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terça-feira, 6 de novembro de 2007

Conferência "O futuro do ensino da Matemática na Europa", Faculdade de Ciências da Faculdade de Lisboa, 16 a 18 de Dezembro

Nos designados países desenvolvidos, é tido como notório o drástico e progressivo desinteresse pela Matemática por parte dos alunos do ensino pré-universitário, ao longo das últimas duas décadas. Nestes países, o nível de conhecimento em Matemática dos alunos que terminam o ensino secundário tem sido tema de debate, nem sempre consensual. Em consequência, tem-se assistido à elaboração de planos destinados a minimizar esta tendência e à tomada de iniciativas com vista a uma reforma do ensino da Matemática.
Uma das orientações seguidas consistiu em dar-se primazia a um conjunto de actividades mais concretas e de resolução de problemas, em detrimento do ensino de conceitos abstractos e da aquisição de destreza no cálculo. Desse ponto de vista, o objectivo da formação dos alunos era o de lhes incutir o gosto pelo "fazer Matemática". Tais esforços reformadores têm sido frequentemente contestados, particularmente pela própria comunidade matemática. A intensidade do debate sobre o ensino da Matemática não é, na Europa, muito diferente da dos restantes países. De país para país, esse debate tem sido mais ou menos aceso, variando o nível de consenso obtido.
Tópicos a abordar na conferência:
situação actual do ensino da Matemática na Europa (desde o primeiro ciclo do ensino básico ao final do ensino secundário e início do ensino universitário);
exemplos de iniciativas que visem reformar o ensino da Matemática;
percepção da Matemática e do ensino da Matemática por estudantes, pais e sociedade em geral;
relações da Matemática com as outras disciplinas (especialmente Ciência e Tecnologia da Informação);
estado actual da formação de professores para o ensino da Matemática
Intenções:
Elaboração de um esboço de "programa de acção" para o ensino da Matemática, caso seja possível encontrar o devido consenso; caso contrário, elaboração de uma lista de pontos tidos como críticos, requerendo maior justificação e clarificação.
Publicação do "programa de acção" sob a alçada da Academia Europaea (após aprovação pela mesma).
Apresentação do "programa de acção" aos responsáveis políticos pela Educação e pela Ciência, tendo em vista o seu desenvolvimento e, numa perspectiva optimista, a sua implementação.
Fonte: http://www.fmee2007.org/

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)