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sábado, 9 de fevereiro de 2008

Governo garante período de transição na aplicação da reforma ao ensino de música

O Secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, afirmou hoje que o fim dos cursos de iniciação nas escolas públicas de ensino especializado de música está ainda "em avaliação", assegurando que existirão sempre "mecanismos de transição, pelo que todos os alunos terão o seu percurso garantido".Valter Lemos falava aos jornalistas na Escola Básica Vasco da Gama, em Lisboa, após uma reunião com a direcção da Escola de Música do Conservatório Nacional, professores, encarregados de educação e alunos.No âmbito da reforma do ensino artístico, o Governo está a avaliar o fim dos cursos de iniciação (1º ciclo) nas escolas públicas do ensino especializado e a obrigatoriedade destas instituições funcionarem em regime integrado, ou seja, terem de ministrar a formação geral e a especializada."O objectivo é alargar as condições de acesso ao ensino artístico especializado e aumentar a sua qualidade. Estamos a iniciar este processo, trabalhando com as escolas", acrescentou o responsável. Valter Lemos negou ainda cortes de financiamento nas actividades pedagógicas e o encerramento dos conservatórios.No final da reunião, o director do Conservatório Nacional, Wagner Diniz, apontou como positiva a garantia dada pela tutela de que quaisquer que sejam as orientações para o ensino artístico haverá sempre um período de transição.Os regimes articulado e supletivo permitiam aos alunos realizar a formação geral numa escola à sua escolha e a formação artística num dos conservatórios. A vontade do Governo é alargar às escolas públicas do básico e secundário o regime integrado, aumentando assim o número de alunos com acesso a este tipo de ensino.
Fonte: Público

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)