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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Oposição acusa Governo de desinvestir no ensino especial

A oposição, em bloco, acusou, no Parlamento, o Governo de desinvestir no ensino especial e de colocar fora do sistema de apoios especializados milhares de crianças - posições contestadas pelo secretário de Estado da Educação, Valter Lemos. O tema do ensino especial foi levado ao plenário da Assembleia da República pelas bancadas do PSD, CDS-PP e PCP, que pediram a apreciação parlamentar do decreto do Governo que alterou os apoios especializados na educação pré-escolar, básica e secundária.

Por parte da bancada do PSD, a deputada Helena Lopes da Costa considerou que as mudanças introduzidas pelo executivo no Ensino Especial constituem "uma das medidas mais negras deste Governo".

O seu colega de bancada Pedro Duarte disse que as alterações feitas pelo executivo deixam de fora "alunos com dislexia, com dificuldades de aprendizagem específica, alunos com problemas de comunicação, linguagem e fala, alunos com distúrbios de comportamento, alunos sobredotados, ou alunos com deficiência mental moderada ou ligeira".

PSD, CDS, PCP e Bloco de Esquerda afirmaram que casos como esses passam da educação especial para o âmbito dos apoios educativos a cargo de professores sem especialização, nem formação específica.

Os deputados João Oliveira (PCP) e Ana Drago (Bloco de Esquerda) acusaram o Governo de ter adoptado estas medidas "por critérios economicistas" e visando reduzir o número de alunos que frequentam o ensino especial.

Na resposta a estas críticas, o secretário de Estado da Educação acusou a oposição de "agitar fantasmas" e negou que o Governo tenha objectivos económicos com a adopção do decreto lei, defendendo que o anterior sistema "não permitiu formar professores especializados" [no ensino especial] com a intensidade suficiente.

Segundo Valter Lemos, na educação especial estão neste momento envolvidos 5861 docentes, tendo havido um aumento de 77 por cento no número de técnicos especializados em funções.

Fonte: Rtp.pt

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)