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sábado, 9 de fevereiro de 2008

Tribunal suspende processo de avaliação de professores

O processo de avaliação dos professores foi suspenso pelo Tribunal Admnistrativo de Lisboa, que admitiu «liminarmente» a providência cautelar interposta pelo Sindicato Independente e Democrático dos Professores (Sindep).
De acordo com a edição deste sábado do Diário de Notícias, o Sindep alega irregularidades na acção do Ministério da Educação, que tem agora 10 dias para contestar a decisão, que poderá mesmo congelar todo o processo.
Há uma semana, o secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, emitiu um despacho, atribuindo à antiga inspectora-geral da Educação, Conceição Castro Ramos, competências para emitir recomendações em nome do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores (CCAP), que as escolas devem seguir na adopção de «indicadores de registo».
Contudo, o conselho ainda não foi constituído, pelo que a ausência das recomendações, necessárias ao processo de classificação, foi invocada pelos sindicatos para pedirem o adiamento do processo de avaliações, embora Conceição Castro Ramos tenha acabado por as fazer, sem ainda presidir à CCAP.
«As recomendações que foram feitas são inválidas», argumenta Carlos Chagas, do Sindep, acrescentando que «a intenção da lei é clara». Contudo, o ME tem uma opinião contrária, pelo que «vai concretizar a oposição à providência cautelar», garantiu o assessor de imprensa da ministra Maria de Lurdes Rodrigues, Rui Nunes.
«A acção não tem quaisquer efeitos suspensivos do processo de avaliação em si», alega o responsável, uma vez que as regras apenas dizem que as escolas «devem» seguir as recomendações do CCAP, o que não as obriga a cancelar o processo caso estas não existam.
Fonte: Diário Digital

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)