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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Jovens sul-americanos querem melhor educação

A principal reivindicação de jovens ligados a movimentos sociais em seis países da América Latina, inclusive do Brasil, é a criação de uma educação pública de qualidade e voltada para a formação profissional, aponta uma pesquisa organizada pelo IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e pelo Pólis (Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais).

Com o título de Juventude e Integração Sul-Americana, o levantamento ouviu, no ano passado, 19 grupos de jovens de 15 a 29 anos, na Argentina, na Bolívia, no Chile, no Paraguai e no Uruguai, além do Brasil (seis grupos). Ao todo, foram entrevistadas 960 pessoas, a grande maioria ligada em movimentos, sindicados ou associações — desde filhos de desaparecidos políticos da ditadura militar argentina a jovens do movimento hip hop na Bolívia, passando por migrantes do Nordeste brasileiro que trabalham no corte manual da cana-de-açúcar em São Paulo, além de jovens com alguma espécie de engajamento político no Chile, Paraguai e Uruguai. O objetivo foi entender quais são os anseios desses sul-americanos e de que maneira as políticas públicas poderiam beneficiar essa camada da população.

Em linhas gerais, os entrevistados disseram que a qualidade do ensino pede a aproximação entre educação e qualificação profissional; preocupam-se com remuneração, estabilidade e níveis e graus de informalidade no trabalho; reclamam transporte público gratuito para jovens estudantes, tanto no campo quanto na cidade; apontam que a cultura deve estar associada à educação de qualidade.

No Brasil, onde a proporção de jovens entre 15 e 29 anos na escola caiu de 38,3% para 36,3% entre 2003 e 2006, a pesquisa relatou dois grupos que apresentaram reivindicações ligadas à educação. Os jovens cortadores de cana alertaram para a necessidade de conciliar trabalho e estudo. O movimento pelo passe livre, de Salvador (BA), destacou as dificuldades de os jovens se locomoverem até a escola.

Ainda sobre a educação, os jovens sul-americanos, segundo a pesquisa, defendem currículos e horários escolares mais flexíveis, que possam atender à parcela da população que também trabalha.

"Esses grupos que nós pesquisamos se destacam por atividades políticas na realidade em que estão inseridos. Eles se diferenciam pelo fato de serem muito ativos", afirma o cientista político Maurício Santoro, do IBASE, um dos responsáveis pela realização do trabalho.
Fonte: clicabrasilia.com

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)