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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

A escola não é dos professores

Paquete de Oliveira, Sociólogo e professor do ISCTE

Sem professores não há Escola. Mas a Escola não é dos professores. Entre estes dois enunciados terá de caber toda a política do Ensino. O ano escolar tem sido marcado por um ruído ensurdecedor entre a Federação Nacional de Professores (Fenprof) e o Ministério da Educação. Personalizando, talvez mais concretamente se possa dizer, entre o secretário-geral daquela estrutura sindical, Mário Nogueira, e a ministra da respectiva tutela, Maria de Lurdes Rodrigues, e os secretários de Estado Jorge Pedreira e Valter Lemos.

Somadas as razões de ambos os lados, não creio que este barulho seja um contributo pedagógico para o sistema ou para as unidades prioritariamente encarregadas de emanar pedagogia. Em boa verdade, tem valido os outros agentes deste complexo sistema, pais, alunos e comunidades locais não terem participado, pelo menos em tão alto tom, nesta «guerra».

O desencadear de um processo de reforma traz sempre desestabilização a qualquer sistema. Tanto mais que a reforma empreendida no sistema escolar praticamente tocou em tudo reenquadramento da rede escolar, com fecho de centenas de escolas e abertura de algumas outras, deslocalização de professores, Estatuto do Professor, Estatuto dos Aluno, novos modelos de gestão, processo de avaliação dos professores. E isto só para falar nas componentes do vector administrativo-organizativo. Nem menciono aqui as alterações em relação a conteúdos programáticos e outros pontos do sistema. De facto, é muita carga para uma «carruagem» já muito enferrujada e sem grandes aparatos tecnicamente modernizados.

Neste contexto, até compreendo o grito de Mário Nogueira «A escola pública não aguenta mais».

Com todas estas mudanças, não admira que as estruturas representativas dos professores sejam aquelas que mais protestam em nome dos seus representados. Estas modificações têm provocado muito trabalho acrescido ao múnus principal de ensinar, perdas de regalias ou direitos adquiridos, reorganização de funções, e consequente mal-estar. Portanto, é natural a luta, sem tréguas, que tem sido empreendida pela Fenprof.

Trata-se, então, de uma situação conflituosa que, em democracia, importa encarar e estabelecer plataformas de negociação entre as partes «beligerantes». Julgo, porém, que se da parte do Ministério tem faltado alguma habilidade política e diplomática para dirimir resistências e discordâncias, também da parte da Fenprof, o modo como está a conduzir a contestação dá a ideia de estar a faltar-lhe alguma razão. A forma como, por exemplo, Mário Nogueira, nas suas declarações públicas, pretende diminuir o papel interventor do Conselho de Escolas, é sintomático. O Conselho de Escolas é constituído por professores que até agora têm na mão a «batata quente» da gestão administrativa e académica das escolas. E estes sabem, por conhecimento e experiência próprios, que o corpo escolar mais difícil de gerir é o corpo docente. Por outro lado, quando há tanto tempo se vem dizendo que é preciso dar cabo desse mastodonte centralista e burocrático que é o Ministério da Educação, não deixa de ser curioso registar como o poder autárquico tem colaborado com as reformas que o implicam. Igualmente, os pais (a não ser aqueles que são também professores) e até associações de pais manifestam atitudes compreensivas com muitas das mudanças em curso. Por sua vez, é contrastante o alheamento com que os alunos se comportam em relação a estas questões.

Sem professores não há Escola. Mas a escola não é dos professores. Se se perder esta dimensão, estamos a destruir essa instituição indispensável a pensar o futuro de qualquer país.
Fonte: Jornal de Noticias

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)