O secretário de Estado-adjunto e da Educação insistiu hoje em que o Ministério "está a dar condições às escolas" para avançarem este ano lectivo com a avaliação dos professores e disse acreditar que nenhum conselho executivo recusará aplicar o processo.
"Há um conjunto de elementos que permitem, mesmo num regime simplificado, com rigor e fiabilidade, avaliar os professores que têm de ser avaliados este ano", disse Jorge Pedreira aos jornalistas à saída de uma reunião em Coimbra com presidentes dos conselhos executivos de escolas e agrupamentos dos distritos de Coimbra, Castelo Branco e Leiria.
O membro do governo admitiu existirem "dificuldades na aplicação" do modelo de avaliação, mas insistiu em que o Ministério da Educação "está a dar condições às escolas" para a sua concretização.
"As escolas são muito diferentes umas das outras. Há escolas que já têm tudo aprovado. Estamos a tentar responder à diversidade de condições das escolas", adiantou Jorge Pedreira no final do encontro, em que participou também o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos.
Instado pelos jornalistas, Jorge Pedreira escusou-se a comentar a hipótese de recusa de aplicar o processo de avaliação por parte das escolas, dizendo não acreditar que "a situação se venha a verificar".
"Parece-me que a situação não se vai colocar. Estamos a dar condições aos conselhos executivos que pediram a suspensão por escrito. Outra coisa é recusarem-se a aplicar: há mecanismos de responsabilização expressos no decreto regulamentar, mas creio que não será necessário recorrer a esses mecanismos", acrescentou.
Na perspectiva do secretário de Estado-adjunto e da Educação, "os presidentes dos conselhos executivos compreendem bem que têm uma responsabilidade perante os colegas que necessitam de avaliação".
"Se os professores contratados não tiverem avaliação, não podem ver os seus contratos renovados e os professores dos quadros têm de ficar um ano à espera da classificação", sustentou.
Fonte: Lusa
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Sec. Estado diz acreditar que nenhuma escola recusará aplicar processo de avaliação dos professores
Etiquetas: Avaliação dos Professores
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Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
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