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terça-feira, 8 de abril de 2008

Carolina Michaelis: Escola decide até sexta-feira se castiga mais alunos

A presidente do Conselho Executivo da Carolina Michaelis, Carla Duarte disse hoje à Lusa que até sexta-feira ficarão definidos os eventuais procedimentos disciplinares a aplicar aos restantes alunos da turma do 9ºC daquela escola secundária do Porto.
Na sequência do caso da aluna daquela turma que maltratou a professora de Francês numa aula, depois da docente lhe retirar o telemóvel cujo uso é proibido durante as aulas, a escola abriu um inquérito sobre eventuais responsabilidades disciplinares dos restantes alunos da turma.

O relatório do Conselho Disciplinar de Turma já foi entregue ao Conselho Executivo, a quem cabe agora decidir se aplica ou não sanções a outros alunos que eventualmente tiveram responsabilidades no incidente, que foi filmado por um colega e colocado no YouTube.

"Não está ainda nada decidido quando a castigos", referiu Carla Duarte à Lusa, sustentando que há alunos que serão de novo ouvidos, entre hoje e quarta-feira, na presença dos seus encarregados de educação.

Carla Duarte salientou que os alunos a ouvir nestes dois dias, cujo número se escusou a revelar, "foram alvo de acusação".

Segundo referiu, as eventuais sanções disciplinares a aplicar serão decididas até sexta-feira.

Estas podem ir desde um dia de prestação de trabalho comunitário na escola até dez dias de suspensão, sendo que este último castigo implica a presença do aluno na escola.

Um aluno que seja suspenso tem sempre trabalhos e actividades dentro da escola para fazer, referiu a responsável.

De acordo com a edição de hoje do Jornal de Notícias, apenas um aluno, que alegadamente impediu a assistência de colegas à professora de francês agredida, deverá ser castigado.

As conclusões retiradas pelo Conselho Disciplinar da Turma costumam ter correspondência na decisão final do Conselho Executivo, realça o matutino.
Fonte: Rtp.pt

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)