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sexta-feira, 7 de março de 2008

Brasil: divulgando a cultura científica

Um grupo de físicos lançou, na manhã desta quinta-feira (6/3), na capital paulista, um projeto didático ambicioso com o objetivo de levar a todas as 24.131 escolas públicas e privadas de ensino médio do Brasil os principais conceitos adquiridos no século 20 sobre a estrutura elementar da matéria.

Um dos objetivos do projeto Estrutura Elementar da Matéria: Um Cartaz em Cada Escola, que pretende distribuir 50 mil cartazes, cerca de dois para cada instituição de ensino, é aguçar a curiosidade dos jovens e despertar vocações para o estudo das ciências físicas.

Serão distribuídos ainda 25 mil folhetos explicativos para que os professores possam responder às questões levantadas pelos alunos. Cartaz e folheto contêm conhecimentos básicos sobre os constituintes da matéria e as interações que regem o mundo subatômico.

A iniciativa é do Centro Regional de Análise de São Paulo (Sprace), em parceria com docentes e pesquisadores das universidades Estadual Paulista (Unesp) e de São Paulo (USP), e com apoio financeiro da Universidade Federal do ABC (UFABC) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“A idealização do projeto foi motivada pela grande defasagem nos conteúdos ensinados nas escolas sobre a estrutura da matéria, comparado com o avanço do conhecimento adquirido pelas comunidades científicas nacional e internacional”, disse o físico Sergio Novaes, coordenador do projeto e professor do Instituto de Física Teórica da Unesp, à Agência FAPESP

Segundo ele, essa defasagem no currículo escolar do ensino médio no país, “que praticamente não leva em conta os avanços do século passado”, varia de 70 a 100 anos. Os esforços para se descobrir do que a matéria e o Universo são constituídos, no entanto, são muito antigos e foram acompanhados de diversas propostas para sua descrição.

“Isso envolve desde as descrições mais simples e que já foram descartadas, como a dos antigos gregos sobre os quatro elementos – terra, fogo, água e ar – até as mais complexas e atuais, feitas após a introdução da tabela periódica por Dmitri Mendeleiev no fim do século 19. O problema é que o século 20 presenciou avanços profundos no conhecimento da estrutura mais íntima da matéria que muitas vezes são completamente ignorados”, afirmou.

Fonte: Agência FAPESP

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)