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quarta-feira, 5 de março de 2008

Açores: Conto infantil vai abranger 44 escolas e milhares de alunos

A segunda edição da Itinerância do Conto Infantil, promovida pela Biblioteca Pública e Arquivo de Angra do Heroísmo, vai decorrer em Março e Abril, em 44 escolas, abrangendo 3.777 crianças e 217 professores.
O anúncio foi feito hoje, em conferência de imprensa, pelo director da instituição da ilha Terceira, Marcolino Candeias, que qualificou o conto como "um factor importante na formação das crianças que frequentam o primeiro ciclo do ensino básico".

"Esta segunda edição realiza-se depois das conclusões animadoras da primeira experiência, realizada no ano passado, cujos efeitos se revelaram superiores às expectativas iniciais", disse Marcolino Candeias.

Paralelamente às acções com os alunos, a biblioteca promove a "Oficina de Mediação da Leitura - No Tempo das Palavras", dirigida aos professores, para os "sensibilizar para as práticas continuadas de promoção da leitura".

A iniciativa conta com a participação de Cristina Taquelim, uma psicóloga educacional que faz parte da equipa do projecto Gulbenkian - Casa da Leitura, para quem "o gosto pela leitura e pela palavra é que permite que cada indivíduo seja sujeito".

"A leitura tem uma função social", realçou Cristina Taquelim na conferência de imprensa.

Nas acções com os alunos, esta especialista adianta que "se exploram também os livros de imagem como trabalho de afirmação e confirmação".

Questionada sobre se os baixos índices de leitura se devem ao preço dos livros, garantiu que "essa é uma falsa questão".

"Gasta-se muito dinheiro, sem discutir, em lixo alimentar ou brinquedos muito caros, o que também nos faz pensar que se podia comprar um livro", realçou a psicóloga.

A biblioteca infanto-juvenil de Angra do Heroísmo disponibiliza mais de 10 mil títulos, que podem ser requisitados para empréstimo ao domicílio, o que para os seus responsáveis, "é um sinal de que, se não se lê, é porque se não quer".

Durante as acções junto das 44 escolas, vão circular para leitura dos alunos mais de 2 mil livros.
Fonte: RTP.pt

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)