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sábado, 2 de fevereiro de 2008

Esclarecimento do ME: Actividades de Tempos Livres e Actividades de Enriquecimento Curricular são serviços diferentes

Nos últimos 20 anos as instituições particulares de solidariedade social (IPSS), em parceria com a Administração Central, desempenharam um papel percursor ao nível da prestação da valência actividades de tempos livres (ATL), assegurando apenas a cerca de 30% das crianças do 1.º ciclo a frequência de actividades extra-curriculares e garantindo às famílias um horário escolar compatível com as suas necessidades. O serviço de ATL prestado pelas IPSS abrange apenas as famílias que podem comparticipar e não é universal.

Em 2005, o Estado assumiu a responsabilidade de melhorar a escola pública, determinando um novo horário para estas escolas, que passaram a funcionar até, pelo menos, às 17:30 horas, e tornando universal e gratuito o acesso dos alunos do 1.º ciclo a actividades de enriquecimento curricular.

As actividades de enriquecimento curricular têm conteúdos e metodologias diferentes das actividades de tempos livres. São actividades escolares, que integram os projectos educativos das escolas e que envolvem profissionais qualificados. Os ATL promovidos pelas IPSS destinam-se à mera ocupação de tempos livres e ocorrem em espaços e em tempos diferentes dos tempos escolares. Sendo serviços diferentes, ao contrário do que tem sido afirmado pela Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), o que está em causa não é a liberdade de escolha das famílias, mas antes actividades com práticas e objectivos diferentes.

O esforço de negociação entre Governo, CNIS, Misericórdias e Mutualidades

Atendendo à previsível redução do número de alunos a frequentar os ATL das IPSS decorrente da generalização das actividades de enriquecimento curricular, o Governo, através dos ministério da Educação e do Trabalho e da Solidariedade Social, tem mantido com as IPSS um diálogo constante.

Em 2005 criou-se um grupo de trabalho, que tem reunido frequentemente e de que fazem parte representantes das IPSS, dos pais, dos municípios e dos dois ministérios envolvidos, com o objectivo de definir um modelo de articulação entre as IPSS que desenvolvem a valência de ATL e os conselhos executivos dos agrupamentos de escolas.

Na sequência do trabalho do referido grupo, as IPSS assumiram com o MTSS, em 2006, em sede de protocolo de cooperação, um compromisso que previa várias possibilidades de manutenção e de reconversão da resposta ATL:
- manutenção do ATL clássico nas situações em que a escola não possua condições para assegurar o prolongamento do horário;
- incentivo ao alargamento da valência centro de actividades de tempos livres (CATL) aos alunos do 2.º ciclo;
- novo modelo de CATL para as designadas “pontas” do horário (início e final do dia e interrupções lectivas), como complemento ao horário escolar, curricular e de enriquecimento curricular;
- reconversão das salas de CATL noutras respostas sociais, nomeadamente em creche, tendo sido criada, através do programa PARES, uma linha de financiamento para este efeito.

Na verdade, apesar da disponibilidade demonstrada pelo Governo e das possibilidades que foram apresentadas às IPSS, estas oportunidades foram ignoradas e muito poucas foram as instituições que adaptaram o seu modelo de funcionamento, revelando pouca preocupação com as necessidades das famílias.
Fonte: Portal da Educação

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)