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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Afinal Maria de Lurdes Rodrigues é ministra da Avaliação

Perante uma sala cheia, foram poucos os que conseguiram conter os sorrisos e risos. É que Sócrates não podia ter cometido uma 'gaffe' mais actual: Chamou a Maria de Lurdes Rodrigues ministra da avaliação, em vez de ministra da Educação.
Num balanço de três anos de Governo, feito no encerramento das jornadas parlamentares do PS, na Guarda, José Sócrates deu especial destaque à educação, considerando que é uma área "estratégica para que Portugal possa ter sucesso no seu desenvolvimento".

A propósito da polémica avaliação dos professores, o primeiro-ministro cometeu a 'gaffe' sobre o tema do momento: chamou a Maria de Lurdes Rodrigues ministra da Avaliação, em vez de ministra da Educação. Na sala viram-se sorrisos e ouviram-se risos.

No dia em que o líder do PSD recebe os sindicatos dos professores, Sócrates elogiou o esforço dos professores na melhoria do sistema educativo e defendeu a nova gestão escolar que permitirá "um maior envolvimento dos pais e das autarquias nas escolas".

Contudo, foi à questão da avaliação dos professores que o primeiro-ministro dedicou mais tempo. "Há que distinguir os melhores e incentivar todos", disse. Para Sócrates "não há situação mais injusta do que não haver avaliação de professores e haver um sistema de progressão automática, quase automática ou de progressão na prática automática". "Quando implementámos as aulas de substituição houve greve aos exames. Hoje todos vêem que tínhamos razão e que fizemos o que devíamos", afirmou, acrescentando que "todos os métodos de avaliação são discutíveis e podem melhorar".

Acusando a oposição de "demagogia redutora", nomeadamente o CDS-PP que questionou o Governo sobre uma possível inflação das notas dos alunos para os professores não arriscarem a progressão na carreira, Sócrates afirmou que "no passado não o fizeram porque não tiveram coragem".

Durante um discurso de mais de 40 minutos, Sócrates não poupou elogios ao Programa "Novas Oportunidades" e referiu os "avanços" do país em termos sociais, algo que, diz, "acontece sempre que o PS chega ao Governo". O primeiro-ministro recordou algumas das medidas tomadas pelo executivo socialista nos últimos três anos nas políticas sociais, como o complemento solidário para idosos, a lei da paridade ou a despenalização da interrupção voluntária da gravidez.

Fonte: Expresso

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)