Os professores podem voltar a encher as ruas de Lisboa. A Fenprof não descarta a hipótese de organizar uma nova marcha da indignação. O sindicalista Mário Nogueira quer que a ministra Maria de Lurdes Rodrigues esclareça, num encontro marcado para sexta-feira, se existe ou não uma real vontade de diálogo por parte do ministério da Educação.
Se não existir vontade de diálogo, os professores prometem endurecer a luta e todas as hipóteses estão em aberto. A Fenprof quer garantias de que o Ministério da Educação está de facto aberto ao diálogo depois do protesto de 100 mil professores em Lisboa.
Mário Nogueira garante que o prazo dado até sexta-feira para que a ministra prove que merece o cargo não é um ultimato. O sindicalista esclarece que a ministra contrariou o secretário de Estado Jorge Pedreira e, por isso, espera esclarecimentos na próxima sexta-feira.
«Vamos tentar perceber se o que vale é o que nos foi dito pelo secretário de Estado na terça-feira ou se o que vale é o que a ministra disse na quarta-feira», explicou Mário Nogueira à TSF.
O sindicalista avisou que os professores têm protestos de rua marcados «para todas as semanas em todas as capitais de distrito, todas as segundas-feiras, depois das aulas».
O secretário-geral da Fenprof fez estas declarações depois de uma reunião com o grupo parlamentar do PCP. O encontro foi pedido pelos comunistas com o objectivo de preparar a interpelação ao governo sobre Educação, agendada para a próxima terça feira.
Mário Nogueira reagiu também à proposta de Luís Filipe Meneses, sobre a avaliação dos professores. O secretário-geral da Fenprof diz que «está aberto» a discuti-la, mas só depois de o ministério suspender o actual regime de avaliação.
Fonte: TSF
quinta-feira, 13 de março de 2008
Fenprof volta à rua se ministra não cumprir promessa de diálogo
Etiquetas: Avaliação dos Professores
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Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
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