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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Artigo: O modelo finlandês de educação

A revista Veja desta semana publicou uma reportagem sobre o sucesso do modelo educacional finlandês, que, com medidas simples, tem dado um exemplo de que é possível fazer da Educação o meio de desenvolvimento dos potenciais da pessoa humana. Basta realmente vontade política dos gestores em Educação, e investimento na formação humana, especialmente dos professores. Na Finlândia, depois de algumas décadas de empenho nesse sentido, o magistério tornou-se uma atividade profissional valorizada socialmente, motivado e realizado. Isso é importante porque comprova que vale a pena não apenas acreditarmos, mas trabalharmos para fazer valer o que precisa, pois é somente com um sistema educacional bem estruturado, que podemos formar cidadãos capazes de lidar com os complexos desafios da realidade no mundo globalizado, otimizando as melhores possibilidades, a serviço de todos.
Segundo a reportagem de Thomaz Favaro, de Helsinque, “em comparação com o Brasil, a Finlândia mantém os alunos por mais tempo na escola e investe mais na formação dos professores. O fato de ganharem menos que os brasileiros em proporção à renda per capita nacional demonstra que salário não é a única maneira de estimular os professores”. A matéria destaca ainda que “a reforma educacional finlandesa levou três décadas para se consolidar”. Isso quer dizer que, com planejamento e eficiência, e também perseverança, podemos resolver muitos dos problemas existentes, principalmente do melhor aproveitamento do muito que pode ser feito, em meio a tantos meios disponíveis, em todas as áreas.
Ainda segundo a Veja, “a reforma educacional colocou a qualificação dos professores a cargo das Universidades, com duração de cinco anos. Hoje, a profissão é disputadíssima (somente 10% dos candidatos são aprovados) e usufrui de grande prestígio social (é a carreira mais desejada pelos estudantes de ensino médio)”. E salienta que “exceto na pré-escola, o mestrado é pré-requisito para lecionar”. Isso também quer dizer que hoje é preciso investir cada vez mais na capacitação. Não é mais possível alguém desejar realizar alguma coisa que realmente importe à sociedade que não seja capacitado, desde as atividades mais corriqueiras do cotidiano, até as mais sofisticadas. O Brasil, com sua extraordinária população, bastante criativa e dinâmica, certamente encontrará meios para aprimorar seu sistema educacional, e dar um salto qualitativo. É assim que acreditamos ser possível vislumbrar um futuro melhor para todos.
Prof. Dr. Valmor Bolan
Doutor em Sociologia. Reitor do UNIBERO - Anhanguera Educacional.
Fonte: O imparcial

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)