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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Exames nacionais em análise pelo GAAIRES

O Grupo de Avaliação e Acompanhamento da Implementação da Reforma do Ensino Secundário (GAAIRES) considera que o actual número de provas é adequado, mas propõe um maior investimento de recursos.

De acordo com as recomendações do Grupo de Avaliação e Acompanhamento da Implementação da Reforma do Ensino Secundário, as provas de exame nacional devem incidir sobre os conteúdos e temáticas previstos para o ano terminal nos respectivos programas, apesar de convocarem as aprendizagens estruturantes e fundamentais das disciplinas, desenvolvidas ao longo de todo o ciclo.
No que respeita ao número de exames considera-se, de acordo com a generalidade dos entrevistados para a elaboração do relatório (tanto actores institucionais como peritos), que o número actual de provas é adequado, assim como o critério que presidiu à escolha das disciplinas: na componente de formação geral, o Português e na componente de formação específica, as disciplinas trienal e bienais estruturantes.

Concordando com o modelo actual de exames, que certifica as aprendizagens dos alunos que concluem o Ensino Secundário, utilizados também enquanto provas de ingresso no Ensino Superior, o texto do relatório salienta a necessidade de uma articulação efectiva e formalizada entre os serviços do Ministério da Educação e do Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior, nomeadamente a Direcção-Geral do Ensino Superior, na elaboração de provas de exame e dos critérios de correcção.
Outros domínios em que esta colaboração se deveria articular são a monitorização da validade científica dos exames, o testar da exequibilidade das provas de exame e a selecção de disciplinas sobre as quais devem incidir os exames nacionais.

A impossibilidade de um aluno concorrer com a nota de melhoria obtida na 2.ª fase dos exames à 1.ª fase de candidatura ao Superior é também apontada no relatório. A informação recolhida pelo grupo permitiu concluir que o fundamento desta restrição radica na maior dificuldade em garantir a correcção das provas em tempo útil, permitindo o cumprimento dos prazos da primeira fase de candidatura, tendo em contas as limitações colocadas ao período de marcação de férias autorizado aos professores encarregues da correcção e classificação das provas.

A correcção de um número de provas previsivelmente aumentado, fruto da opção massiva dos alunos pela repetição de provas na segunda fase, para efeitos de melhoria de classificação, obrigaria ao recrutamento de professores até mais tarde no ano escolar (fim do mês de Julho e princípio do mês de Agosto), o que implicaria o adiamento do período de férias para o mês de Setembro, segundo indica o relatório.

Neste contexto, é recomendado o desenvolvimento de um processo de discussão e articulação entre os serviços e os ministérios para a revisão destas limitações, ponderando o investimento de recursos, humanos e financeiros, por parte do Ministério da Educação, no sentido de ultrapassar o referido obstáculo. A alteração desta situação iria possibilitar aos alunos mais oportunidades para obter a classificação desejada nas provas de exames.

Evidenciando as mais valias dos testes intermédios, que segundo o relatório ultrapassam largamente a função de preparação e ensaio dos exames nacionais, propõe-se a ponderação do reforço da utilização deste instrumento e a sua generalização às restantes disciplinas do currículo do Ensino Secundário que não são ainda objecto deste tipo de provas, incluindo as que não são sujeitas a exame nacional.
Fonte: Textoeditores

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)