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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Marketing de Bê À Bá

A polémica gerou-se por causa da publicidade nos manuais escolares, mas a questão é mais profunda. Serão as marcas um mal necessário na educação ou uma prisão para toda a vida?
Não há como fugir. Comer, vestir, comunicar...viver. Tudo tem uma etiqueta. O marketing continua à procura de limites, num método de tentativa e erro. Aqui e ali, as vozes levantam-se, impõem regras. E o que acontece quando as marcas, de tão quotidianas, passam despercebidas, como acontece nos manuais escolares portugueses? Paisagem forçada ou manipulação subliminar, a verdade é que chegam às crianças nos livros, mas também nas salas de aulas e nos recreios. Empresas, investigadores, pais, professores e psiquiatras estão preocupados.O consumo não tem idade. Quanto muito, gosto pessoal ou disposição financeira. Mas há idades mais sensíveis ao assunto. A polémica foi gerada pelo livro Audiências Cativas, de Isabel Farinha. São perto de 180 páginas, em que a investigadora, profissional do negócio de compra de espaço publicitário durante 11 anos, analisa o fenómeno do marketing nas escolas e, mais especificamente, a presença de marcas nos manuais do primeiro ciclo do ensino básico. E lá vieram as vozes. Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (e pai de três), considera a prática "chocante". Maria José Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa de Psiquiatria da Infância e da Adolescência (e orientadora de crianças que sofrem de exclusão por não terem acesso às mesmas marcas que o resto do grupo), diz que a escola, enquanto instituição de referência, deve "controlar os exageros". Rita Bastos, presidente da Associação de Professores de Matemática (e docente desde 1979), é "contra qualquer tipo de publicidade escondida". E a Nestlé (uma das empresas que consta nos livros analisados) "opõe-se a esta abordagem". A autora de Audiências Cativas não desaprova, certamente, a visibilidade, mas afirma, repetidamente, que não pretende fazer uma denúncia, sublinhando que "os manuais são apenas uma parte ínfima da entrada do negócio nos estabelecimentos de ensino". Não é por nada que está a preparar uma tese de doutoramento mais abrangente sobre marketing escolar. Algo que é real, palpável e que vai da disponibilização de equipamento informático ao patrocínio de eventos desportivos.
Intrusão despercebida
Mas voltemos ao rastilho. A inserção de produtos nos manuais escolares disparou à medida que a capacidade de investimento das editoras em fotografia aumentou, substituindo a tradicional ilustração que acompanhava os textos, refere Isabel Farinha. De acordo com a autora, há uma "clara adequação das imagens ao target", visível na escolha de chocolates Kinder para aprender a contar ou de bolachas Oreo, pedindo-se aos alunos que identifiquem a sua data de validade. Feitas as contas, a investigadora, socióloga de formação, identificou, dentro da categoria de bens alimentares, uma especial propensão para a utilização de imagens de produtos lácteos, pastelaria, doces, sobremesas e refrigerantes. No que toca aos bens não alimentares, os artigos de papelaria, de higiene pessoal e os livros ganham a corrida.O mais curioso da sua investigação é que nem ela, nem os professores, encarregados de educação e editores que entrevistou se tinham apercebido disto. Até o Ministério da Educação desconhecia esta prática. É, por isso, que tem "quase a certeza de que não se trata de uma estratégia intencional", pelo menos, "não na grande maioria dos casos". Será falta de imaginação dos autores? "Talvez", diz. Será o assumir do consumismo sem travão? "Pode ser", responde.
Será simplesmente, a ideia de que as crianças têm mais facilidade em aprender quando lidam com objectos do seu quotidiano? "Provavelmente", remata. O livro não pretende ser conclusivo a esse ponto, mas dá algumas pistas. Rita Bastos, da Associação de Professores de Matemática, é mais assertiva. "É bom que os alunos tenham estas referência porque percebem mais facilmente do que estamos a falar e prestam mais atenção. Mesmo que não viesse num manual escolar, seria natural usar uma lata de Coca-Cola como exemplo numa aula, por uma questão de associação rápida", explica. A bebida norte-americana é transversal às faixas etárias, mas tem uma política rígida no que toca aos menores de 12 anos. "Não dirigimos acções de marketing a consumidores abaixo dessa idade. É uma norma global. As escolas são um território dos professores e dos encarregados de educação. Se aparecemos nos livros, não é porque fazemos por lá estar. Escapa ao nosso controlo", refere fonte oficial da Coca-Cola Portugal. Porém, nem todas as marcas obedecem a limites etários.
Para mais informações consultar o Caderno do Público sobre o tema.
Fonte: Público

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)