João Marcelino, DN
1 Não conheço pessoalmente a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. Por razões profissionais, mantive com ela duas curtíssimas conversas telefónicas e portanto a avaliação pessoal que faço da sua acção governativa utiliza os mesmos meios de aferição ao alcance de qualquer português: as políticas do ministério, as declarações públicas da ministra e as reacções que produzem.
Feita esta nota prévia, declaro desde já a minha simpatia pela pessoa: gosto da convicção, da forma apaixonada como defende os seus argumentos, do turbilhão de trabalho em que está manifestamente envolvida. Se peca é por excesso: por querer, talvez, fazer em pouco tempo, numa Legislatura, o que talvez devesse caber em duas. Mas também não tenho a certeza disso.
O que tenho a certeza é de que ela anda depressa de mais para a velocidade de um país dominado pelas dinâmicas socioprofissionais, que interioriza a rotina como um direito adquirido e, sobretudo, tem medo de mudar.
A polémica instalada à volta do sistema de avaliação do desempenho dos professores da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário é disso prova evidente. E não pode ser vista como uma contestação isolada. É mais um acto de uma revolta corporativa que começou no dia em que a ministra começou a mudar as regras do pacato dia-a-dia das escolas portuguesas, uma das origens do país que somos.
2 De qualquer forma há aqui, hoje, não é possível escondê-lo, um problema nas escolas que resulta da forma como os professores encaram e tentam resistir às mudanças. Não terá, talvez, a dimensão que é projectada na comunicação social, mas existe.
É um facto.
A contestação, que começou por ser sindical (leia--se: organizada pelo Partido Comunista Português), tem na actualidade uma dimensão geral que deve obrigar a ministra a alguma reflexão, porventura a questionar não o sentido das suas convicções mas o timing de implementação de todas as medidas que considera imprescindíveis para termos uma escola de qualidade - mais profissional e competente.
Digo isto porque sou sensível a uma observação que ontem voltei a encontrar no meio de uma reportagem do Público: "Os professores sentem-se desrespeitados, há um sentimento de desespero."
Este estado de espírito merece reflexão.
Quem, como eu, acredita na necessidade da avaliação, seja nos professores, nos juízes ou nos jornalistas, tem de defender que ela seja explicada, bem percepcionada, assumida por todos os intervenientes, se não com entusiasmo pelo menos com a convicção de que no futuro, ultrapassadas situações pontuais de um ou outro critério a rever ou de alguma injustiça a rectificar, ela possa originar um modelo racional, digno, muito melhor do que o vazio que hoje reina entre a apatia da comunidade, a pouca participação dos pais e o normal espírito rebelde dos alunos.
Os processos de avaliação - a chave de ignição deste movimento - são sempre momentos sensíveis, especialmente quando não há experiência na matéria, como é o caso dos professores. A maior parte deles manifestamente não sabe que os objectivos individuais contra os quais se rebelam são simples adaptações de modelos técnicos que funcionam noutras actividades e praticados pelas grandes empresas especializadas na avaliação de recursos humanos.
Os professores, que tanta justiça clamam para si, deveriam ser mais justos na apreciação que fazem à ministra.
E a propósito das manifestações, em que vão, erradamente, pedir a demissão de Maria de Lurdes Rodrigues, como já se percebeu, cabe-me dizer o seguinte: mal seria que em Portugal ainda pudesse cair um ministro pelas razões que estão sobre a mesa e que, apenas por mero oportunismo político da oposição, se podem comparar às que resultaram na saída do anterior ministro da Saúde.
Se uma das condições para participar nas manifestações anunciadas fosse provar conhecer a legislação que vai tutelar a avaliação dos docentes (Decreto Regulamentar n.º2/2008, publicado no Diário da República, 1.ª série, n.º 7 de 10 de Janeiro deste ano), tê-la lido e compreendido, provavelmente não haveria tanta contestação como aquela que pode vir a desembocar na "marcha de indignação dos professores" convocada para o próximo dia 8.
Fonte: DN
segunda-feira, 3 de março de 2008
A AVALIAÇÃO DA MINISTRA
Etiquetas: Professores
Para subscrever o Noticiasdescola
Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
Site em destaque - e-escolinha
Arquivo de notícias
- Acesso Ensino Superior 2008 (7)
- Agenda (1)
- Alunos (185)
- Ano lectivo 2007/2008: o que há de novo (6)
- Artes e educação (13)
- Artigos de opinião (26)
- Avaliação dos Professores (106)
- Ciências (19)
- Colocação de Professores (11)
- É destaque lá por fora (212)
- e-educação (93)
- Educação básica (70)
- Educação e ambiente (13)
- Educação especial (47)
- Ensino Profissional (26)
- Ensino Secundário (57)
- Escola e sociedade (68)
- Escola em destaque (29)
- Escolas (231)
- Estatuto do aluno (21)
- Exames e Provas de Aferição 2008/2009 (1)
- Exames Nacionais 2008 - Resultados (1)
- Exames Nacionais 2008 - Resultados (4)
- Exames nacionais 3.º ciclo 2008 (18)
- Exames nacionais secundário 2008 (28)
- Gestão escolar (59)
- Insucesso escolar (8)
- Língua Portuguesa (31)
- Manuais escolares (26)
- Matemática (28)
- Novidades ano lectivo 2008/2009 (31)
- Pais (159)
- Pré-escolar (25)
- Professores (372)
- Provas de aferição 2008 (11)
- Resultados exames nacionais 2007 (14)
- Saúde na escola (48)
- Violência escolar (94)