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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Crianças aprendem a «ler» a publicidade

Foi lançado esta quinta-feira na Escola Eugénio dos Santos, em Lisboa, o programa «Media Smart», que pretende «desenvolver o espírito crítico das crianças em relação às mensagens publicitárias», reforçando a sua «capacidade para as interpretar e desconstruir».

Destinado a alunos dos 1.º e 2.º ciclos, o programa poderá ser introduzido em escolas públicas e privadas pelos professores que aderirem voluntariamente.
Conceição Henriques, professora da escola Eugénio dos Santos, após uma aula prática, disse aos jornalistas que o objectivo de «qualquer professor é desenvolver capacidades críticas» nos alunos «para que possam pensar, desenvolver opiniões e intervir na realidade».

Confessou que o «Media Smart» facilita o trabalho dos professores por ser «versátil e adaptável a qualquer método de ensino». Diz a professora que após três sessões, «há já alunos preparados para os anúncios e criticá-los». Assim, continuou, a escola «pode ajudar a família», já que o aluno é «confrontado com a opinião do próprio colega», o que acaba por «complementar a formação da sua opinião».

Mundo real na sala de aula

Roberto Carneiro, coordenador do grupo de peritos do programa, disse aos jornalistas que se pretende «trazer o mundo real para dentro da sala de aula», já que as «crianças estão rodeadas de publicidade».

Esclareceu que o objectivo não é eliminar os riscos da publicidade, mas «dotar as crianças de instrumentos que lhes permita interpretar e desconstruir as mensagens», para que possam «contornar os riscos».

Acesso gratuito

O primeiro país a lançar este programa foi o Canadá em 1998. Com a designação «Para um público esperto, um olhar mais desperto», o programa é constituído por três módulos: introdução à publicidade, publicidade dirigida a crianças e publicidade não comercial.

Os materiais de trabalho são cedidos gratuitamente às escolas e cada módulo é constutuído por um manual para professores, fichas de exercícios para os alunos e um DVD. São utilizados anúncios verdadeiros. Tal como explicou Roberto Carneiro, «não é imposto, é proposto» às escolas.

Manuela Botelho, secretária-geral da Associação Portuguesa de Anunciantes, em representação do «Media Smart», disse que esta quinta-feira foi «lançada a primeira pedra». Diz que foram enviados para 7500 conselhos executivos propostas de adesão ao programa

As escolas que não receberem a proposta e que quiserem aderir podem fazê-lo através do site, de boletins, de email ou de telefone.

Em jeito de conclusão, Roberto Carneiro afirmou querer «formar cidadãos para que possam reflectir e não sejam passivos, que dialoguem com o mundo».

Fonte: Diário Digital

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)