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sexta-feira, 7 de março de 2008

Entrevista de Judite de Sousa à Ministra da Educação

Maria de Lurdes Rodrigues volta a dizer que sistema de avaliação dos professores é mesmo para avançar: «O que ouço nos protestos é revelador que as pessoas não sabem do que estão a falar. «Qual é o benefício de suspender ou adiar o processo?»
A «Marcha da Indignação» dos professores, que se realiza neste sábado em Lisboa, não parece assustar a ministra da Educação. Em entrevista a Judite de Sousa, na RTP, Maria de Lurdes Rodrigues assegurou que não vai recuar no processo de avaliação.

«O mais importante nesta altura é o trabalho que se está a fazer nas escolas. Não se trata de indiferença ou insensibilidade, pois há problemas que preocupam a todos. Mas a questão que surge é qual é a alternativa a este processo», começou por revelar, considerando que «não se está a pedir mais aos professores do que se pede às outras pessoas».
«Não estou a ignorar estes protestos. Olho com preocupação, mas com segurança de que o que estamos a fazer é o melhor para o país», frisou, considerando que existe uma «manipulação»: «Isso foi evidente, pois certos partidos estão a tentar tirar dividendos da situação. Existe um certo aproveitamento político».

A ministra sabe que este sentimento dos professores «é um fenómeno que atravessa toda a sociedade», mas sente-se preparada para continuar com as suas políticas. «Recuar? O que é o recuo, suspender a avaliação? Pensa que suspender a avaliação é alternativa? Qual é o benefício de suspender ou adiar?».

E se estiverem presentes na «marcha» mais de metade dos professores? «Acha que a decisão política se toma na rua? Eu acho que não. Tenho o dever de decidir e criar condições para que as decisões sejam aplicadas», respondeu Maria de Lurdes Rodrigues, frisando: «Adiar, suspender, e o país fica suspenso? Não pode ser, não é alternativa».

Fonte: Portugal Diário

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)