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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Novas regras do ensino artístico

As mudanças anunciadas para o ensino artístico especializado estão a gerar protestos de pais e alunos do Conservatório Nacional de Música. O Ministério da Educação quer acabar com os cursos de iniciação e com o regime supletivo. Centenas de alunos podem ser obrigados a deixar o conservatório ainda este ano. São afectados centenas de alunos que estudam em escolas normais, com o ensino curricular normal, e seguem música no Conservatório Nacional, no chamado regime supletivo. O governo quer acabar com o regime supletivo e com os cursos de iniciação dos seis aos 10 anos, para que as escolas públicas de música tenham apenas o ensino integrado a partir do segundo ciclo. Ou seja, passem a dar todo o ensino - geral e especializado em música - a partir dos 10 anos, mas fechando as portas a alunos externos. Pais e alunos não se conformam com estas mudanças. Sem cursos de iniciação e sem o regime supletivo, temem pelo ensino da música em Portugal, pelo que tentam pressionar o Ministério da Educação para que reconsidere. Governo justifica medida Por seu lado o Governo justificou hoje a obrigação das escolas de música leccionarem em regime integrado a partir do próximo ano lectivo, em Setembro, com uma melhor gestão do currículo, da carga horária e por facilitar as deslocações dos alunos. De acordo com Paulo Feliciano, do Grupo de Trabalho para a Reforma do Ensino Artístico, o regime integrado "minora os custos associados ao regime supletivo", que permitia aos estudantes terem a formação geral numa escola à sua escolha e a formação artística num estabelecimento especializado.
Fonte: Sic

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)