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quarta-feira, 12 de março de 2008

Ministra da Educação «não sabe o que é uma escola»

Santana Lopes disse, esta segunda-feira, que a ministra da Educação «não sabe o que é uma escola», por alterar a avaliação dos professores a meio do ano lectivo. No entanto, o social-democrata teceu alguns elogios a Maria de Lurdes Rodrigues e a José Sócrates.
O líder parlamentar do PSD disse, que a ministra da Educação já assumiu medidas corajosas, mas depois precipitou-se ao querer introduzir o modelo de avaliação dos professores a meio do ano lectivo.

Num debate promovido em Gaia pelo Clube dos Pensadores, Santana Lopes frisou que só pode «introduzir a alteração da avaliação» dos professores a meio do ano lectivo «quem não sabe o que é uma escola».

Para o antigo primeiro-ministro, Maria de Lurdes Rodrigues até tomou «medidas com alguma coragem», como a «estabilização na colocação dos professores por três ou cinco anos», mas depois entrou «por uma via estranha do facilitismo e de agitação».

«Nunca se governa um sector em luta contra os cortes fundamentais» desse grupo, sublinhou, lembrando o exemplo de Leonor Beleza, antiga ministra da Saúde, que «fez uma guerra com os médicos», apesar da grande qualidade» que tinha.

O líder parlamentar do PSD elogiou José Sócrates, considerando-o «muito determinado», mas frisou que não tem desenvolvido uma «governação socialista», até porque, como político, de «socialista tem muito pouco».

Para o social-democrata, a governação do primeiro-ministro é «muito parecida» à da antiga ministra das Finanças do governo de Durão Barroso, Manuela Ferreira Leite.

Relativamente às criticas internas no PSD, como as que Rui Rio e Castro Almeida tem lançado ao presidente do partido, Luís Filipe Menezes, Santana Lopes alertou que podem levar a um caminho muito perigoso para a democracia e criar um «clima de terror» no partido.

Fonte: TSF

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)