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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Mau desempenho de alunos leva São Paulo a dar reforço de português e matemática

Mais de 70% dos alunos de 4ª série do Estado de São Paulo não têm as competências básicas de matemática, como operações de soma, subtração, multiplicação e divisão. E ainda 48,4% deles não sabem ler e escrever plenamente. Estes são resultados preliminares e mais recentes do Saresp, avaliação externa feita pelo governo do Estado na rede de ensino. Diante dessa constatação, as escolas da rede estadual terão 45 dias de aulas focadas especificamente em português e matemática no início do ano que vem. Será uma espécie de revisão intensiva do que deveria ter sido aprendido nos anos anteriores. O novo modelo será aplicado a alunos de 5ª a 8ª série do ensino fundamental e do 1º ao 3º ano do ensino médio. As aulas começam no dia 18 de Fevereiro, no início do ano letivo. Somente em Abril, as escolas iniciarão o currículo convencional. “Para aprender bem as outras disciplinas, os alunos precisam saber ler, escrever e fazer contas”, afirmou ao Estado a secretária estadual da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro. Nesses primeiros 45 dias, aulas de português e matemática serão ministradas pelos professores dessas disciplinas e ainda farão parte das outras matérias. “Os conceitos de leitura, por exemplo, serão dados em português. Em história, haverá a interpretação de texto histórico”, explica a assessora para avaliação e currículo da secretaria, Maria Inês Fini. Matemática aparecerá nas aulas de Geografia com estudos sobre medições e espaços, por exemplo. A carga horária nas escolas não mudará. Mas o currículo do restante do primeiro semestre será “acelerado”, de acordo com Maria Inês, em virtude da mudança. Além disso, os professores deverão seguir um material estruturado especificamente para isso, com as orientações sobre o que deverão ensinar aos estudantes no período.
Fonte: O Estado de São Paulo

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)