A Associação de Professores de Português (APP) defende que a abertura do corpus literário deverá incluir “textos não literários necessários ao trabalho académico, à actividade profissional e ao exercício da cidadania e novos textos resultantes da evolução tecnológica”. A Associação de Professores de Português (APP) apresentou um parecer sobre os Programas de Língua Portuguesa do Ensino Básico, que não foi solicitado pela tutela e que surge na sequência do seminário “Revisão dos Programas de Português do Ensino Básico” realizado em Dezembro pela Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular.
Alerta esta associação que “uma vez que nunca, à APP, chegaram ecos das escolas sobre a eventual necessidade de novos programas de Língua Portuguesa no Ensino Básico, nem conhecemos estudos ou opiniões que apontem nesse sentido, é urgente saber que avaliação foi feita dos programas, das práticas lectivas e do desempenho dos alunos que demonstre ou, pelo menos, indicie que o fraco desempenho actual dos alunos se deve ao programa em vigor desde 1991: quem fez esse diagnóstico, quando e com que resultados?”
Relativamente às orientações curriculares do Ensino Básico, “a principal dificuldade generalizadamente sentida” pelos professores da disciplina de Português, “prende-se, não tanto com a pluralidade de documentos orientadores, mas principalmente com o facto de os documentos radicarem em pressupostos curriculares fundamentalmente incompatíveis”.
Fonte: Texto editores
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Programas de Língua Portuguesa do Básico - Parecer da APP
Etiquetas: Educação básica, Língua Portuguesa
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Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
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