No próximo ano lectivo, as câmaras vão gerir as escolas até ao nono ano. Passam a ser responsáveis pelas instalações e por 55 mil funcionários. Para já, os professores continuam no Ministério da Educação.
Já a partir do próximo ano lectivo, as câmaras municipais vão ter um reforço de competências nas escolas básicas, em áreas que vão da manutenção dos edifícios até à gestão do quadro de funcionários, com excepção dos professores. A medida insere-se no pacote de descentralização administrativa – que inclui também as áreas do ambiente e da Saúde, esta última mais atrasada – e vai afectar 36 mil funcionários públicos e 640 mil alunos.
De acordo com o diploma que vai a Conselho de Ministros amanhã, e a que o Diário Económico teve acesso, o Governo compromete-se a celebrar os contratos de execução – o instrumento para a transferência de competências – até Junho deste ano, assim dando tempo para que esta reforma possa entrar em vigor já em Setembro.
O diploma define também que estes contratos de execução têm obrigatoriamente de contemplar “os recursos humanos, patrimoniais e financeiros associados ao desempenho das competências previstas no diploma”. Assim, cada nova competência atribuída será acompanhada do respectivo financiamento, o que torna todo o processo indiferente em termos de despesa do Estado. “Serão integralmente transferidas todas as verbas que estão orçamentadas para acomodar as novas competências”, assegura o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, ao Diário Económico.
O Governo só quer transferir o montante já previsto no Orçamento para cada uma das novas competências. “Já existe uma disposição no Orçamento do Estado para este ano que permite a transferência das verbas para as autarquias”, acrescenta o secretário de Estado da Administração Local. Eduardo Cabrita confirma que “já a partir do próximo ano lectivo, as câmaras vão passar a gerir o pessoal não docente até ao nono ano de escolaridade, a acção social escolar e o transporte dos alunos”.
As autarquias, hoje, já gerem 15 mil jardins de infância e escolas do primeiro ciclo, mas os resultados não são positivos – o processo de transferência não é claro sobre quem paga as despesas correntes das escolas, sendo que muitas câmaras não avançaram com o dinheiro.
Do lado das autarquias, a disponibilidade é total. Ao Diário Económico, Fernando Ruas mostra “concordância de princípio com o diploma”, mas salienta que há ainda aspectos a resolver e deixa “a bola do lado do Governo”. O presidente da associação dos municípios exemplifica com os excedentários já anunciados pelo Governo (5 mil entre o pessoal não docente) para dizer que “é preciso saber onde é que o Governo considera que eles estão”.
Autarquias passam a gerir 640 mil alunos
Mais de 640 mil alunos frequentam as cerca de 2500 escolas do 2º e 3º ciclos que passarão a ser geridas pelas autarquias. O que significa que as câmaras terão que assegurar a manutenção e os equipamentos, assim como a gestão e fornecimento de refeições escolares a um total de 17 mil jardins de infância e escolas (15 mil já estavam, aliás, sob a sua tutela). Quanto ao pessoal não docente que passa para as autarquias, o universo abrangido é de 36 mil funcionários. O diploma fecha a porta à passagem dos professores do 2º e 3º ciclos do ensino básico para o poder local, o que, a concretizar-se, abrangeria um universo de, pelo menos, 92 mil profissionais.
As áreas que passam para a competência das autarquias
1 - Acção social escolar e gestão de refeitórios e seguros
No próximo ano lectivo, os municípios vão implementar “medidas de apoio sócio-educativo, gestão de refeitórios, fornecimento de refeições escolares e seguros escolares e leite escolar a alunos do ensino pré-escolar e dos segundo e terceiro ciclos do ensino básico”. O diploma prevê uma transferência financeira para acomodar o aumento da despesa. Em 2009, a transferência “será actualizada ao nível da inflação prevista”.
2 - Manutenção e obras nas escolas públicas
Sem prejuízo dos concursos já abertos, os municípios vão a partir de Setembro ter as competências de “construção, manutenção e apetrechamento das escolas básicas”. O diploma que vai amanhã a Conselho de Ministros prevê que o Governo financie a construção das escolas, mas transfere para as autarquias “o pagamento das despesas de manutenção e apetrechamento de escolas básicas”.
3 - Transportes escolares
A partir do próximo ano lectivo, “são transferidas para os municípios as competências em matéria de organização e funcionamento dos transportes escolares do terceiro ciclo do ensino básico”, diz o diploma que os ministros vão aprovar amanhã. Em 2009, as verbas serão actualizadas em função da inflação e “a partir de 2010 as transferências de recursos financeiros serão incluídas no Fundo Social Municipal”.
4 - Profissionais não docentes
“Os funcionários, agentes e trabalhadores em regime de contrato individual de trabalho” passam para as autarquias, sendo respeitados todos os direitos e deveres que resultam da condição de funcionários públicos, nomeadamente em termos de carreiras e vínculo à função pública. O recrutamento, afectação e colocação de pessoal, a gestão das carreiras e remunerações e o poder disciplinar passa para o poder local.
Ainda por definir
- O diploma que vai amanhã a Conselho de Ministros explica o mecanismo de transferência de competências para as autarquias, mas os procedimentos são definidos através de contratos de execução.
- Entre os aspectos por definir está o montante da transferência para as autarquias.
- O presidente da Associação Nacional de Municípios está também à espera “que o Governo diga quantos funcionários estão a mais e em que locais”.
- Por outro lado, Fernando Ruas quer também saber “como será feito o pagamento dos encargos com a ADSE, uma vez que é óbvio que as autarquias não podem assumir esse encargo”.
- Estes e outros aspectos só deverão ficar definidos quando forem assinados os contratos de execução sobre a transferência de competências.
Fonte: Diário Económico
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Escolas nas mãos das autarquias já a partir de Setembro
Etiquetas: Escolas, Gestão escolar
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Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
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