Um professor de informática vítima de cancro do pâncreas comoveu os Estados Unidos com uma "última palestra" dedicada aos seus alunos. Um discurso humorado de quem sabe que vai morrer em breve.
Se soubesse que ia morrer, que mensagem gostava de deixar? Foi para responder a esta questão que um professor de informática norte-americano subiu ao palco da Universidade Carnegie-Mellon, para dar a sua "última palestra". O humorado testemunho deste doente terminal de cancro do pâncreas comoveu o seu país e vai agora ser editado em livro.
Na universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, é tradição os professores fingirem que estão a morrer e darem a sua "última palestra", onde têm a possibilidade de passar aos estudantes as suas maiores lições da vida. Para o professor de informática, Randy Pausch, esta foi mesmo a última vez que falou aos seus alunos: os médicos dão-lhe cinco a seis meses de vida.
Nem o cansaço extremo provocado pela cirurgia a que foi submetido e os posteriores tratamentos lhe tiram o ânimo. Mesmo sabendo que não vai poder ver os seus filhos crescer, começou a palestra afirmando que "é feliz", que possivelmente estaria "em melhor forma física do que muitos dos presentes" - comprovando-o ao fazer flexões - e que estava "farto de falar de cancro", portanto não seria essa a conversa da noite.
Um testemunho de força
Durante uma hora de palestra, Pausch optou por um tema bem diferente: o significado de realizar os sonhos de infância. Com fotografias suas em criança, lembrou que da sua lista de objectivos faziam parte "jogar na primeira liga de futebol", "ganhar peluches gigantes em feiras" e "experimentar a gravidade zero". De uma forma ou de outra, conseguiu realizar a grande maioria destes sonhos.
"Os muros não existem para nos deixar de fora. Existem para nos dar a possibilidade de mostrar o quanto desejamos algo", afirmou Pausch perante uma plateia emocionada. Contudo, a sua despedida foi o momento mais marcante: "Já perceberam qual o segundo objectivo desta palestra? É que ela não é para vocês, é para os meus filhos. Boa noite, obrigado a todos".
A 13 de Março o professor esteve num congresso em Washington para falar sobre a sua doença e frisou que a aposta no financiamento à investigação do cancro do pâncreas é essencial, uma vez que as "as suas vítima morrem cedo demais". Com o à-vontade que lhe é característico, surpreendeu tudo e todos quanto no fim da audiência tirou uma fotografia da família do bolso e os apresentou: "Este é o Dylan, tem seis anos e adora dinossauros. Este é o Logan, tem quatro. A Chloe é um bebé de dois anos. E esta é a minha viúva".
Transformado numa figura mediática pela forma como está a enfrentar o cancro, as imagens do professor Randy Pausch foram divulgadas em Portugal pela RTP. O livro sobre a sua palestra será lançado nos Estados Unidos na próxima semana.
Fonte: Expresso
segunda-feira, 7 de abril de 2008
O último discurso do professor
Etiquetas: É destaque lá por fora
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Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
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