O risco de atraso escolar é maior nas crianças das favelas dos bairros abastados do que nas favelas populares, revelou o sociólogo brasileiro Luiz César Ribeiro na Conferência Internacional sobre Sucesso e Insucesso Escolar. «As favelas nos meios abastados são mais protegidas em tudo menos na educação. Há uma organização social, não há isolamento, mas existe uma anomia social», afirmou o sociólogo e coordenador geral do programa Observatório das Metrópoles - projecto que investiga o impacto das transformações socio-económicas nas grandes cidades brasileiras - numa conferência dedicada ao sucesso e insucesso escolar, na Fundação Calouste Gulbenkian.«Estar junto dos ricos não é vantajoso por razões instrumentais e institucionais, porque quanto mais perto das áreas ricas maior é a ocupação populacional das favelas, deixando as crianças de ter lugar para o bom desempenho escolar», explicou o sociólogo brasileiro.«Apesar do que se pensa, não há ausência de acesso às escolas nas favelas. Existem erros na maneira como é promovida a escolarização, isso sim», sublinhou o sociólogo.Luiz César Ribeiro acrescentou que esta «novidade sociológica» também existe por «razões institucionais, dado que apesar de a área rica produzir escolas públicas com melhores professores, estas continuam a ser escolas de favelas, onde a expectativa do professor relativamente à criança e ao seu capital acumulado é menor».
Fonte: Sol
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Estudo - Insucesso escolar é maior nas favelas dos bairros abastados do que nas favelas populares
Etiquetas: Escola e sociedade
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Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
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