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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Aluno com detonadores não deverá ser suspenso

Nas investigações, GNR identificou agricultor de 57 anos e ex-aluno de 17
O caso do aluno a quem foram apreendidos dois detonadores explosivos é analisado hoje no conselho pedagógico do agrupamento de escolas de Trancoso (AET). O aluno, que o AET considera "problemático", está a ser acompanhado pelo conselho pedagógico e uma eventual suspensão estará posta de parte.

A Guarda Nacional Republicana (GNR) prossegue as investigações, que já permitiram identificar um ex--aluno do AET que também tinha na sua posse oito detonadores e apreender 908 detonadores a um agricultor com relações de proximidade aos dois rapazes envolvidos. O agricultor e o ex-aluno, um jovem de 17 anos, foram entretanto constituídos arguidos e aguardam em liberdade o desenrolar do processo.

Emanuel Simão, presidente do conselho executivo do AET, diz que o aluno de 15 anos, "é considerado problemático e frequentava um curso especial de formação em carpintaria para obtenção do equivalente escolar". Terá contado a um colega que "tinha detonadores na mochila" e foi este colega quem "alertou o director de turma, que veio a confirmar a existência dos explosivos e alertou a GNR". O aluno terá confessado à GNR que "quem lhe deu o material foi um antigo aluno a quem foram apreendidos oito detonadores". Como os cursos especiais de formação dispõem de regras próprias e "o que se pretende é evitar o abandono escolar", as penas podem passar por tarefas de limpeza ou reparações.
Fonte: DN

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)