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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Júri Nacional de Exames participou 7 suspeitas de fraude

O Júri Nacional de Exames comunicou sete suspeitas de fraude durante as provas de aferição e exames nacionais do último ano lectivo, mas a Inspecção Geral da Educação abriu procedimento disciplinar em apenas duas situações, tendo arquivado as restantes. De acordo com o relatório nacional da Inspecção Geral da Educação (IGE) sobre as provas de aferição do ensino básico e exames nacionais dos ensinos básico e secundário no ano lectivo 2006/07, o Júri Nacional de Exames (JNE) comunicou à IGE um total de 21 ocorrências que no seu entender punham em causa o normal funcionamento das provas.No total, a IGE instaurou dezassete processos de averiguações, um processo disciplinar e arquivou três das participações. Dos dezassete processos de averiguações, 40 por cento foram arquivados e os restantes 60 por cento deram lugar a procedimento disciplinar. Dois encontram-se a aguardar decisão.Das 21 ocorrências participadas, sete foram por suspeita de fraude, cinco por troca de código, uma por recusa de correcção de provas e outra por impedimento de uso de calculadora, entre outras.No âmbito da sua actividade, a IGE visitou 395 escolas, o que representa 5 por cento do universo de escolas do ensino público e particular que ministram aqueles graus de ensino. A maior incidência ocorreu nas provas de aferição (185), seguida dos exames nacionais do secundário (152) e do básico (58). Quanto a desvios, situações passíveis de remediação imediata, registaram-se 18 nas provas de aferição, 12 nos exames nacionais do básico e nove nos exames do secundário. Entre estas, verificaram-se situações de alunos que não eram portadores de bilhete de identidade, aplicação das provas a estudantes com Necessidades Educativas Especiais de carácter prolongado em conjunto com outros alunos e problemas com a recolha das folhas de respostas.
Fonte: Sol

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)