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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Menezes quer sistema de avaliação dos professores "fora da tutela governativa"

Luís Filipe Menezes defendeu hoje, após um encontro com a Fenprof, a suspensão da avaliação dos professores, considerando "uma questão nuclear" que o sistema proposto pelo Ministério da Educação seja corrigido para que fique "fora da tutela governativa".

Ouvidas as críticas dos sindicalistas à política educativa do ministério de Maria de Lurdes Rodrigues, Menezes deixou um conselho ao Governo: "Em relação à avaliação dos professores mandava o bom senso que se parasse para pensar, para ouvir os sindicatos, para ouvir os pais, para ouvir os agentes educativos em geral e se partir para um sistema justo".

As alternativas do PSD ao sistema de avaliação de professores irão ser apresentadas em breve, mas, numa reacção imediata às reivindicações dos docentes, Menezes defende que se deve “retirar da lógica e da esfera governativa o processo de avaliação". "Essa é uma questão nuclear, independentemente de qual seja a solução final", acrescentou, citado pela Lusa.

Luís Filipe Menezes alerta que "se fosse por diante" o sistema de avaliação projectado pelo Executivo "milhares de portugueses que hoje são livres passariam a depender de uma forma determinante da vontade dos governantes de circunstância". O dirigente laranja sustenta a sua posição com o que considera serem "erros de base intoleráveis" no sistema de avaliação, como "a ligação da avaliação dos professores ao resultado escolar dos alunos" e a colocação de professores a avaliar os colegas “cuja formação especifica não está preparada para este tipo de avaliações".

No final do encontro, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, saudou o apoio manifestado por Menezes, mas sublinhou que "na maior parte das coisas concretas" a federação e o PSD estão "em desacordo", embora admita "convergência" na ideia de que "as organizações sindicais e os professores não podem ser desvalorizados".

Mário Nogueira deixou ainda um recado a José Sócrates, que hoje pediu um esforço dos professores na melhoria do sistema educativo, afirmando que "é bom que o senhor primeiro-ministro comece a alterar a sua opinião” sobre os professores".
Fonte: Público

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)