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terça-feira, 13 de novembro de 2007

Os melhores professores do país

O Governo de José Sócrates distinguiu, esta manhã, no Centro Cultural de Belém, os melhores professores de Portugal em 2007. O primeiro-ministro fez questão de salientar que a atribuição dos louvores não é uma «operação de relações públicas» e que não estava a «massajar» a corporação. Professor vencedor tem 60 anos e ensina matemática em Aveiro.
O Prémio Nacional de Professores conheceu a primeira edição este ano depois de ter sido anunciado ainda no ao passado pela ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. O Prémio Nacional é a principal distinção atribuída e tem o valor de 25 mil euros. Os restantes prémios são de mérito (não há qualquer valor monetário) e foram atribuídos nas categorias de carreira, inovação e liderança.
Arsélio Martins tem 60 anos e foi considerado, pelo júri presidido por Daniel Sampaio, o professor «excepcional» de 2007. Docente de matemática pura já foi dirigente da Fenprof e é caracterizado pelos seus alunos como um professor que «conseguiu tornar a matemática divertida». Utiliza as tecnologias, como o quadro interactivo no ensino da geometria, e a Internet para comunicar com os alunos dentro e fora da sala de aulas.
Os prémios de Mérito distinguiram docentes do sexo feminino. Teresa Almeida, professora de inglês, na Escola Secundária Carolina Michaëlis, no Porto, ganhou o prémio Carreira. Nas suas aulas não se limita ao seguimento de manuais e lecciona a língua inglesa através de filmes actuais, músicas ou fotografias.
Na categoria inovação a premiada foi Ana Paula Canha, professora de Ciências, na Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves, em Odemira. A docente gosta de meter a «mão na massa» e não se coíbe de levar os alunos para o campo ou de efectuar experiências na escola que podem levar os alunos a necessitar de passar o fim-de-semana nas instalações, chegando a dormir «em camaratas» na sala de aula.
Armandina Soares, presidente do conselho executivo do Agrupamento de Escolas de Vialonga, foi distinguida com o prémio Liderança pelo trabalho difícil num contexto social carenciado como é o de Vialonga. O combate à pobreza escolar e à violência através da estabilidade do corpo docente e da ligação de outras entidades à escola foram os primeiros passos na carreira de liderança.
De acordo com o Ministério da Educação, 53 do total de 65 candidaturas foram propostas por conselhos executivos, enquanto 11 candidatos foram apresentados por um conjunto de 50 ou mais colegas.
Fonte: Portugal Diário

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)