Bruxelas chamou ontem a atenção do Governo para a elevada taxa de abando escolar precoce e falta de qualificações profissionais, factores que alimentam a taxa de desemprego em Portugal.
No relatório que analisa a acção dos estados-membros para reformar o sector do emprego e a aplicação dos princípios da flexigurança, a Comissão Europeia chamava a atenção de Lisboa para a necessidade de melhorar a "eficácia do sistema educativo, nomeadamente através do aumento dos níveis de habilitações e de uma redução do abandono prematuro da escolaridade".
Os dados remontam a 2006, altura em que conjuntura económica permitiu que, pela primeira vez em quase dez anos, o crescimento económico favorecesse o emprego, traduzindo-se em quase quatro milhões de novos postos de trabalho. Mesmo assim, os jovens "não beneficiaram de forma proporcionada da retoma económica" e são a classe "mais premente", com o desemprego juvenil a ser um problema grave em muitos estados-membros. Em 2006, os mais jovens "continuavam duas vezes mais expostos" ao desemprego do que a mão-de-obra em geral.
Portugal deve no entanto insistir na modernização do dispositivo de protecção do emprego, nomeadamente a legislação, de forma a reduzir "a importante segmentação do mercado de trabalho, no quadro da abordagem de flexigurança".
O relatório recomenda um aumento significativo dos investimentos em capital humano, mais vocacionados para responder às necessidades do mercado de trabalho; diz que a aprendizagem tem de começar mais cedo e prosseguir ao longo da vida; e que as qualificações adquiridas no trabalho "devem obter reconhecimento em toda a Europa".
Bruxelas avisa que a escassez de mão-de-obra e de competências em cada vez maior número de actividades, como cuidados de saúde e de idosos, educação e algumas engenharias, estão a causar estrangulamentos no mercado de trabalho, e alerta para que se faça uma previsão mais eficazes das futuras necessidades de competências.
Fonte: JN
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Portugal tem de apostar na formação
Etiquetas: Escola e sociedade
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Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
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