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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Tribunal aceitou providência cautelar que visa suspender avaliação de professores

O Tribunal Administrativo de Coimbra aceitou hoje a primeira providência cautelar que visa suspender o processo de avaliação dos professores, decisão que o sindicato dos docentes diz ter efeitos suspensivos e o ministério não. Fonte da FENPROF disse que os despachos ministeriais sobre a avaliação de professores ficam suspensos com esta decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra (TAFC).No entanto, fonte do Ministério da Educação afirmou que, no entendimento da tutela, a situação não tem qualquer efeito sobre o processo de avaliação, actualmente a decorrer. «O tribunal aceitou o requerimento de suspensão de eficácia dos dois despachos. Estão suspensos até que o juiz tome uma decisão definitiva» disse Luís Lobo, dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro (SRPC), afecto à FENPROF. Segundo o sindicalista, o Ministério da Educação tem agora 10 dias para responder ao tribunal a justificar os dois despachos. Por seu turno, fonte do Ministério da Educação, ouvida pela Lusa, admitiu que a tutela «vai responder [ao tribunal]» no prazo fixado, frisando, no entanto, que a situação «não tem qualquer efeito suspensivo sobre o processo de avaliação».
Fonte: Sol

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)