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terça-feira, 13 de novembro de 2007

Docente de Matemática de Aveiro distinguido com Prémio Nacional do Professor

Um docente de Matemática de uma escola secundária de Aveiro recebeu hoje o Prémio Nacional do Professor, um galardão atribuído pela primeira vez para distinguir "aqueles que contribuem de forma excepcional para a qualidade do sistema de ensino".
Com 35 anos de carreira, Arsélio de Almeida Martins, que lecciona na secundária José Estêvão, foi considerado pelo júri como "um exemplo de cidadania e um mestre no verdadeiro sentido do termo".
Membro da Sociedade Portuguesa de Matemática, da sua congénere europeia e da associação de professores da disciplina, Arsélio Martins foi também formador de docentes, tendo participado na revisão dos programas de Matemática, desde 1995.
Ao longo da carreira, que incluiu passagens por São Tomé e Príncipe e Cabo Verde enquanto professor-cooperador, o docente distinguiu-se ainda, na década de 1980, como dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro, afecto à Federação Nacional dos Professores (Fenprof), sendo actualmente activista do Sindicato dos Professores do Norte.
"Penso que sou um professor comum. O que me diferencia é sobretudo a participação cívica de que nunca abdiquei", afirmou o docente, em declarações aos jornalistas.
A notícia de que o professor Arsélio Martins foi hoje distinguido com o Prémio Nacional do Professor encheu "de orgulho e honra" a Secundária José Estêvão, onde lecciona Matemática "como uma brincadeira" e "ninguém o acha 'cota'".
Professores e alunos desta escola de Aveiro são unânimes em considerar Arsélio Martins um professor invulgar, que sabe incentivar colegas e entusiasmar as turmas que lhe estão distribuídas. "Ele leva a Matemática como uma brincadeira e é aí que está o seu segredo" explica André Oliveira, aluno do 10º ano, de Ciências e Tecnologias.
Para André, que é aluno de Arsélio Martins pela primeira vez este ano, com o espírito dele "tinha mesmo de ser professor de Matemática porque consegue do nada inventar um problema para resolver". "É um bom professor e pode considerar-se um bom amigo e, não sendo dos mais novos, é um professor moderno, que está a par das tecnologias. Ninguém o acha 'cota'", comenta.
Fonte: Lusa

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)