Embora o preconceito e a falta de conhecimento das leis ainda impeçam o acesso à escola de crianças com necessidade de educacão especial, as pesquisas demonstram avanços visíveis no número de matrículas relativas a essa área. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), triplicou nos últimos anos o número de alunos admitidos na escola, de acordo com o sistema denominado Educação Inclusiva.
Os especialistas nessa modalidade educacional advertem que cada deficiência requer estratégia e material específicos, devendo-se levar em conta, também, que cada aluno aprende segundo sua forma e seu ritmo próprios. Ressaltam ainda que o respeito à diversidade concede oportunidade para todos os estudantes seguirem e aprenderem os mesmos conteúdos didáticos, dentro de necessárias adaptações. Mas essa condição não significa atribuir atividades aparentemente mais ´fáceis´ aos que apresentam algum tipo de deficiência. Deve-se sempre ter em mente que qualquer aluno, independentemente de suas eventuais limitações, deve ter a mesma possibilidade de progredir e assimilar conhecimentos.
A Declaração de Salamanca, documento fundamental a respeito da Educação Inclusiva, estabelece inúmeros itens para caracterizar uma criança com necessidade educacional especial. Não estão incluídas na definição somente aquelas com dificuldades temporárias ou permanentes, mas também as comprovadas vítimas de violação física, emocional ou exploração sexual; as que vivem em extrema condição de pobreza, sofrem processo de desnutrição ou são obrigadas a trabalhar; e ainda, noutro sentido, as consideradas superdotadas, com altas habilidades quanto à aprendizagem, acima dos parâmetros estabelecidos para sua idade.
Segundo conceito estabelecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), todos os alunos com problemas de aprendizagem devem representar estímulo para os mestres desenvolverem estratégias especiais de ensino. Em vez de serem enfatizadas as suas dificuldades, inclusive a de adaptação ao meio escolar, merecem ser observadas e avaliadas suas capacidades, para que sejam estabelecidos os melhores meios no sentido de desenvolvê-las.
Os estudantes com necessidades especiais merecem, sobretudo, ser ouvidos em suas reivindicações, quase sempre plausíveis, a fim de conseguirem obter resultados positivos nos estudos, mesmo não sendo rigorosamente enquadrados dentro do comportamento padrão. Ser diferente não significa, necessariamente, ser inferior.
As conquistas verificadas nos últimos anos são consideradas promissoras, mas ainda há muito a realizar nesse âmbito educacional, para quebrar o estigma do preconceito que o prejudica. Embora represente um desafio permanente à escola tradicional, a Educação Inclusiva é, em sua essência, um movimento social relevante, defensor dos direitos da diversidade e impulsionador de uma sociedade mais justa e democrática.
Fonte: Diario do Nordeste
quarta-feira, 5 de março de 2008
Educação inclusiva
Etiquetas: Educação especial
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Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
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