O processo de avaliação dos professores não vai ser adiado nem suspenso, garantiu a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, em conferência de imprensa. No entanto, ressalvou que as escolas poderão simplificar os procedimentos previstos no diploma, abdicando por exemplo da observação de aulas.
“A avaliação de desempenho dos professores não está adiada nem suspensa, não será adiada nem suspensa, está em curso nas escolas”, afirmou a ministra. No entanto, as escolas poderão proceder a pequenas alterações, desde que justifiquem fundamentadamente essa medida.
Relativamente aos estabelecimentos de ensino que, ainda assim, "verificarem não ter condições para o cumprimento" da avaliação este ano lectivo, Maria de Lurdes Rodrigues afirmou que estes deverão reportar as suas dificuldades à tutela, sendo depois criada uma solução para cada caso. "Todas as escolas vão conseguir fazer a avaliação nos prazos que estão estipulados", garantiu.
Apesar disso, a titular da pasta da educação garantiu que houve um avanço no entendimento com os sindicatos, ao se aceitar prolongar o prazo e dar maior autonomia às escolas, pelo que cada estabelecimento de ensino poderá definir o seu calendário de avaliação.
Ontem o Ministério da Educação tinha anunciado estar disponível para adoptar “soluções flexíveis” na aplicação do processo de avaliação e até para introduzir “correcções” ao modelo, mas apenas no final do próximo ano lectivo (2008/2009).
O secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, disse ainda que não havia qualquer hipótese de aplicar o processo de forma experimental, mas que se chegou a “um entendimento” para resolver “a conflitualidade” existente, nomeadamente com a Fenprof.
Também o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, afirmou ontem, depois das declarações de Jorge Pedreira, que tinha sido encontrada "uma luz ao fundo do túnel" em matéria de avaliação, gestão escolar, horários de trabalho dos professores e decisões judiciais.
Negociação com a Fenprof comprometida
Contudo, o processo de negociação parece estar comprometido, tendo Mário Nogueira lançado hoje um ultimato à ministra, marcando sexta-feira como prazo máximo para um recuo. A titular da pasta remeteu para essa data qualquer esclarecimento à Fenprof, pois “o que vale nos processos de negociação é o que se passa nas reuniões”, defendeu.
Segundo o Ministério da Educação, o acordo hoje alcançado com o Conselho de Escolas estipula ainda que o programa de formação em avaliação que foi criado para os membros dos conselhos executivos será estendido aos coordenadores de departamentos curriculares e professores titulares envolvidos neste processo. No âmbito deste programa, todos os docentes que estejam interessados poderão também receber formação em auto-avaliação.
A tutela comprometeu-se igualmente a criar, em parceria com o CE, um grupo de trabalho que deverá propor medidas para reforçar as condições das escolas no próximo ano lectivo, para diminuir as suas dificuldades no que diz respeito ao processo de avaliação de desempenho.
Nesse sentido, os docentes avaliadores, nomeadamente os coordenadores de departamento e membros de conselhos executivos, poderão vir a beneficiar de melhores condições ao nível de horário, de forma a terem mais tempo disponível para se dedicarem ao processo. Caberá igualmente a este grupo de trabalho "fazer sugestões para a organização do próximo concurso para professor titular", destinado a todos os docentes com mais de 18 anos de serviço (pertencentes ao 7º, 8º e 9º escalões), havendo ainda cerca de metade dos lugares por ocupar.
Na conferência de imprensa, a responsável anunciou ainda que será divulgado ainda esta semana o diploma que estabelece as ponderações que serão atribuídas a cada um dos parâmetros de classificação, estando também para "breve" a publicação do despacho que vai fixar as quotas para a atribuição das classificações de Muito Bom e Excelente.
Fonte: Público
quinta-feira, 13 de março de 2008
Ministra da Educação nega recuo na avaliação dos professores
Etiquetas: Avaliação dos Professores
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Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
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