientam a política educativa do Governo.
São disso exemplo os processos de transferência de competências para as escolas e para as autarquias, a celebração de contratos de autonomia com as escolas na sequência da sua avaliação externa, bem como o desenvolvimento de metodologias de acção política baseadas nas parcerias com os pais, as autarquias e as escolas.
Ou, ainda, a alteração de importantes instrumentos de gestão como o estatuto da carreira docente e o estatuto do aluno, bem como a racionalização da rede escolar e a criação do Conselho de Escolas.
Como são também exemplo daquelas orientações a introdução do ensino do inglês e das actividades de enriquecimento curricular no primeiro ciclo no âmbito do processo de construção de uma escola a tempo inteiro, bem como o lançamento de programas especiais como sejam o plano de acção para a matemática e o plano nacional de leitura, para além da generalização de instrumentos externos de avaliação como as provas de aferição.
Por fim, são ainda exemplo das orientações referidas a diversificação das ofertas educativas no secundário, o lançamento do Programa Novas Oportunidades e o reforço da acção social escolar.
Trata-se, em todos os casos, de políticas que permitem responder às novas exigências de formação para todos, de combate às causas extra-escolares do insucesso escolar, de políticas que recusam aceitar as condicionantes sociais do insucesso como determinações inultrapassáveis.
É necessário manter na agenda política a atenção à questão das desigualdades sociais e económicas de partida, à forma como estas se relacionam com as desigualdades escolares, e, acima de tudo, à identificação de modos de actuação visando reduzir essa relação.
Modos de actuação que, para serem eficazes, necessitam de uma crescente articulação entre políticas de educação e políticas sociais de apoio às famílias.
Fonte: Portal da educação

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)