Punir menos e compreender mais, pode ser uma maneira de lidar com a indisciplina.
Liliana Almeida, psicopedagoga da Linha SOS Professor [808 96 2006], aceitou o desafio do EDUCARE.PT para estabelecer algumas orientações que permitam aos professores evitar ou, se não, lidar com algumas situações difíceis do quotidiano escolar. Seguem-se as possíveis respostas à pergunta "Como fazer para...?":
Levar os alunos a cumprirem as regras
No início do ano lectivo, o professor deve preparar os alunos para a sua própria auto-responsabilização. Ou seja: comprometê-los a participar na definição dos objectivos e regras da sala de aula, atendendo às regras gerais da escola. Fomentar o ensino participativo, envolvendo os alunos de modo que sejam os agentes directos da sua aprendizagem. Ensinar os alunos a ter uma atitude mais flexível e cooperativa em relação ao professor e aos colegas, criando pequenos debates sobre problemas despoletados na sala de aula.
Gerir o barulho na sala de aula
É difícil controlar o barulho porque a sala de aula é um espaço interactivo formado por intervenientes com objectivos e vontades diferenciadas. Acresce que o aluno pode estar habituado a ouvir o pai e a falar em simultâneo, logo, o que é usual para ele torna-se uma infracção à regra na sala de aula. Cabe ao professor estar atento e descobrir a bagagem cultural de cada aluno. Mas se o ruído não for completamente perturbador, cabe ao professor naquele momento decidir se o ignora ou não. Caso decida ignorá-lo, no final da aula, deve chamar o aluno em privado e questioná-lo sobre o seu comportamento.
Tornar as repreensões mais eficazes
As repreensões não devem ser aplicadas com muita frequência. O professor deve optar por chamar o aluno individualmente e questioná-lo, dizendo por exemplo: "Tu hoje estavas muito agitado, o que se passa? Posso ajudar-te?"; "Hoje não percebi o teu comportamento, estás com algum problema?"; "Estou a ver que estás preocupado, queres falar comigo sobre isso?" Tudo isto, não no sentido de querer punir, mas de mostrar ao aluno que está a querer compreendê-lo.
Aumentar a empatia com os alunos
Controlar o tempo de fala é uma das estratégias para criar momentos de informalidade com a turma na sala de aula. O professor deve envolver os alunos em diálogos intra e intergrupos e colocar a turma em situações de participação expositiva. Porque permitir a um aluno contar uma anedota? Acabado esse momento, o professor retomaria a sua aula. Isto pode ser eficaz, se o professor definir previamente com os alunos que haverá momentos de descontracção na sala de aula onde poderão falar entre si. Desta forma, o professor está a condicionar os alunos a não falarem entre si nos outros momentos onde fará a exposição da matéria.
Acabar com o envio de sms
Muitas vezes os jovens estão à mesa com os pais e a enviar sms. Esse comportamento é-lhes permitido em vários contextos, por isso, reagem com intolerância quando o professor não o permite. Para o aluno, o envio de uma sms é menos grave comparativamente ao estar a falar. Ao identificar este comportamento, o professor deve sempre chamar o aluno individualmente e falar com ele.
Ver a sua autoridade efectivamente reconhecida
O professor tem de exercitar com os alunos a escuta atenta, chamar à atenção para o uso de palavras pouco adequadas ao contexto e exercer a comunicação espontânea. Há estratégias que podem ser implementadas na sala de aula e que ajudam os alunos a ver o professor como alguém respeitável e um modelo a seguir, como é o caso dos jogos sociais de troca de papéis ou as dinâmicas de grupo. Isto porque, na questão da autoridade, o mais importante é o respeito.
Fonte: educare.pt
quinta-feira, 17 de abril de 2008
SOS Indisciplina
Etiquetas: Violência escolar
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Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
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