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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Identificar problemas de linguagem

Um método de avaliação da linguagem permite despistar problemas precocemente em crianças entre os 2 e os 6 anos. O teste foi criado por duas terapeutas portuguesas.
Com a designação de Teste de Avaliação de Linguagem na Criança (TALC), este método de identificação de problemas de linguagem em crianças dos dois aos seis anos nasceu da necessidade de ter um instrumento de avaliação português para as crianças de tenra idade. Como explicam as autoras, Maria Dulce Tavares, terapeuta da fala, e Eileen Sua-Kay, professora da Escola Superior de Saúde de Setúbal e do Alcoitão, há uma escassez de testes em Portugal para avaliar crianças destas idades, sendo normalmente usadas traduções de outros testes em língua inglesa.

Com este novo instrumento, a avaliação pode ser feita totalmente em português através de um manual de examinador, um livro de imagens e um conjunto de objectos em miniatura, como uma colher, uma cama, uma estrela, ou uma árvore. Associados a uma grelha de questões estandardizadas, permitem avaliar a compreensão e expressão da linguagem.

Pensado para que possa ser utilizado por terapeutas da fala e profissionais que trabalham com crianças, o teste permite a construção de um plano de intervenção e funciona como um complemento para a identificação de dificuldades de linguagem, permitindo que os problemas sejam despistados precocemente. O diagnóstico precoce é aliás fundamental, já que facilita o encaminhamento para os profissionais que poderão dar apoio e fazer uma intervenção facilitadora do desenvolvimento da criança.

Segundo Maria Dulce Tavares, não são conhecidos dados relativos ao números de crianças portuguesas com alterações nas capacidades linguísticas mas noutros países "cerca de 7,5% das crianças nos jardins-de-infância encontram-se nesta situação". Uma "percentagem significativa" já que, como sublinha Eileen Sua-Kay, muitas das crianças com problemas de linguagem que não são ultrapassados antes da entrada na escola revelam posteriormente problemas de aprendizagem.

Talvez por isso, o TALC tem sido muito bem recebido. Começaram por lançar uma edição de 50 exemplares mas em três reedições esse número quadruplicou. Com um tempo de aplicação de 45 minutos, o teste permite a avaliação das componentes de compreensão e expressão da linguagem na área semântica (vocabulário, relações semânticas e frases absurdas), morfossintaxe (frases complexas e constituintes morfossintácticos) e pragmática (funções comunicativas).
Fonte: educare.pt

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)