A Federação Nacional de Professores (Fenprof) estima em 35 mil os docentes no desemprego. "Só no início do ano lectivo ficaram de fora entre oito a dez mil professores contratados", afirmou ao JN, Mário Nogueira. O secretário-geral da Fenprof concorda que o Ministério da Educação não tem de ser uma agência de emprego como defende a ministra Maria de Lurdes Rodrigues "mas também não tem de ser uma agência de desemprego e está a sê-lo", alega. A Fenprof promoveu ontem um colóquio sobre o emprego docente, no Auditório da Biblioteca Nacional, em Lisboa. No final do encontro foi aprovado pelos professores uma resolução que pede ao Governo que intervenha na regulação da oferta de formação dos docentes "mesmo que isso implique afrontar interesses instalados" e que adopte "políticas activas de emprego também na área da docência". "Cada vez se atribuem mais responsabilidades às escolas. Nomeadamente, através dos contratos de autonomia e ao nível das taxas de abandono e insucesso escolar, às componentes sociais fora do horário lectivo. Agora até se fala na prevenção rodoviária, no entanto, o reforço de competências não é acompanhado de um reforço dos recursos. Antes pelo contrário", argumentou Mário Nogueira, insistindo que esse é um dos motivos pelos quais as políticas de Maria de Lurdes Rodrigues "não têm os resultados que deveriam ter". O Governo nega o número avançado pela Fenprof de 35 mil professores desempregados, adianta o secretário-geral. "Dizem que não estão tantos inscritos nos centros de emprego mas nem todos tinham tempo de serviço para terem acesso ao subsídio de desemprego e há muitos contratados pelas autarquias, com vínculos precários, nas Actividades de Enriquecimento Curricular", explica.
Fonte: JN
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Milhares de docentes estão no desemprego
Etiquetas: Professores
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Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
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