O Ministério da Educação vai ser obrigado a pagar as aulas de substituição a todos os professores como horas extraordinárias, isto depois de o Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto ter dado provimento a mais três providências cautelares neste sentido.
O anúncio foi feito pelo sindicalista Mário Nogueira que calcula que o ministério liderado por Maria de Lurdes Rodrigues terá de gastar cerca de dois milhões de euros nestes pagamentos que poderão a partir de agora ser reclamados pelos docentes.
«Existiam três sentenças transitadas em julgado, já não passíveis de recurso, que eram favoráveis aos professores e a FENPROF tomou conhecimento que outras três, neste caso do Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto, vieram dar razão aos professores», explicou.
Em declarações à TSF, o secretário-geral da FENPROF adiantou que «nos termos do Código de Procedimento dos Tribunais Administrativos, a partir de agora, basta a todos os professores que desenvolveram actividades de substituição até 19 de Janeiro de 2007» requererem o pagamento destas horas.
Mário Nogueira explicou que estas reclamações podem apenas referir-se ao período em que esteve em vigor o anterior estatuto e que a FENPROF, no seu site, fornecerá a minuta com a qual os docentes poderão reclamar estas horas.
«Obrigatoriamente as escolas vão ter de pagar todo esse serviço como extraordinário, o que significa uma estrondosa derrota do Ministério da Educação, que andou a desrespeitar as leis apesar de ter sido chamado à atenção para isso», adiantou.
O líder da FENPROF entende ainda que esta situação cria «enormes fragilidades» a nível político ao Ministério da Educação, porque «esta foi uma insistência e uma teimosia em não querer respeitar a lei».
«Passados dois, três anos, a razão é dada aos professores e prova-se uma vez mais que este ministério tem vindo a agir fora da lei em diversas matérias», lembrou este sindicalista da FENPROF.
Mário Nogueira recordou ainda que o Ministério da Educação tinha imposto estas aulas aos docentes que fariam substituição sempre que se verificasse a falta de um professor.
«Do ponto de vista legal não tem qualquer questão, só que nos termos do estatuto da carreira docente que foi revogado a 19 de Janeiro de 2007 as aulas de substituição eram consideradas como um serviço extraordinário», frisou.
Fonte: TSF
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Aulas de substituição: Ministério obrigado a pagar horas extraordinárias
Etiquetas: Professores
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Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
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